quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Berlim, Lisboa vinte anos depois (1)


O muro, o grande e intransponível muro símbolo da Guerra Fria e da desunião da Europa caiu, há vinte anos.

Passaram-se pois, vinte anos sobre o impensável. Caiu o muro e, como um castelo de cartas, uma após outra, desmuronou-se um império construído sobre uma ideologia com pés de barro e contra a vontade dos povos.

Uma Europa, dois mundos diferentes. Lembro-me do dia em que transpus o muro para o lado de lá. Para o Leste em direcção à sinistra capital do Império. O contraste entre o buliço de Berlim (RFA) e o silêncio das ruas de Berlim (RDA). Parecia que estava a viajar no tempo. As casas, as ruas, os automóveis, as roupas -que me lembravam as que anos antes tinham sido "moda"... Era a única passageira de uma carruagem de combóio mas, nem por isso dispensaram o aparato intimidante de soldados, metralhadoras e cães. Estávamos em 1985, o muro ainda estava de pé.

Deixei uma sociedade de consumo, cheia de desigualdades e contradições, onde os povos eram livres de escolher o seu rumo e, "aterrei" numa sociedade de penúria quase generalizada onde qualquer veleidade de escapar "à massa" informe do socialismo e escolher um caminho próprio era olhada com a intolerância com que se olham os traidores.

A oeste uma sociedade de informação que tinha como regra a liberdade de expressão. A leste, uma sociedade que controlava e instrumentalizava sistematicamente a informação. Nem assim, utilizando os métodos que inspiraram Orwell, lograram granjear o "apoio popular". Finalmente, o vazio sobre o qual se alicerçou o império soçobrou arrastando consigo o temível muro.

Quem via as manifestações que enchiam as praças em alegres vivas à nomenklatura dificilmente poderia prever o final... As manifestações de apoio são o que são. Valem o que valem. As manifestações de apoio ao totalitarismo são, de facto, resultado do medo colectivo de ser preso, de desaparecer, de ser impedido de estudar ou trabalhar, medo de ser preterido na escolha do almejado automóvel ou apartamento ...medo. (cont.)

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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Poderemos ignorar?


"Vai por aí grande algazarra opinativa por a novel deputada comunista Rita
Rato, licenciada em Ciência Política, ter afirmado que nunca ouviu falar do
Gulag e que "nunca esto[dou] nem l[eu] nada sobre isso". "Isso" foram "só"
milhões de mortos, a maior parte presos políticos, em campos de concentração da
ex-URSS, uma espécie de Tarrafal multiplicado por números inimagináveis..."
Opinião de Manuel António Pina, para ler, aqui.

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domingo, 25 de Outubro de 2009

Leituras da fé


Ao contrário, do que possa parecer esta mulher não está a ser salva. Está a mergulhar voluntáriamente na lama, numa demonstração de fé. Trata-se de uma cerimónia de purificação organizada no México para comemorar o nascimento de Niño Fidencio (1898-1938), um curandeiro tradicional, venerado como um santo no norte do México, a quem continuam a ser atribuídas "curas milagrosas".

Não sou uma mulher de fé por isso, nesta imagem mais não vejo que um acto insano de alguém de joga a sua vida contra a probalidade de ser engulido pela lama. Mas não posso, racionalista como sou, deixar de reconhecer que em momentos como este há uma espantosa superação do humano que permite inverter a "tendência" e, remover montanhas - no caso, permite escapar viva à lama.

