terça-feira, 31 de março de 2009

Algo vai mal...


Vive-se um clima estranho, por estes dias em Portugal: a crise, a crispação, a desconfiança nas instituições, a maioria autista que nos governa, uma Justiça que se desacredita a cada dia que passa, uma "campanha negra" que se insinua, uma cabala ... tudo isto contribui para que Portugal se transforme no país do nosso descontentamento. Entre os sinais mais preocupantes as recentes (ou, talvez não) notícias sobre as pressões sobre o sistema judicial. Há muito que o "homem da rua" tinha as suas dúvidas sobre a Justiça mas, tinha havido o sentido de Estado, agora, até esse decoro se perdeu. Sem pretender ser exaustiva vou apenas relembrar as declarações de Pinto Monteiro relativamente à possibilidade de ter o seu telefone sob escuta; as preocupações dos juízes relativamente ao novo sistema informático do Ministério da Justiça (Citius-MJ); o facto de as decisões judiciais num Estado de direito poderem cair em "saco-roto" levando inclusivé os tribunais a condenar a Ministra da Educação por incumprimento de sentença judicial (mais recentemente, as infelizes declarações de Valter Lemos ameaçando os sindicatos, quando confrontado com mais uma decisão judicial que contraria as directivas do ME) e, finalmente as alegadas pressões sobre os magistrados no caso Freeport... se, a isto somarmos os casos de violência ocorridos dentro dos tribunais ou, à sua porta temos um quadro deveras preocupante pois, se a Justiça é um dos pilares da democracia algo vai muito mal em Portugal...

Acreditar

Eu não acredito em bruxas "...pero que las hay las hay" e, este é um daqueles casos... aliás, a crer na notícia não sou a única a pensar assim...

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Doutor Jivago"



Morreu Maurice Jarre, o músico que marcou o cinema com as bandas sonoras de filmes como "Doutor Jivago", "Laurence da Arábia" e "Paris, já está a arder?".
Podemos vê-lo, aqui, a conduzir a orquestra em 1992.

As perguntas de ...



"Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport? Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi? Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido?"

Estas, e outras muitas perguntas para ler no JN

domingo, 29 de março de 2009

À beira de um ataque de nervos?





















O caso Freeport, esteve engavetado anos. Agora, como se do génio da lâmpada se tratasse saiu da gaveta e está a fazer estragos. A imagem do primeiro-ministro, arde em lume nem sempre brando, criando um clima de suspeição difícil de suportar, por isso, as notícias que dão conta de "pressões para arquivar", só podem ser desvantajosas para José Sócrates.
Por entre os apelos a que a Justiça chegue rapidamente a conclusões [aqui, aqui e, aqui] e as certezas de alguns de que "nenhum membro do governo está indiciado ou sob investigação" o arquivamento do caso seria o golpe de misericórdia na confiança que os portugueses depositam nas instituições.
Arquivar o processo seria revelador de que alguém está à beira de um ataque de nervos...
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Actualização: ... e de novo nas capas dos jornais de hoje ... e ainda no Público...

Mais dos mesmos


Ano após ano a mesma fórmula. Caras, discurso, propaganda tudo se repete ciclicamente, de eleição para eleição. O concelho do Seixal parece condenado a viver um dejá vue.
Assim, se poderia definir a apresentação dos candidatos da CDU [PCP] para as autárquicas no concelho de Seixal. A lista, espelha bem o conservadorismo do partido comunista que teme que as mais ténues mudanças tenham reflexos negativos numa clientela fiel - há pois, que manter as mesmas caras a todo o custo, nem que para isso seja necessário engolir sapos como acontece em Fernão Ferro.
Para o PCP [CDU], está oficialmente aberta a época da caça ao voto. A partir de agora, tudo é legítimo: encartes em jornais nacionais, fotografias, promessas, inaugurações, aniversários, almoços e jantares, encontros com a população... os autarcas vão andar num virote, não olhando a meios, para conservarem o poder.
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Sobre este tema veja também Juventude Seixal e Pensar Seixal.

sábado, 28 de março de 2009

Escandâlo Madoff ....



... explicado às criancinhas.

Outras sugestões para programas igualmente educativos: BPN explicado às criancinhas e, last but not least, Freeport...

Ainda sem resposta

fonte: EPER relatório de 2004

O PSD do Seixal, apresentou uma moção, em 19 de Novembro de 2007 onde questionava a câmara do Seixal sobre a contaminação do solo, água e ar nos terrenos da Siderurgia Nacional.
Eis, as perguntas que ainda não obtiveram resposta:

1- Qual a quantidade de depósitos orgânicos descarregados na água, actualmente?

2- O que foi/ está a ser feito para impedir a contaminação do ar na área de Paio Pires?

3- O que está a ser feito para impedir a propagação de partículas na atmosfera STP/SPM (vulgo, pó)?

4- Qual a evolução havida relativamente aos óxidos de azoto?

