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Ainda o tema dos fogos que abrasaram a Rússia, há um artigo interessante no Le Monde em que se reflecte sobre as limitações das autoridades russas e sobre a forma como a blogosfera se mobilizou para vencer as chamas.






"Vai por aí grande algazarra opinativa por a novel deputada comunista Rita
Rato, licenciada em Ciência Política, ter afirmado que nunca ouviu falar do
Gulag e que "nunca esto[dou] nem l[eu] nada sobre isso". "Isso" foram "só"
milhões de mortos, a maior parte presos políticos, em campos de concentração da
ex-URSS, uma espécie de Tarrafal multiplicado por números inimagináveis..."
Opinião de Manuel António Pina, para ler, aqui.

As capas dos jornais polacos que há 70 anos anunciavam o início das hostilidades. O fim da paz (podre) que reinava na Europa. O ataque do exército alemão à Polónia. Capas de jornais que incitavam à resistência em nome da liberdade, da independência e da honra. Dias depois seria a vez do exército vermelho invadir o território esmagando toda a esperança e tornando a Polónia vitima de dois totalitarismos.
"Russia's Emergency Situations Ministry warned in 1998 that the dam had fallen into dangerous neglect, according to the business daily Kommersant. The same ministry forecast in 2005 that decaying infrastructure would be the cause of most technological accidents in the coming years." in, The Independent
O desaparecimento do Artic Sea, em águas atlânticas, é um mistério que faz engrossar a lista dos navios fantasmas.
Zarema Sadulayeva e Alik Djabrailov eram um jovem casal. Ela dirigia uma ONG que trabalha com a UNICEF. O seu trabalho? Proteger os mais jovens das minas e outros perigos.
Ontem, segunda-feira, foram raptados pelas autoridades chechenas, mortos a tiro e enfiados na bagageira de um automóvel.. Curioso, que quando os amigos do casal apresentaram queixa, a polícia local disse que eles os tinham acompanhado voluntariamente, para serem interrogados, afinal...
Assim, menos de um mês após a morte de Natalia Estemirova, a história repete-se com dramática precisão. Por detrás do cenário de horror em que a Chechénia se tornou está Kadyrov e … Putin.
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Entrevista de Françoise Petre, vice-presidente do Comité Checheno de Paris, ao Le Monde.

(cartazes de apoio à Osséssia do Sul nas ruas de Moscovo)
A jornalista e activista dos Direitos Humanos, Natalya Estemirova é a última de uma longa cadeia de assassinatos políticos que têm vitimado outros "incómodos" cidadãos, incapazes de se conformarem com as práticas de rapto, tortura e homicídio levadas a cabo por grupos "não-identificados" na Rússia e em outras repúblicas ex-soviéticas.

Livros para crianças. Belas histórias de Princesas ternurentas e rapazes traquinas lançados em mundos de aventuras destinadas a acabar da melhor maneira. Livros que convertem o mais feroz dos animais no melhor amigo. Livros que transformam o "monstro" em princípe. Sendo certo que os bons são recompensados abundantemente e, dos maus não reza a história (pelo menos desde o século XIX quando alguns dos horríveis e tradicionais castigos foram considerados "politicamennte incorrectos").
O artista, Alexander Shchednov, foi preso na cidade de Voronezh pelo crime de ... colar as fotos de Putin e de Medvedev sobre fotos femininas."A múmia de Lénine, que se encontra exposta ao público no mausoléu da Praça Vermelha da capital russa, não mudou de fato devido à crise económica, embora esteja a precisar disso há alguns anos, escreve hoje o diário Trud.Os especialistas que olham pelo estado da múmia do dirigente da revolução comunista na Rússia, em 1917, queixam-se de que nem sequer há dinheiro para os trabalhos de embalsamamento [ver, aqui], a que Lénine tem que ser sujeito anualmente." in, Expresso
"Russia's foreign minister criticized on Thursday NATO's plans to conduct exercises in Georgia, saying they could give the Georgian regime a sense of impunity, and raise tensions in the Caucasus region." in, Ria Novosti
"The exercises, which have been planned since the spring of 2008, will involve about 1,300 people from 19 Nato and partner countries and will be held at a training centre 20 kilometres (12 miles) east of Tbilisi. The military alliance said in a statement that the exercises had the "aim of improving interoperability between Nato and partner countries." in, Telegraph
As tensões na região estão longe de ter acalmado. A Rússia diz ter estacionado 7 600 homens na Abecásia e Osséssia do Sul mas, a Geórgia estima o número em cerca de 12 000. Algumas destas tropas foram deslocadas para uma área próxima da fronteira com a Osséssia do Sul (a c. de 60 km de Tbilisi) em vésperas das manifestações. Por outro lado, Moscovo, anunciou, em Janeiro, planos para a construção de uma base naval na costa da Abecásia e, avisou que aplicaria sanções aos países que fornecessem armas ou assistência militar à Geórgia.
Ora, este exercício que deverá decorrer entre 6 de Maio e 1 de Junho, na Geórgia, é um teste à determinação da aliança, tanto mais que , na última semana, o governo georgiano tem enfrentado, nas ruas de Tbilisi, os manifestantes que pedem a demissão do presidente Saakasvili.


Porquê? A mando de quem? São questões que continuam em aberto. A verdade é que os jornalistas de investigação rapidamente se tornam incómodos e, na Russia não são raros os casos de jornalistas cuja morte chega prematuramente na ponta de uma arma.
Anna Politkovskaïa, distinguiu-se ao cobrir o conflito na Chechénia, e ao denunciar as violações dos direitos do Homem pelas autoridades russas e pela sua voz crítica relativamente à actuação de Putin.
O seu processo senta no banco dos réus, dois irmãos chechenos, Djabraïl e Ibraguim Makhmoudov, por terem feito a vigilância do apartamento e um cúmplice, membro da polícia criminal, Sergueï Khadjikourbanov. Também se sentará num tribunal militar, o agente do FSB (ex-KGB), Pavel Riagouzov. De facto, nem o presumível atirador nem os mandantes do crime serão julgados, apenas o "peixe miúdo" está nas redes da justiça russa. Mesmo assim, talvez este julgamento possa contribuir para conhecer os reais motivos do assassinato desta jornalista, talvez possa contribuir para que os jornalistas russos sejam “alvos a abater”.
A mais recente vítima da sanha contra os jornalistas foi Mikhail Beketov, editor de um pequeno jornal da oposição russa, o Khimkinskaya Pravda, que a 13 de Novembro foi encontrado nos subúrbios de Moscovo em estado crítico, isto depois de se ter queixado de estar a ser vítima de ameaças e de que o seu automóvel tinha sido incendiado na garagem…