Ao longo da história, as religiões foram motivo para as mais terríveis atrocidades mas, permitiram também saltos civilizacionais que de outra forma não teriam ocorrido. As recentes declarações de Saramago sobre o Antigo Testamento suscitaram uma polémica algo desajustada. O Antigo Testamento, é um livro religioso mas é também crónica e literatura. Escrita ao longo de mais de quinze séculos, a Biblía, reflecte as transformações da economia, da sociedade, da administração, da literatura e da religião judaica.
A história de qualquer povo convertida em livro religioso de referência só pode mesmo dar origem a uma espécie de "manual de maus costumes" mas, mesmo para alguém como eu, a Biblía (Antigo Testamento) é mais do que isso, bastará dizer que foi o primeiro caso de uma religião e de um povo monoteísta que o utilizou o seu livro sagrado para eternizar as suas dúvidas, as suas interrogações, os seus cânticos, as suas conclusões.
Por isso, atendo-me apenas às declarações que o livro não o li ainda, esperava mais do criador do Sete Sóis e da sua Blimunda... esperava que atingisse a dimensão simbólica de muitos dos episódios narrados em lugar de se limitar a uma interpretação literal empobrecedora...

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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Em queda

via: rsf
Sinal dos tempos: Portugal continua em queda livre (de 16º para 30º lugar) no ranking da liberdade de imprensa. Porque será?

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O tabu


«A associação ambientalista Quercus afirma que em Vale Milhaços, Seixal, há uma lagoa com "milhares de toneladas de resíduos perigosos, em terreno arenoso", próximo de habitações e que estará a contaminar as águas subterrâneas da zona. De acordo com Rui Berkemeier, especialista em resíduos, "trata-se de uma situação de descarga de resíduos de óleos industriais ao longo de muitos anos e que nunca foram removidos. São contaminantes cancerígenos, altamente tóxicos".
O vereador do Ambiente da Câmara do Seixal, Carlos Mateus, confirmou conhecer o problema, mas que a autarquia "sozinha não o consegue resolver". "José Sócrates, quando ainda era ministro do Ambiente, esteve no local e comprometeu-se a mandar limpar e descontaminar", afirmou. O Ministério do Ambiente rejeitou a existência de quaisquer "indícios de contaminação dos lençóis freáticos na região potencialmente afectada".» in, CM

Há coisas de que não se fala.

Num concelho que repetidamente nos é descrito como uma "maravilha", como o melhor dos concelhos possíveis, afloram de quando em vez indícios reveladores de que nem tudo é o que parece. Esta notícia, que de nova nada tem, é um bom exemplo disso mesmo. As famosas lagoas de hidrocarbonetos que tanta tinta fizeram correr que, o ministro do Ambiente, Sócrates, se decidiu a prometer a descontaminação e até, se a memória não me falha, fez deslocar para o local todo um arsenal destinado a aparecer nos telejornais pois, no dia seguinte já tinha rumado a novas paragens. Bom, não querendo apontar decididamente o dedo à autarquia estranha-se o seu silêncio conivente com a situação, a sua passividade, o seu pouco empenhamento. Os hidrocarbonetos estão lá e ameaçam os lençóis freáticos, pareceria natural que a autarquia se mexesse em lugar de se desculpabilizar e apontar "para cima". Mas, falar deste e doutros problemas seria reconhecer que nem tudo vai bem ... por isso, caluda!

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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Parar o tempo

Longe, longe de qualquer interpretação que não a pura beleza da imagem... belíssima foto de Alain Sailer, publicada pelo Le Figaro. Uma imagem que quase nos faz acreditar que parar o tempo é possível.

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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

No Seixal, nada de novo


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É a democracia, é a vida! Na noite eleitoral ganhou a CDU –no concelho de Seixal- perderam todos os outros. Uns mais perdedores que outros dependendo das expectativas geradas. quanto maiores as expectativas maior a perda.

Mas, na minha particular perspectiva perdeu a democracia e a população do Seixal.

Perdeu a democracia porque em mais de trinta anos nunca houve alternância democrática e, a alternância é o sal da democracia. Sem ela, cai-se no imobilismo, no desinteresse. Os números da abstenção provam isso mesmo.

Perdeu a população do Seixal porque apesar do frenético “progresso” dos últimos meses, serão mais três anos de marasmo e, nesse tempo o Seixal continuará a ser um concelho de faz-de-conta e ,apesar de crescer, continuará a transformar-se num subúrbio de Lisboa onde o desenvolvimento sustentado é cada vez mais uma utopia.