5- Quais as garantias dadas relativamente à inocuidade das sucatas radioactivas e quais os procedimentos que se estão a observar para salvaguardart eventuais riscos para a saúde pública?

6- Existem ou não estudos sobre os efeitos que a exposição prolongada a todo este conjunto de poluentes teve/tem para a população do concelho, particularmente, para a população das freguesias de Paio Pires, Arrentela e Seixal.

7- No contexto dos projectos que se anunciam para esta área, como se irá proceder à descontaminação dos solos e da Lagoa da Palmeira?

Perguntas pertinentes que continuam no ar e que ninguém parece muito interessado em responder.
Sobre o mesmo tema veja aqui, e aqui.


A imagem do vencedor



A imagem de Obama vende. Na Rússia, na Alemanha, nos EUA... E no entanto, os produtos anunciados sob o signo Obama lançam frequentemente a discussão o racismo a eles inerente. É o caso dos gelados que na Rússia foram lançados com o slogan "Em todas as bocas: preto por fora, branco por dentro" ou, destes "dedinhos de Obama" à venda na Alemanha. Nos EUA, para além das T-shirts, bonés e outros acessórios até, a marca de mobiliário IKEA, aproveitou a imagem ganhadora do presidente.

Ser ou não ser ... corrupto


"Charles Smith: O primeiro-ministro, o ministro do Ambiente é corrupto.
Alan Perkins: Quando tudo estava a ser construído qual era a posição dele?
Charles Smith: Este tipo, Sócrates, no final de Fevereiro, Março de 2002, estava no Governo. Era ministro do Ambiente. Ele é o tipo que aprovou este projecto. Ele aprovou na última semana do mandato, dos quatro anos. Em primeiro lugar, foi suspeito que ele o tenha aprovado no último dia do cargo... E não foi por dinheiro na altura, entende?Isto foi mesmo ser estúpido..." in, TVI24

«No que me diz respeito, essas afirmações são completamente falsas, inventadas e injuriosas.
Reafirmo, mais uma vez, que não conheço o Sr. Charles Smith, nem nenhum dos promotores do empreendimento Freeport», disse José Sócrates. [...] «Dei já orientação ao meu advogado para agir judicialmente contra os autores desta difamação»..." in, TVI24
A TVI, tem revelado uma capacidade para fazer jornalismo de investigação que é rara nos tempos que correm. Não gostando especialmente, do estilo Manuela Moura Guedes, reconheço, à TVI, frontalidade e coragem, coisa que tem faltado em muitos órgãos de comunicação social. O teor da conversa hoje revelado é de interesse público inegável - o que não lhe confere imediata autenticidade - embora, não acrescente nada de novo. Deu, simplesmente, voz a uma conversa de que todos falavam mas, de que ninguém tinha conhecimento. E nessa conversa são levantadas suspeitas muito graves quanto à pessoa do primeiro ministro...

Campanha negra ou, não as questões incómodas em torno do caso Freeport não param e, ameaçam tornar-se numa bola de neve em véspera de eleições.
De facto, se não houver um célere e cabal esclarecimento dos factos pode estar em jogo mais do que uma maioria ou, uma vitória nas urnas. Por isso, com DVD ou sem ele, será bom que a Justiça apure a verdade dos factos, doa a quem doer.
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"Manuela Ferreira Leite, defendeu hoje que "a sucessão de factos" sobre o caso Freeport "torna premente, para bem do sistema judicial e para bem da democracia, que este assunto seja esclarecido e bem esclarecido rapidamente". in, Público
...e ainda...

Mah-Na Mah-Na



Ora, aqui está aquilo a que se pode chamar um clássico... :)

quinta-feira, 26 de março de 2009

ME, ao serviço do PS?


"O Jornal de Notícias publica semanalmente um texto apologético sobre os feitos do Ministério da Educação. São textos redigidos e pagos pelo Ministério e publicados na primeira página do caderno de "Classificados" do JN."
Leia texto na ítegra, aqui.

Comprar o Magalhães na Feira...

"O computador Magalhães é entregue aos alunos do primeiro ciclo em regime de propriedade plena, mas alguns professores já alertaram para casos em que os portáteis podem já não estar com as crianças, e ter sido cedidos ou até vendidos. [...]
A factura do Magalhães deveria ser totalmente paga pelas operadoras, mas depois de estas reclamarem que as verbas destinadas à Sociedade de Informação não seriam suficientes para cobrir os dois programas abrangidos ("e-escolinha" e "e-escola") o ministro Mário Lino, em entrevista publicada em Novembro, garantiu que se a situação se confirmasse "o Estado terá de colmatar a parte que faltar". in, Público
Realmente, com o Magalhães "cada cavadela sua minhoca" e, sem ter sequer a ilusão de alumiar aqui todas as minhocas vejamos as que se me prenderam na memória:
- não houve concurso público, a encomenda foi feita por ajuste directo...
- a distribuição dos Magalhães deveria já estar concluída mas, ainda faltam cerca de 100 mil;
- houve distribuição de computadores "na hora" da visita ministerial e ... "recolher obrigatório", dos ditos, logo depois;
- pretendeu-se que fossem as autarquias a pagar acesso à internet;
- os errozitos de português, no jogo didáctico, passaram sem que ninguém se apercebesse até que alguém gritou, "o Magalhães tem erros!"aí, alvoraçou-se a 5 de Outubro e, surgiu milagrosa a solução do problema que passará mais uma vez pelos professores...
- agora, o Magalhães passou para o mercado negro...

