sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"Não existem referências sobre o valor do espaço..."


Mas valeria a pena procurá-las, não?

A Quinta do Rouxinol e a Quinta da Arrentela fizeram parte do complexo portuário dos esteiros do Tejo ainda durante a ocupação romana[1]. No caso da Quinta do Rouxinol podemos inferir que foram as ânforas aí fabricadas que constituíram o maior foco de atracção mas sobre a “Arrentela” ainda temos muito a estudar.
Faria notar que a ocupação histórica deste local (Arrentela/Seixal) está documentada desde a antiguidade como ligada a actividades portuárias (que estiveram na origem destes aglomerados urbanos). Assim, a pretensão de ver o local ser objecto de um estudo não é despicienda. Só a pressa de destruir para mostrar “obra” feita e, o desprezo pelo conhecimento podem escamotear com ligeireza a probabilidade de naquele local poder existir informação válida. Ora, a recente demolição e os trabalhos em percurso, fazem recear pela destruição de vestígios arqueológicos existentes no subsolo da área envolvente do estaleiro da Quinta da Fidalga.
Esperar-se-ia outro sentido de responsabilidade por parte da autarquia[2].

[1] Vide: Maria Luísa Pinheiro Blot
Os portos na origem dos centros urbanos: contributo para a arqueologia das cidades marítimas e flúvio-marítimas em Portugal, IGESPAR.
[2] Sobre a destruição do estaleiro da Fidalga veja no blog Baía do Seixal

5 comentários:

Ponto Verde disse...

Parece que o lema é , não está referenciado...então vamos lá arrazar quanto antes para não atrasar o nosso calendário eleitoral, se está referenciado então deixe-se ao abandono até caír (p.e. Quinta da Trindade, Paço do Infante...).
É preciso é trazer excurssões ao baluarte que é o Alto Forno ...

Bluegrowth disse...

Conforme publiquei no Blogue Baía do Seixal existem diversos jornais, revistas, dicionários enciclopédicos e outras publicações de há 2 séculos com sólidas referências quer à actividade portuária, construção naval e, naturalmente, vivência dos Gamas.

Sobre as regiões baixas há a realidade do terramoto de 1755 que, no caso da Amora, destruiu quase toda a construção. Sabendo nós que foi precedido de um maremoto, seguramente, muitas ferramentas, projectos, embarcações e peças ficaram soterradas.

A realidade é que não precisamos de recuar tão longe para encontrarmos valor arqueológico nestas praias. Basta o facto de não se saber como uma Muleta ou Bote da Tartaranha eram na realidade. Os únicos desenhos existentes estão em França e não detalham o processo de construção, sendo este já extinto ícone uma incógnita cujas dúvidas poderão ser esclarecidas no subsolo.

Confesso que estou chocado quer com a falta de sensibilidade quer com o conhecimento do vereador Jorge Silva sobre esta matéria. Numa autarquia com tanto arqueólogo não acredito que corroborem com estas afirmações.

hkt disse...

De facto não se sabe o que esconde o subsolo. Mas daí a dizer que não há referências suficientes para poder ser considerado um local privilegiado de estudo... bom, há uma evidente pressa em arrasar. Claro, as eleições estão à porta, o eleitorado gosta de inaugurações... é uma questão de prioridades. Agora, as sucessivas ocupações desde a antiguidade até aos nossos dias conferem àquele espaço uma probabilidade alta de ali se poderem encontrar vestígios arqueológicos relevantes e que se podem estar a pôr em risco.
Ponto Verde, o lema é não está classificado (nem se vai classificar)vai abaixo! O tempo, o abandono, o vandalismo e a indiferença fazem o resto....com uma ajuda final dos bulldozers.

Bluegrowth disse...

A questão que agora se coloca é simples: qual a estratégia para fazer chegar esta "dor" às massas?!

Anónimo disse...

Parabéns pelo trabalho que estão a desenvolver. Tal como é sugerido no blogue Baía do Seixal, infelizmente, existe um grande défice democrático na CMS.

Trabalhadora da Autarquia