A verdade é que na hora das eleições, muitas pessoas, apesar de tudo o que lemos, ouvimos e vemos preferem continuar a ignorar e decidem, não arriscar. Para o êxito da receita PCP/CDU muito contribuem as obras de última hora; os apoios, ainda que envergonhados, de muitos dirigentes associativos; e, claro está, a propaganda que o Boletim Municipal se encarrega de levar à casa de cada um dos municípes.

Para as oposições está relançado o desafio de, nos próximos quatro anos, encontrar novas formas de levar a mensagem aos eleitores e de lhes devolver a esperança que os faria participar com a convicção de que o voto de cada um pesa no resultado final.

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sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Não ir em cantigas....

Há algumas semanas, navegando à deriva entre redes vermelhas, deparei-me com este post, "Pão e Circo" de seu nome. Não posso evidentemente, apreciar da justiça das críticas que aí são feitas mas, transplantando para a nossa terra... o que vemos nós?

Desde logo na capa do Boletim Municipal derramam-se milhões em investimentos no parque escolar; nas páginas quatro e cinco, é o o capital derramado em nome do desporto que faz as manchetes; nas páginas 6, 7, 8 mais projectos, mais letras garrafais, mais milhões. Ora, todos estes projectos somados temos a bonita soma de c. de 18 milhões de euros. Muito dinheiro, sem dúvida, contudo, representa apenas uma magra fatia do orçamento municipal que neste mandato foi de aproximadamente 400 milhões. O que se poderia ter feito com tanto dinheiro?! E, o mais interessante é que, alguns destes milhões já antes encheram as páginas do mesmo Boletim e poderão sempre voltar a enchê-las, numa ilusão continuada.. tal como, aconteceu com o moinho de Corroios cuja abertura foi ciclicamente anunciada até que se concretizou na data azada, por sinal, a poucos dias das eleições.
Finalmente, depois de mostrar obras pelas quais desesperámos nos últimos quatro anos, chegamos ao capítulo festas e romarias: Seixalíadas, Madedeus, "pintura em grande formato" e ... Seixal Jazz.

De facto, de circo é que o meu povo gosta e, nem de propósito temos agora a "canção do Seixal"... sim, dois mil anos depois, os "artistas" mudaram mas o "pão e o circo" continuam a ganhar votos.
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Talvez seja esquisitice minha mas, não me parece curial a utilização de jovens de uma associação fortemente subsidiada pela câmara participarem da forma que o fazem num vídeo de cariz partidário.

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Imagens, imagens, imagens ...



Eis um video que esmiúça os cartazes de campanha das autárquicas... a não perder, aqui.

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Abrigo



Este projecto da autoria do arquitecto português (setubalense), David Mares, é um dos dez finalistas ao "Prémio do Povo", promovido pelo Museu Guggenheim, para o melhor abrigo.
Poderá vê-lo e votar, aqui.

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domingo, 20 de Setembro de 2009

Palavras que rimam: Espanha e campanha


Depois do debate Sócrates/Manuela, Portugal entrou nas notícias da vizinha Espanha. As novas da campanha lusa têm enchido as páginas do El País que (vamos lá saber porquê) adoptou Sócrates e o tenta levar ao colo (sabe-se lá para quê...). Em compensação, Manuela Ferreira Leite é descrita como "conservadora" e as suas reservas ao TGV são apoucadas sem que se refiram as razões que lhes estão subjacentes.
Em resumo, a forma como o El País tem tratado a campanha portuguesa para as legislativas dá razão a Manuela Ferreira Leite.
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Hoje dia de reflexão por estas bandas, o El Pais, publica mais um artigo em que Sócrates surge como favorito mas precisando de um parceiro:
"El candidato del BE, Francisco Louçà, dice estar preparado para gobernar, en un intento de demostrar que no dirige un partido que se dedica sólo a la contestación. Pero ha cerrado todas las puertas a un eventual gobierno de coalición con los socialistas si los resultados dan una mayoría a estos dos partidos. BE y PS se disputan buena parte del voto de la juventud, proclive a la abstención, especialmente de los 700.000 nuevos electores."