Se soubessem história, não teriam escolhido o nome de Magalhães para o computador, já no seu tempo. Fernão de Magalhães. deu muitas dores de cabeça ao rei de Portugal, já no seu tempo correram boatos sobre a forma, menos transparente, como teria dividido os proventos de uma das suas expedições... por isso, acabou por entrar ao serviço do rei de Espanha... claro, que o Ministério da Educação não sabe de nada...

quarta-feira, 25 de março de 2009

X [erox] files (2)

The Land of Far Beyond
Birds of the Open Florest Dawn Series
Wild Flowers
via, Su Blackwell

Percebo claramente o embaraço político da Sra. Ministra. Afinal, ninguém poderia supor, imaginar sequer...
“Em 2005, não tinha nenhum elemento que me permitisse concluir, como aqui é hoje concluído pelo deputado Emídio Guerreiro, que o dr. João Pedroso é um incumpridor nato”, afirmou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. in, Público
E agora, Sra. Ministra, o que fazer com as fotocópias? Resmas delas?!
Se V.Exa., me permite a ousadia, eu tenho uma sugestão.Transformar as malditas fotocópias em obras de arte. Sim, porque já ficaram para a história como uma refinada trafulhice, quase ao nível de Alves dos Reis... poderia agora entrar também nos anais da arte decorativa, é que tanta fotocópia, tanto papel poderia ser reciclado e transformado em papel esculpido, à imagem e semelhança dos exemplos que, aqui, deixo.
Assim, embora não possa deixar de considerar que "tarde se arrepende quem muito (300 000€!) despende", poderia V.Exa. afirmar doravante que "há males que vêm por bem" ... e que do engano nasceu a arte e que das fotocópias se fez ... poesia visual!

terça-feira, 24 de março de 2009

Reformar a maior prisão do mundo

Xu Gengrong, 19 anos, morto na prisão
"O número de pessoas que foram mortas na execução de penas capitais aumentou para quase o dobro em 2008 – sete a cada dia que passou – mas o número de países que adoptam esta sentença é cada vez menor, revela a Amnistia Internacional em relatório hoje publicado..."
Os terríveis números da pena de morte foram divulgados hoje mas, são as execuções extra-judiciais que mais matam dentro e fora das prisões.
Interessante artigo do China Daily, sobre o tema das prisões chinesas e a necessidade de as reformar, aqui.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Música intemporal



Louis Armstrong - What a wonderful world

Arquitectura esdrúxula (11)

Edifício ananás

Este ananás pantagruelesco, de fibra de vidro, com 16 metros de altura, tem atraído desde 1971, milhões de visitantes à Costa do Sol em Queensland (Austrália) .

Mapa da crise económica na Europa

Como é que a crise económica está a afectar a Europa?
Clicando no mapa interactivo pode descobrir o déficit, os números do desemprego, a dívida externa e o crescimento económico de cada um dos países da UE por trimestre. Um exercício de comparação muito interessante.
... e ainda a crise económica...

sábado, 21 de março de 2009

A voz do dono


O Boletim Municipal comemora 500 edições e, ao seu melhor estilo, tratou de apregoar os seus "34 anos de informação..." Informação? Propaganda!

Na capa do celebrado nº 500, uma cópia do nº.º1 e o seu Editorial. Curioso verificar o que é dito neste Editorial, cujas letras minúsculas dificultam em extremo a tarefa. Três perguntas muito pertinentes, a que o editorialista, responde de forma quase ingénua: "Porquê um Boletim Municipal? Para quem? Por quem?". A estas três questões importantíssimas eu, acrescentaria uma quarta: Por quanto?

O Boletim Municipal, é como outros que por aí andam, uma forma de a pretexto de informação se fazer passar a mensagem de que "nós somos, indiscutivelmente, os melhores". Os Boletins (e revistas) municipais são fingidores que fazem passar por informação, a propaganda do poder (de todas as cores) instalado.

O que o Boletim Municipal tem de mais interessante é, que se transformou aos poucos num imenso mausoléu de promessas não cumpridas, numa câmara ardente de projectos que se anunciam sucessivamente até ao dia em que sendo inaugurados ganham vida ou, se apagam sem "quê nem porquê". Tantos projectos aprovadinhos e prontos a implementar. Tantas boas ideias. Tanto dinheiro distribuído para, em ano de eleições apaziguar as hostes à boa maneira romana. Haja pão e circo, que o poder se conservará.