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As reBElações

via, Russian Caviars

"Francisco Louçã evitou esta manhã uma visita à área das bancas de peixe, no mercado municipal de Alcobaça, explicando depois que o fez porque rejeita a “dinâmica de espectáculo” e qualquer “forma de populismo”.
in, Público
Não se tratou de evitar pura e simplesmente o Mercado. Tratou-se de uma rejeição selectiva: peixaria, não. E é verdade, cada um vende o seu peixe a quem quer. Louçã não quer vendê-lo às peixeiras. Está no seu direito mas, trata-se de uma forma de discriminação. Vendedoras de frutas e legumes, sim. Peixeiras, não.
Mais curioso ainda. Louçã rejeita o "populismo". Quem diria?!
Para o BE, ontem, foi um dia de revelações. Até os PPR's saíram do armário dos esqueletos.
Por tudo isto não posso deixar de dedicar este post a Louçã. Pena que não tenho champagne...
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Por tudo isto e muito mais, compreende-se a posição do velho e "bonacheirão" Soares face ao sempre jovem e hirto Louçã.

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sábado, 19 de Setembro de 2009

Quanto custa o Boletim Municipal?

A julgar por este contrato que engloba tão somente a impressão de quatro números... é só fazer as contas... O custo da impressão do boletim da câmara do Seixal ronda os €170.000.00 / ano. É muito dinheiro para propaganda. E isto, é mais verdadeiro ainda se pensarmos que, em 2008, a câmara do Seixal gastou apenas €148.477.00 em habitação social. Apesar de existirem situações como esta:


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Claro está, que já nem falo dos contratos relativos à impressão (e apenas isso) da Agenda Municipal (ver aqui, aqui e aqui) que perfazem um total de €121.890.00...

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sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Ultrapassam os 500 000 ...

"O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 28,7 por cento em Agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e aumentou 1 por cento face a Julho, segundo os dados hoje divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)" in, Sol
Ora aqui estão dados verdadeiramente preocupantes, até porque, apesar do optimismo da aparente recuperação económica, o desemprego vai continuar a subir durante o próximo ano, prevendo-se que se mantenha em níveis elevados. Se as previsões económicas não se confirmarem o desemprego na OCDE poderá mesmo atingir 57 milhões de trabalhadores (650000, em Portugal ou seja, uma taxa de desemprego de quase 11,7%).

Discutir este problema sem cair na tentação das promessas e da demagogia é tarefa difícl até porque estamos em plena maré eleitoral. Já se percebeu que o desemprego será um dossier difícil na próxima legislatura. Governe quem governar, o desemprego estará em cima da mesa. Investimento público, incentivos `s PME's, formação profissional (adequada às exigências do mercado), apoio social aos desempregados... tudo questões a merecer uma ponderada reflexão.

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Aos tiros pela Amora

"Quando eles entraram aqui já era para o matar. Levou dois tiros mas ainda saiu pelo próprio pé. Pior foi um cliente meu, que nada tinha a ver com a guerra [de gangs, entre os bairros do Jamaica e da Quinta da Princesa] e também levou um tiro na zona lombar."
in, CM

Mais uma vez a Amora (Seixal) é notícia pelas piores razões. A rivalidade entre estes bairros não é nova, como explica a notícia mas, a frequência e a gravidade dos confrontos tem vindo a acentuar-se nos últimos tempos. Este deveria ser um tema de reflexão séria. Segurança, habitação, emprego, exclusão social ... o problema está mais do que diagnosticado. Num concelho, que nos querem fazer crer, que é "harmonioso" estes fenómenos (que não se limitam a estes dois bairros) são "uma pedra no sapato". A questão é, o que fazer?