Com recurso às novas tecnologias o Boletim Municipal tínhasse tornado num instrumento para quantos quisessem aferir da obra do PCP na câmara do Seixal. Claro, que isto não era conveniente e, houve que encontrar um expediente para dificultar. E eis, que no mui celebrado Seixal digital, se descobriu o pdf!

34 anos e o Boletim Municipal não tem director conhecido ora, não o tendo, não tem estuto editorial ou, seja, limita-se a fazer ouvir "a voz do dono". Curiosamente, também não se lhe conhecem jornalistas, redactores ... nada. Aparece feito por encanto. Obviamente, que neste Boletim Municipal não há direito de resposta, nem pluralidade de informação, nem é assegurado o serviço público. Limita-se a bradar aos sete ventos investimentos, inaugurações, limpezas e asfaltamentos. Um Plano de Pormenor está para consulta pública? Caluda! Houve uma voz dissonante na Sessão de Câmara? Impensável. Uma moção polémica na Assembleia Municipal? Silencie-se. A data e hora da realização das Assembleias de Freguesia. Ignore-se. Vereadores da oposição presentes em cerimónia? Sempre que possível em terceiríssimo plano e desfocados de preferência. Com tudo isto, é óbvio que este Boletim (tal como outras publicações das autarquias deste concelho) não obedece aos requistos exigidos pela directiva da ERC para as publicações periódicas autárquicas.

Há uma outra questão que a Câmara do Seixal tem tomado todas as precauções para não ser obrigada a responder: Por quanto? Em lado nenhum, de forma explícita surgem as continhas desta publicação que aparecem encapotadas em variadas rubricas, escondidas no bolo geral e, portanto, o mais que se pode fazer são estimativas. Mas, um publicação quinzenal, com 24 páginas, todas a cores, com um grafismo cuidado e 65 000 exemplares corresponde anualmente a um investimento de centenas de milhares de euros. É só fazer as contas*...
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Em Fernão Ferro, existe uma espécie de série Z do boletim municipal:
Assim, a Nota Informativa n.º1/2009, inicia-se sob o pomposo título "Fernão Ferro uma freguesia imparável em tempos de crise", para anunciar entre muitas e desvairadas coisas: placas toponímicas; limpesa [sic] de bermas e passeios; antena de comunicações; ... IC-32 - Crips- Circular Regional Interna da Península de Setúbal?!!... Só não percebi porque razão não mencionam também o TGV e, já agora, o aeroporto de Alcochete, porque não?
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* A Revolta das Laranjas fez as contas : 400. 000 € anuais sem contar com pessoal (já que não existe um quadro de pessoal) nem com outras publicações da CMS... vejam só, o que se poderia fazer com esse dinheiro!

Xeque mate!



A violência, toma muitas vezes conta dos espaços desportivos. Felizmente, aqui, isso não acontece... :)

Ambiente versus Economia (2)

Ver infografia do projecto
Ver Relatório do Projecto do Arco Ribeirinho [Confidential Draft]

"Hidrocarbonetos, metais vários, cianetos, amónio, benzeno – a lista estende-se ainda por mais uns quantos símbolos químicos de substâncias perigosas e altamente poluentes. E estão descritas num estudo da consultora FBO, a que o SOL teve acesso, sobre a qualidade dos terrenos da antiga Siderurgia Nacional, na margem sul do Tejo.

A contaminação chega às águas subterrâneas, segundo este estudo de 2003 – o último levantamento independente feito à zona – que identificou cerca de 1.350 milhões de toneladas de resíduos acumulados naqueles terrenos, em particular nos que são referidos como «Vazadouro III».

É precisamente aqui que está previsto construir uma parte da nova área residencial «para casais jovens e de meia-idade», integrada no novo megaprojecto do Governo para o Arco Ribeirinho Sul – uma 'megapolis' que abrange os cerca de mil hectares das antigas zonas industrias do Seixal, Barreiro e Almada, e que constituirá a futura cidade aeroportuária."
in, Sol

No seu requerimento ao Ministério do Ambiente, o deputado Luís Rodrigues, pretendia que a proposta do Plano Estratégico do Arco Ribeirinho Sul fosse tornada pública. Mas, neste como noutros casos, a informação é cuidadosamente gerida para evitar ondas de choque... inconvenientes em qualquer bom negócio.

Já seria preocupante se uma entidade privada o fizesse mas, o Estado? Numa situação em que pode estar em causa a saúde pública, "abafar" o teor das conclusões deste estudo poderá revelar-se criminoso. Mais, é certo que as autarquias vêem neste projecto um meio para aumentarem as suas receitas mas, estarão dispostas a arriscar o bem-estar das populações, de forma acéfala?