A resposta, excede claramente as competências da autarquia contudo, o discurso de auto-satisfação, típico por estas paragens, não só não resolve nada, como adia para as calendas gregas a resolução dos problemas.

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quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Nas ondas da rádio



Entre cada mandato o Boletim Municipal vai alimentando mais ou menos discretamente a maré da propaganda. Disfarçado de informação "à séria" o Boletim Municipal vai mascarando a realidade e anestesiando municípes. Outra, vertente é a imprensa local particularmente, as rádios.

Ora, não deixa de ser curioso que a câmara do Seixal adquira em vésperas de eleições à Rádio Seixal e Rádio Baía (por €43.680.00 e €26.208.00, respectivamente) "serviços de difusão de informação, [e] acompanhamento jornalístico da actividade autárquica...". Os spots publicitários, já eram uma fatalidade mas, notícias?!...
Isto não será "comprar" informação? Não será tornar as Rádios "reféns" do poder municipal/PCP?

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quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Alfredo, sem medo?


Em vésperas de eleições a luta política acende-se. O Seixal não é excepção. Nos últimos dias têm vindo a público notícias que mostram o lado mais sombrio de um auto-proclamado concelho modelo. Tenho aqui escrito repetidas vezes que o Seixal do Boletim Municipal é tão real como um holograma. Harmonioso, arranjadinho, limpinho… Ora, quem aqui vive todos os dias sabe bem o que está para além das fotografias do regime.

Há algumas semanas, o candidato do PSD, Dr. Paulo Edson sugeriu que fosse feita uma auditoria às contas da câmara do Seixal. De facto, as notícias de hoje, as dúvidas sistematicamente levantadas ano após ano na certificação oficial de contas, a forma hermética como as contas são apresentadas, a ausência de respostas da autarquia às questões que lhe são dirigidas na Assembleia Municipal, as buscas da PJ ao gabinete do responsável financeiro da autarquia… tudo, contribui para tornar imprescindível e inadiável uma auditoria. Ora, sabendo que "quem não deve não teme", espera-se que a reacção do PCP seja a de saudar esta proposta, a bem da transparência.
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Notícias relacionadas:
Nota imprensa PSD; Visão; Diário Digital; Sapo Notícias; aeiou; RTP

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domingo, 6 de Setembro de 2009

Educar o povo


Entre as acesas discussões que a Lei Orgânica da Educação tem provocado, as manifestações anti-chavistas ou, a iminente distribuição da versão venezuelana do Magalhães (equipado com software livre), há uma realidade insofismável: o aumento do custo de vida.

A Venezuela importa 80% dos produtos de consumo e a subida dos preços tornou-se um pesadelo que está a forçar muitas famílias a alterar os seus hábitos de consumo.

No ano passado a inflação atingiu os 30%. Em 2009, segundo as optimistas projecções do governo andará pelos 26%. Os preços disparam vestuário, produtos de higiene pessoal, alimentação tudo se ressentiu.

Neste contexto é fácil entender a urgência do governo de Caracas em limitar a liberdade de expressão*. Controlar a educação e a informação são dois pilares fundamentais para qualquer ditadura, como Kim Jong Il poderia testemunhar. Para se manter no poder Chávez está a proceder à asfixia da sociedade venezuelana ,em simultâneo, os seus defensores utilizando uma linguagem que trai as raízes anti-democráticas do movimento “chavistatratam de tornar os opositores em não-pessoas, marcá-los com rótulos "estupidos", "bobos"... numa tentativa desesperada de assegurar o apoio "das massas" e procurar manter um simulacro de democracia representativa.

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· Em Julho passado, 34 estações de rádio que operavam “ilegalmente” foram encerradas agora, o ministro das Obras Públicas (e responsável pela Comissão Nacional de Telecomunicações), anunciou o fecho de um lote de mais 29. No total serão 240 rádios e 45 estações de televisão em risco de encerramento.

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Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és


Por uma vez estou de acordo:

"Mete nojo que ministros europeus se tenham deslocado à Libia para participar nas celebrações de 40 anos no poder do terrorista Kadhafi.
A presença de Luis Amado envergonhou-nos.
Não há interesses económicos ou outros que o justifiquem."
Ana Gomes
in, Causa Nossa
O facto de não sermos os únicos a estar presentes numa cerimónia onde se comemora os 40 anos de uma ditadura, e o facto de outros usarem argumentos humanitários para atingirem fins económicos, não deve fazer-nos esquecer a natureza intrínseca do poder na Líbia.
China, Angola, Arábia Saudita, Venezuela, Líbia ... tristes democracias, obrigadas a vergar-se perante os "interesses", esquecendo os Direitos Humanos, o pluralismo...

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Uma questão de holofotes

"O cenário parece saído de um país de terceiro mundo: quando o calor aperta em Lisboa, investigadores e técnicos de alguns laboratórios do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) trabalham sob temperaturas que por vezes ultrapassam os 35 graus, a transpirar debaixo de batas, luvas e máscaras. Há arcas frigoríficas que descongelam e equipamentos de diagnóstico que frequentemente dão erro por excesso de temperatura. O problema é denunciado por investigadores e técnicos do departamento de doenças infecciosas do Insa, cansados de reclamar uma solução para a situação que alegam poder pôr em causa a qualidade e fiabilidade dos resultados das análises." in, Públlico
Obviamente, trata-se de uma questão de prioridades. No país do modernismo "prá frentex" - que não se deve confundir com conservadorismos retrógrados-, as condições de trabalho dos investigadores e a qualidade da investigação não dão tempo de antena logo, não são prioritários. Sejamos claros, a distribuição de Magalhães, entre outras coisas, assegura que os nossos mui modernos governantes dispõem de um tempo quase ilimitado nas televisões, jornais nacionais e regionais ... tudo o resto fica oculto na penumbra. Quem se interessaria pelas condições de trabalho dos investigadores? Quantos minutos de televisão? Quantos parágrafos?

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sábado, 5 de Setembro de 2009

Uma alegre campanha ...





Em tempo de campanha, depois dos episódios mais ou menos risíveis da "estação tonta", depois do que aconteceu ao Jornal de 6ª... não poderia deixar de evocar esta enormidade (= enorme personalidade) política e cultural, o prefeito de Sucupira. Ouvindo o seu arengar às massas, as suas promessas, vendo a sua alegre campanha e testemunhando os seus métodos persuasivos aprende-se muito... não há dúvida, de que muitos fazedores de política neste país (eu, inclusivé) não perderam um episódio. Aqui fica para ilustração das gerações mais novas que não tiveram o privilégio de conviver com este político, sem dúvida um homem muito "prá frentemente"...
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Ora, nem de propósito...

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terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Gdansk, 70 anos depois


As capas dos jornais polacos que há 70 anos anunciavam o início das hostilidades. O fim da paz (podre) que reinava na Europa. O ataque do exército alemão à Polónia. Capas de jornais que incitavam à resistência em nome da liberdade, da independência e da honra. Dias depois seria a vez do exército vermelho invadir o território esmagando toda a esperança e tornando a Polónia vitima de dois totalitarismos.
Hoje, numa cerimónia em Gdansk os antigos inimigos encontraram-se para relembrar o passado e para falar do futuro. A este reencontro entre alemães, polacos, russos, ucranianos... não faltaram nem polémicas, nem pedidos de desculpa e promessas. Putin, escreveu uma "carta aos polacos" em que procura justificar o pacto Molotov-Ribbentrop tentando melhorar o relacionamento dos dois povos e acenando com a reconciliação no quadro de um mundo "democrático e multipolar". Ao mesmo tempo promete desclassificar o arquivo sobre o massacre dos oficiais polacos chacinados na floresta de Katyn, questão que os polacos levam muito a peito.