A questão que se impõe é a de saber, em que medida, é possível descontaminar a curto prazo estes solos e, se tantos resíduos perigosos (no solo/ em suspensão no ar) podem ser descartados enquanto ameaça para a saúde pública. Poderíamos ainda colocar outras questões: como a de saber qual o impacto que uma decisão destas terá para os trabalhadores das indústrias transformadores aí existentes; ou, se a construção de uma "megapolis" (literalmente "grande cidade"), numa área de grande densidade populacional é sensata. Mas, estas e outras questões tornam-se menores, face aos dados do estudo.


sexta-feira, 20 de março de 2009

Ambiente versus Economia

"É importante conhecer as opções estratégicas do Governo para estas áreas industriais, nomeadamente quanto à manutenção ou deslocalização das industrias pesadas da antiga Siderurgia Nacional.
Será que o Governo pretende construir novas urbanizações (habitação) em locais altamente contaminados, nomeadamente o vazadouro III da SN? Esta eventual opção do Governo de construção mais habitação na margem sul em detrimento de industrias estratégicas de âmbito nacional? Será que as autarquias envolvidas aceitam acabar com centenas de postos de trabalho da indústria transformadora que geram riqueza?
Para que o debate sobre a orientação estratégica deste vasto território no centro da Área Metropolitana de Lisboa se realize é importante que o Plano Estratégico seja público."
Texto integral do requerimento apresentado pelo deputado Luís Rodrigues
, aqui.
Estas questões surgem na sequência das conclusões (parcialmente publicadas) do grupo de trabalho encarregue de estudar o relançamento do projecto integrado de requalificação e revitalização das grandes áreas industriais localizadas na margem esquerda do Rio Tejo, nomeadamente da Margueira (antiga Lisnave), em Almada, da Siderurgia Nacional, no Seixal, e da Quimiparque no Barreiro.
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... há silêncios que valem ouro:
"os dados resultantes da acção de erradicação são pertença do segundo outorgante [AFN], não podendo ser utilizados para qualquer outro fim que não o relato dos resultados à mesma, a não ser mediante solicitação e respectiva autorização escrita do mesmo segundo outorgante" in, Público
... e determinanções que esmorecem:
"O Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) preparou uma proposta para classificar o eucalipto" mas, "há cerca de um mês abandonou a proposta sem revelar os motivos..." in, Público

quinta-feira, 19 de março de 2009

Outras sonoridades



Concerto de Ravi Shankar e sua filha Anoushka Shankar.



Cumplicidades

"The reality of the financial crisis is that it was caused by a culture of complicity. That makes it so difficult for people to come to grips with it, especially for people who were involved, who were denying it themselves and who were partially aware of the extent of the damage. Probably many of them thought they would get away with it and now they realize that they have created an enormous slump."
Entrevista com James Galbraith in, Der Spiegel
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Criado imposto de 90 por cento sobre os bónus recebidos por executivos de instituições ajudadas pelo Governo norte-americano ...

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"Segundo José Sócrates é preciso tomar medidas concretas que possibilitem uma maior regulação, supervisão e transparência dos mercados financeiros, acusados de serem os responsáveis pela crise actual." in, Público

... atendendo a tudo o que tem sido publicado sobre as "benditas" off shores e, sobre as dúvidas que têm ensombrado o sector bancário poderemos mesmo dizer que, no que aos paraísos fiscais e à supervisão bancária, diz respeito "... bem prega Frei Tomás faz o que ele diz ..."

quarta-feira, 18 de março de 2009

Internet, espaço de liberdade ...


Celebrou-se no passado dia 12 de Março o dia para Liberdade na Internet. Por todo o mundo a tentação para controlar o ciber-espaço é grande. Nestes primeiros anos a liberdade dos cibernautas tem beneficiado de quadros jurídicos desadequados mas, as autoridades judiciais e políticas recorrem cada vez com maior frequência às leis anti-terroristas para vigiar e controlar as actividades de cidadãos, jornalistas, dissidentes e opositores...

Os estados autoritários têm vindo a aumentar a censura bloqueando o acesso a determinados sites, criando uma ciber-polícia, julgando e condenando os cibernautas.

Mas, não são só os estados. Olhando para o "nosso umbigo" vejamos o efeito que a proliferação de blogues tem tido no poder autárquico no Seixal. Veja-se, como os blogues, pró e contra o poder instalado se têm substituído à comunicação institucional (leia-se, Boletim Municipal). Veja-se como, os blogues e a facilidade de acesso à informação, criaram uma nova apetência por informação num concelho onde a imprensa local estava completamente adormecida (em coma? morta?).
Atente-se, na preocupação de desacreditar autores rotulados como "mentirosos" ou "desejosos de protagonismo".
Imagine-se, que num concelho de "partido único" (no sentido em que o poder é ocupado há mais de três décadas pelo PCP), as oposições encontram nos blogues [Revolta das Laranjas, Rumo a Bombordo] a sua forma de comunicar com os munícipes rompendo o cordão que tinha sido erguido em seu redor. I
Sublinhe-se, a preocupação totalitária do poder quando descobre que cidadãos independentes de partidos, têm opinião, opinam e são lidos.
Constate-se, que tendo consciência de que apenas um pequeno número de munícipes usufrui desta nova ferramenta de comunicação, mesmo assim há uma preocupação obsessiva por parte do poder (e daqueles que o defendem com "unhas e teclado") em seguir a par e passo os posts, os comentários e, aparentemente até, imagine-se, os próprios autores ...
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Outros blogues sobre o concelho encontram-se elencados nas "Paragens Irresistíveis". Um apontamento, apenas, para um novo e interessante blogue, o "Para melhor Fernão Ferro".

O das duas caras

Passava-se isto antes do feijão frade ter entrado, pela primeira vez, nos tachos dos europeus...

Portunes ou Janus, o deus romano das duas caras, era o deus das portas/portos (da entrada e da saída), do passado e do futuro. Poderia parecer que Janus era um deus menor mas, não. O seu templo situa-se no coração da Roma antiga perto do porto Tiberinus. A sua festa celebrava-se em meados de Agosto e, designava-se por Portumnalia.
Permito-se salientar que as semelhanças entre a palavra latina "Portunes" e a palavra "Portugal" não são mera coincidência. Foi o primitivo nome da cidade do Porto [Cale] que deu origem à palavra "Portugal".
Curioso ainda notar o quão relevante para a nossa história e identidade tem sido a presença do mar, dos portos, a nossa vocação de porta de entrada/saída da Europa e, o quanto isto contribuiu para que um pequeno país periférico se tivesse tornado numa verdadeira plataforma de informação/conhecimento/comunicação nos finais da Idade (dita) Média.

Regressando ao presente, Sócrates acusou o PSD de "ter duas caras". Ora, se neste país há alguém com duas caras(ou até com quatro, como o próprio Portunes) é Sócrates e, o seu governo. Todos já perceberam que entre os anúncios rosa e uma realidade cada vez mais cinzenta, existe uma indesmentível dualidade.
Mais uma vez, hoje, no parlamento, Sócrates anunciou medidas para ajudar as famílias mas, no ar ficaram um sem número de interrogações. Os títulos dos jornais de amanhã estão garantidos, a sua aplicação fica para as calendas gregas.

terça-feira, 17 de março de 2009

Naufrágio de um narco-estado ou...

Funeral de Nino Vieira, 10 de Março. via AFP

.... crónica de uma morte anunciada?

O inquérito oficial ainda não começou mas, os cartéis sul-americanos da droga parecem estar implicados no duplo homicídio do presidente e do responsável do exército guineense... a ler, aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2009

X [erox] files


Ver estas imagens de utensílios de cozinha renascentista um dia depois de se ter sabido a exorbitância da soma (290 000 € !) que João Pedroso recebeu, por meia centena de pastas cheias de fotocópias. Fotocópias? A meio do célebre "plano tecnológico"? João Pedroso deveria, no mínimo, ter convertido tudo em pdf, ocupava menos espaço, dava menos nas vistas, poderia ser que se perdesse nas gavetas do ministério e ... já não haveria notícia.
A fundamentação da contratação, “exigência técnica dos trabalhos, complexidade das tarefas, qualidade estipulada e recursos humanos e materiais a alocar às diferentes actividades” não se coaduna com a compilação de fotocópias que existem em qualquer repartição pública. Nos dias de hoje, tantas fotocópias só podem servir para, nada! O Ministério de Lurdes Rodrigues pagou 290000 €, para nada!Por isso...

Que dizer?? Poderia falar dos "jobs for the boys" mas, mais do que isso, é o país que está a saque.

domingo, 15 de março de 2009

A revolta da classe média


Não é só em Portugal que a classe média se está a sentir esmigalhada. Alguém pensa que este facto não terá consequências políticas?

The middle class – at least in Germany – is shrinking now. This is a completely new situation for Germany. You have much more upward mobility and downward mobility from the middle class. I assume that the financial crisis will accelerate the process,” notes Stefan Hradil, a German sociologist.
in, Financial Times

"As Britain’s economy slows, the gloom felt by its middle class has led to the acquisition of a new label: the coping class. [...]
...“coping class” implies dissatisfaction with a government that, over the past decade, succeeded in securing the support of large parts of the middle class – not least because of the economic prosperity it enjoyed."
in, Financial Times
A expressão "coping class" tomou conta dos media ingleses. Como traduzi-la? A classe que aguenta, que arrosta com a crise. "Classe dos mantenedores", é a tradução que proponho.
"Mantenedores", porque essa era a designação que, em português medieval, era dada aos que não sendo da nobreza ("defensores"), nem do clero ("oradores") pagavam impostos. Mantenedores porque são eles que por um lado mantêm/asseguram a receita do Estado, e por outro lado procuram manter o seu poder de compra. No contexto de recessão as finanças públicas precisam de gerar mais receitas para acudir aos pacotes de emergência e controlar despesas e, fazem-no à custa, sobretudo, da classe médial. Assim, a classe média vê não só reduzido o seu poder de compra, como também, as suas regalias sociais e, até o seu emprego está ameaçado. Os mantenedores, têm todas as razões para estarem insatisfeitos com o estado das economias e, naturalmente, vão procurar punir os responsáveis políticos pela situação a que se chegou. É o que está a acontecer por toda a Europa com os partidos que estão no poder a ser o alvo, natural, do descontentamento: Alemanha, Inglaterra,França, Espanha...