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A escolha


O líder da JS afirmou, hoje, que a "... drª Manuela Ferreira Leite faz-nos lembrar uma professora primária conservadora do antigamente, que passa raspanetes a quem dela discorda. Fala com os jovens como se estivesse a aplicar o Estatuto do Aluno no plano disciplinar".

A imagem foi mal escolhida por dois motivos. Em primeiro lugar, porque consta que a sra. minista MLR, começou por ser professora primária e só depois evoluiu... além disso, tem caracterizado a sua intervenção pelo tom azedo e enfastiado e, pelas cores sombrias que habitualmente enverga. Ela sim, parece uma professora do antigamente, o que quer que isso signifique. Mas há outra razão pela qual, Duarte Cordeiro, deveria ter hesitado antes de falar: tornou-se agora inevitável a comparação entre a professora competente e o aluno cábula. Esta comparação, não é favorável a Sócrates, do armário do anedotário nacional vão surgir esqueletos, piadolas de oportunidade sobre o diploma domingueiro, o inglês técnico e as casas de campo têm andado algo esquecidas agora, depois desta comparação, teremos toda a legitimidade para lembrar o que jazia semi-adormecido...

Já aqui escrevi que a estratégia do PS, parece assentar numa escolha simples entre um primeiro-ministro que nos quer convencer da sua auto-proclamada modernidade, num estilo "prá frentex" e, um PSD "pintado" como conservador, retrógrado. Ora, como todos já perceberam (até Pina Moura!) a escolha não é essa. A escolha está entre alguém que promete não importa o quê, com o objectivo único de manter o poder e, MFL que tem procurado pautar a sua intervenção por uma grande contenção e rigor, evitando prometer "mundos e fundos", num estilo contrário à política espectáculo.

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Novas deste país

Leio no CM, e não posso deixar de me rir: "Sócrates e Fátima Lopes vencem Sexy Platina"! Já só faltava Sócrates, o sex symbol...

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Ver passar os combóios

"Pôr empresas e dinheiro do Estado ao serviço dos interesses partidários é uma vergonha e uma indignidade. O Governo age como dono das empresas públicas, que não é, e paga a propaganda eleitoral socialista com dinheiro dos contribuintes, que não é seu. Trata-se de uma atitude escandalosa que não pode passar em claro", declarou o secretário-geral do PSD." In, Público
Dinheiro e poder eis, uma combinação de que dificilmente se escapa. Sobretudo se o poder é absoluto pois, já se sabe, de um saber de experiência feita que poder absoluto e abuso de poder são frequentemente duas faces da mesma moeda. E isto é tanto mais verdade quanto os eleitores tendem a ter uma atitude de "comer e calar". Existe uma censura pública sim, mas limita-se à conversa de café ou a uma troca de mails. Na hora de votar o infractor é, apesar de tudo o que se disse, premiado.

Este tipo de práticas é usado por gente de todos os quadrantes políticos. Mas, nem por isso é menos condenável. Esta prática vem de longe. Há muito que o PS vem utilizando páginas pagas de jornais diários para sob a aparência de "informação" fazer passar a sua mensagem. Nem vou falar da RTP ... nem do "situacionismo" patente em muitos artigos de opinião de pessoas que são interessadas na matéria e que como tal sob a capa de opinião só podem mesmo transmitir a "voz do dono".

Nas autarquias, temos (por exemplo) o caso do Seixal. O Boletim Municipal, mais não é do que um órgão de propaganda ao serviço da maioria comunista, como já escrevi vezes sem conta. Em vésperas de eleições não me admiraria que, à semelhança do que ocorreu no passado, sejamos surpreendidos nas próximas semanas com um encarte, num jornal ou semanário de prestígio., laudatório do município do Seixal. Mais, certamente a câmara do Seixal irá publicar mais uns folhetos (pagos com o dinheiro dos munícipes, claro está), profusamente ilustrados onde a "obra" será enaltecida pela enésima vez.