Os quatro anos da governação socrática não diminuíram as vulnerabilidades da economia portuguesa, nem aliviaram o esforço que a classe média já vinha fazendo, antes pelo contrário pois, diabolizaram-se determinadas categorias profissionais tornando-as no "bode expiatório" das insuficiências do próprio Estado e, erodiu-se o seu prestígio social/profissional. Ou seja, quatro anos de governação socrática representaram para os mantenedores perda de poder de compra, perda de regalias sociais, perda de prestígio profissional/social.
O descontentamento só pode ser enorme.
Em Portugal, este descontentamento com o poder tem um alvo: o PS de José Sócrates. Reflicta-se na dimensão (quantitativa e política) da manifestação que encheu as ruas de Lisboa e que certamente resultou de algo bem mais profundo do que a simples manipulação da CGTP. Repare-se no surgimento de movimentos independentes e na sua campanha para "Não Votar PS". Só as sondagems parecem não reflectir ainda, com clareza, essa realidade.
O nível de insatisfação era grande, tornou-se maior e continuará a crescer com a crise e com a incapacidade que o governo tem demostradode de encontrar outras soluções que não "malhar" nos mesmos. Pela primeira vez, em décadas, a classe média deixou de estar optimista. E isso terá um custo político.

sábado, 14 de março de 2009

Onde estão os números?


"... o secretário-geral de Segurança Interna decidiu acelerar a entrega do relatório ao Parlamento e não vai esperar pelos dados da Educação sobre violência nas escolas.
[...]o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) [2007] teve um capítulo dedicado à "Escola Segura", onde se juntaram os números registados pela Educação, de casos ocorridos no interior das escolas, com os das Forças de Segurança, que tinham os crimes no espaço exterior.
Este ano, contudo, sem que a Educação tivesse apresentado qualquer motivo, estas estatísticas não foram ainda divulgadas."
in, Diário de Notícias
Porque será??

A desconfiança relativamente às forças de segurança e à justiça leva a que muitos crimes fiquem sem a devida participação e, se isto é verdade para a generalidade das situações, ainda é mais verdade para os casos ocorridos dentro da escola. Assistimos a um recrudescer dos casos de violência na escola que não tem sido reflectido pelas estatísticas. De facto, em muitos casos a ausência de queixa resulta mais da banalização da violência e do medo, do que da desconfiança relativamente às autoridades (professores, Escola Segura) . Entre muitos os conselhos executivos impera uma teimosa determinação em resolver os problemas dentro da escola, de forma que a ela não se cole o rótulo de "insegura", este mascarar da situação adia a resolução dos problemas e beneficia os infractores. Exemplar deste estado de espírito é o protelar deliberado da participação às entidades competentes, inclusivé, em casos que envolvem armas de fogo.
A mediatização de casos de violência no recinto escolar tem levado a que professores, alunos e, encarregados de educação, tenham maior consciência dos seus direitos e, a que o "abafamento" das situações seja cada vez mais difícil, o poderá ter tido reflexos nas estatísticas por isso, jogam-se os incómodos números para debaixo do tapete.
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"... Ministério da Educação diz que os dados estão a ser trabalhados ..."
in Público
O que significa isso em politiquês? Mascarados, maquilhados, torturados para se apresentarem com melhor aspecto?
Os números deveriam ser apresentados, simplesmente.
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Certo é que o aumento de 10,7% do crime violento crime e de 7,5% da criminalidade geral, estragam qualquer intervalo publicitário ...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Grand Paris, utopia ou realidade?

Projecto de Roland Castro, para a Grand Paris.

Sarkozy lançou o desafio de repensar Paris. Dez gabinetes de arquitectura apresentaram as suas ideias. Agora, vão ser apreciadas, resta saber se, alguma vez, vão ser aplicadas. Sustentabilidade, corredores verdes, transportes ecológicos... todos os projectos, sem excepção, reflectem a necessidade de (re)pensar o modelo de desenvolvimento das grandes metrópoles depois de Quioto. Um artigo a não perder no Le Fígaro.

Os 70 anos de Pinóquio

O célebre personagem de Pinóquio (criado em 1883 por Carlo Collodi), o boneco de madeira que se transforma num menino de carne e osso, chegou ao cinema há 70 anos.
Pinóquio tem-se revelado um "animal político", capaz de reencarnar sucessivamente em políticos de todos os quadrantes e latitudes...