Os custos destes investimento propagandísticos são tudo menos claros. O mais que se consegue é a estimativa. Em certas matérias o poder não aprecia excessivamente a transparência... de qualquer forma, não basta aos cidadãos "dizer mal dos políticos", há que aumentar o grau de exigência, há que reprovar este tipo de comportamento venha ele de onde vier.

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segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Em nome de que Deus?

Leia aqui, a impressionante história do homem que queria votar.

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domingo, 30 de Agosto de 2009

Computadores na escola, a grande ilusão?

"... depuis 2001, le département [Landes] avait choisi d'équiper en ordinateurs portables et en logiciels pédagogiques l'ensemble des collégiens et des professeurs pour un investissement de 45 millions d'euros, hors coût de fonctionnement… Un test grandeur nature de l'efficacité des nouvelles technologies dans les classes. Huit ans plus tard, une étude commandée à la TNS Sofres et présentée au salon Ludovia, sorte d'université d'été de l'e-pédagogie, rend compte de l'appropriation des outils numériques par les élèves et leurs professeurs. Force est de constater que le bilan reste mince.
Premier constat, les collégiens se servent de leur ordinateur à 80 ou 90 % pour des activités ludiques, la raison principale étant que 6 professeurs sur 10 ne donnent pas de devoirs à la maison. Jeux pendant l'étude, téléchargement de films pornos… : la charte d'utilisation signée en début d'année se révèle une faible barrière. Quant aux recherches sur Internet, elles sont rarissimes." in, Le Figaro

As ilusões de progresso e modernidade por vezes não passam disso mesmo. Sócrates parece enfermar da visão ingénua de que as tecnologias são a solução milagrosa para todos os problemas. Por isso, a escolha entre a modernidade "prá frentex" de Sócrates e o suposto "conservadorismo retrógrado" de Ferreira Leite não é mais do que uma falácia semelhante às que se contavam às crianças que não queriam engolir a sopa.

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quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Interrogações


Pássaros, passarinhos, passarões e aves de arribação, não esquecendo, os famigerados patos bravos, claro. Estão todos aqui e aqui.

Mas, porque será que este distinto conjunto de espécies avícolas me faz lembrar o Seixal do nosso descontentamento?

O Seixal das mil promessas por cumprir?

O Seixal do betão?

O Seixal do deficit democrático?

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quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

A música de Cohen

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terça-feira, 25 de Agosto de 2009

"Veludo vermelho"



Mais uma vez a insegurança é notícia no Seixal:
"Muitos dos moradores da Quinta da Princesa, no Seixal, onde esta noite houve confrontos e troca de tiros entre alguns residentes e a PSP, queixam-se que a polícia intervém neste bairro problemático de forma “racista” e discriminatória”. Neste momento, vários elementos das forças de segurança permanecem no local para assegurar a manutenção da calma, mas a população entende que é a polícia quem provoca e inicia os desacatos.
Uma versão diferente da defendida pela PSP que, em comunicado, explica que foi recebida na passada madrugada “com pedradas e um cocktail molotov”, acabando por trocar tiros com os desordeiros. De acordo com a mesma fonte, os elementos foram chamados ao local depois de ter sido dado um alerta para um incêndio em duas viaturas e em alguns caixotes do lixo. [...]in, Público
Olhando para o concelho de Seixal, tal como nos é apresentado pelo Boletim Municipal, e comparando com os factos que todos os dias enchem as páginas dos jornais nacionais onde cada vez mais o Seixal é protagonista de diversos episódios de violência não posso deixar de pensar no já velho filme (1986) de David Lynch, "Blue Velvet", onde sob a capa da harmonia se escondia uma realidade profundamente violenta.
O ritmo dos acontecimentos e o crescendo de violência que têm implicado não podem deixar de nos fazer reflectir sobre o verdadeiro Seixal. Um Seixal, onde a habitação, a acção social, a segurança, a educação são meros instrumentos de propaganda política sem substância.
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A ler: DN, CM.
E de novo no DN

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