Uma "vampira" em Veneza



Acreditava-se que a peste negra era obra dos vampiros. Estávamos no ano de 1576. A morte descera à rua. Os mortos eram às centenas, enterrados em valas comuns. Foi neste ambiente sinistro que esta suspeita de vampirismo foi enterrada, com um tijolo na boca para a impedir de se alimentar.
Curioso achado este que não documenta a prática de vampirismo mas, prova a existência de um ritual anterior ao que foi popularizado no século XIX: a estaca de madeira cravada no coração do suposto vampiro.

Educação: portas para o amiguismo e outros "ismos"

"Entre as novidades do concurso [de professores] está também a possibilidade de as escolas em zonas de intervenção prioritária poderem a partir deste ano contratar directamente os seus docentes, apesar de as condições ainda não estarem totalmente definidas. ." in, Público
Estão escancaradas as portas para o amiguismo, o nepotismo, o economicismo (todos nos recordamos dos horários que ficavam na gaveta para de lá saírem, por um passe de mágica quando aparecia o eterno candidato àquelas horinhas) ... É que, se bem percebo os critérios de selecção poderão passar a estar mais relacionados com o "ter caído em graça" do que com a competência. Aliás, os agrupamentos, poderão ser tentados a contratar alguém com menos tempo de serviço ou, com menos qualificações logo, "mais económico"...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Os desafios de Manuela

No seu impiedoso balanço dos quatro anos de governação socialista Manuela Ferreira Leite falou de "um longo intervalo publicitário". A acusação, dirigida ao executivo rosa não é nova mas, nem por isso deixa de ser justa. As palavras de MFL longe de serem "tremendistas" [?] revelaram uma observação atenta da realidade nacional. Claro está que logo teria de vir a terreiro o ministro da Propaganda digo, dos Assuntos Parlamentares, para em defesa da murcha rosa falar do vazio de ideias num, blá-blá-blá, a que já nos habituámos. A novidade está em que MFL se perfilou como alternativa.

O Público mostra, na sua edição de hoje, uma Sócrates "abaixo de zero". Para a história, ficará como o primeiro-ministro que vestia Prada, assinava uns projectos de engenharia, distribuía Magalhães com software em "português técnico" ... e que era especialista em promessas.

MFL, tem a ingrata tarefa de desmontar uma "campanha rosa", que transformou Portugal num "caso de sucesso" . A questão está em saber se os portugueses querem saber a verdade ou se, pelo contrário, preferem continuar a iludir-se com o canto das sereias. Mais difícil do que apresentar uma proposta alternativa é dar más notícias e, ainda assim, seduzir o eleitorado. MFL, terá de demonstrar que é possível fazer política e, ganhar eleições, dizendo a verdade.

Sócrates, em queda livre

"A imagem do líder do PS entrou em terreno negativo a partir de Maio de 2007. E está cada vez mais negativa.
A descida começou com o caso da sua licenciatura [2007] ... em 2008, com a crise financeira, que começou nos Estados Unidos, e o segundo capítulo do caso Freeport, em que o nome de Sócrates surge associado a uma investigação das autoridades britânicas sobre o alegado pagamento de luvas no licenciamento do outlet de Alcochete. Com crise financeira de um lado e o Freeport do outro, a popularidade de José Sócrates tem andado nos últimos meses abaixo do que foi a sua primeira queda na legislatura, em 2005." in, Público _
Decididamente, Sócrates não é uma fatalidade!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Património em tempos de crise

Seixal - moinho de maré em ruínas

"Haverá poucos Governos como o nosso, na afirmação de uma tendência irresponsável para gigantescos investimentos públicos que não terão qualquer efeito prático imediato na presente crise económica e muito menos no emprego. Terão, sim, a consequência do aumento demencial das responsabilidades internacionais do Estado e da mais do que evidente possibilidade de derrapagem dos custos orçamentados para satisfação dessa empáfia megalómana.
[...]mesmo não se tendo uma visão economicista da Cultura, pensar a conservação do património, a sua valorização e a sua promoção como uma das componentes do desenvolvimento económico a curto prazo devia ser parte da estratégia para enfrentar a crise actual.
[...]Isso criaria mais empregos do que os investimentos faraónicos em obras públicas. Tanto o chamado small business, como investimentos bem orientados são vectores-chave para o estímulo da economia e a criação de emprego, evitando a criação de elefantes brancos ingeríveis.
[...]Assim, também a herança cultural cria a possibilidade de empregos, de formação e de qualificações, quer práticas, quer teóricas, para vários segmentos da população, especialmente o dos jovens. Muitas actividades ligadas ao património e à cultura podem ser suportadas por instituições e autoridades locais, regionais e nacionais, e abrir caminho a pequenas e medias empresas e a projectos bem sucedidos.[...]
Vasco Graça Moura
Para ler na íntegra, aqui.