domingo, 31 de maio de 2009

Contos e lérias

Clicar na imagem para aceder a edição on-line*

Olhai a capa do último Boletim Municipal [do Seixal]. Digna de uma qualquer produção fictícia. Azul, azul como a ilusão de uma água mansa e limpa. Barcos alinhados simetricamente, impõe-se sob o fundo de casas tradicionais e até de algum arvoredo. Toda a decrepitude, ruínas,sujidade foi cirurgicamente eliminada. De toda a fotografia emana uma sensação de equilibrio, estabilidade, harmonia bem ao gosto do melhor kitsch. O próprio título (muito a meu gosto, aliás) é, aparentemente inatacável ...

O assunto desta postagem é os “Fora” do Seixal. Nos últimos anos, a câmara do Seixal tem organizado rotineiramente, encontros temáticos com a população. Estes encontros aparentemente destinados a promover o diálogo entre eleitos/eleitores/técnicos são, de facto, momentos privilegiados de propaganda.

Os fóruns são uma oportunidade para mostrar a obra do jardim, o espaço onde será construído um novo equipamento, a maqueta de um projecto ... tudo isto, devidamente enquadrado por um executivo autárquico em traje de passeio e pose dialogante. A finalizar o dia acontece o fórum propriamente dito. A verdade, que as fotos do BM não deixam vislumbrar (pois mostram exclusivamente a mesa, veja-se último numero página 6) é, que a participação de população é ínfima. Quem são os munícipes que se disponibilizam para participar dos foruns? Alguns eleitos, alguns dirigentes de associativos ... e muito, muito poucos mais.

Quantas pessoas marcam efectivamente, presença? 40, 50? Que representam elas num universo de 150 000? Quantas destas pessoas são de facto “população”, sem ligações a aparelhos partidários?Quantas vão ali para “dialogar”? E quantas por fidelidade partidária ou, por necessidade assinar um contrato programa com a câmara*, vão ao fórum com o único objectivo de tecer rasgados elogios ao poder instalado ou, de defendê-lo, com unhas e dentes se necessário?

Os fóruns são o momento para divulgar folhetos, brochuras, power-points (muito na moda) e, “usar da palavra”. Apresentar projectos, deslumbrar com milhões num autentico bodo aos pobres. Como é normal, em ocasiões destas os holofotes recaem sobre o poder: técnicos municipais, presidentes de junta, vereadores e, claro está o presidente da edilidade, que faz o auto-elogio da obra aproveitando mais uma oportunidade para perorar sobre os projectos a concretizar num futuro incerto.

O sucesso está garantido à partida. O Boletim Municipal publica um página inteirinha sobre o evento com fotografia e “reportagem”.. Mais, publicitam-se os projectos já antes anunciados. Tudo uma excelente ocasião de propaganda encapotada para o PCP.

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* Note-se que para dificultar o acesso ao rol de promessas por cumprir ao longo dos anos a edição do Boletim Municipal passou a ser feita exclusivamente em formato pdf. Deste modo só é possível a pesquisa número a número. Assim, se vâ a transparência ...

** Hoje, Ilda Figueiredo queria “ que o secretário-geral do PS, José Sócrates, esclareça quantos membros do Governo têm participado na campanha "a distribuir cheques e benesses" pelo país.” Uma pretensão legítima. Mas, quando olhamos para os títulos das páginas 5 e, 7 ficamos esclarecidos quanto às práticas do PCP/CDU em vésperas de eleições.

sábado, 30 de maio de 2009

Auto-regulação

Imagem via, O Jumento
A imprensa portuguesa tem uma tradição de auto-regulação, há assuntos sistematicamente excluídos das notícias. Não porque não existam mas, porque os jornalistas escolhem não falar deles. Ora, agora parece-me que se está a ir longe demais. É impressão minha ou a ERC, está a preparar-se para afiar o "lápis azul"?...
O estilo de Manuela Moura Guedes é discutível. Mas, compete ao espectador ajuizar se gosta, ou não, dos seus "trejeitos" e das peças jornalísticas que ela apresenta. Certamente, não à ERC. Ou, estaremos condenados, todos nós, para todo o sempre, a um jornalismo de "pãezinhos sem sal"? Em última análise é, ao espectador que compete escolher. As notícias que a TVI difunde são incorrectas, mal fundamentadas, não têm fundo de verdade, são injuriosas ...? É para isso que existem tribunais.

«i -Incomodar o poder é uma das características do "Jornal Nacional" que apresenta?
MMG- Não fazemos as peças para criar incómodos ao poder. Enfim, os jornalistas têm de ser contrapoder. Faz parte! Temos de estar sempre lá, cuscar, roer as canelas, porque isso faz parte do jornalismo. Quanto mais responsabilidade tem um político, mais nós temos de estar atentos. Quem não pensa assim, está mal no jornalismo. Não é o "bota abaixo". É o alertar, pedir contas, desmontar a mensagem política. Eles [governantes] vão para lá e já sabem que isto tem de acontecer. Nós não podemos ser um eco, temos de ser o descodificador. Quem faz o contrário está errado e os políticos que não o entendam também. [...]
i - O tema do DVD do caso Freeport, emitido pela TVI, foi abordado.
MMG - Não, não!... Ele não deixou que a palavra corrupto fosse posta ali. Não deixou, não sei se reparou. Era uma palavra que estava proibida. E Judite de Sousa foi logo posta na ordem. O outro nem valia a pena. Estava ali só a sorrir?»
in, Entrevista do i a Manuela Moura Guedes.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Caminhar sobre vidro partido

A sabedoria popular aconselha: "quem tem telhados de vidro não atira pedras". Vital Moreira, fez ouvidos moucos a este sábio conselho. Talvez, ele não receie andar sobre vidro partido...
Na verdade, ao associar os sociais-democratas àquilo a que chamou a "roubalheira" do BPN, Vital Moreira, pôs-se a jeito de arcar com todos os pecados, pecadilhos e outras suspeições que atinjam dirigentes socialistas. Foi mais uma declaração infeliz e lamentável, de um professor que não dá aulas (e não cumpre outros deveres elementares como escrever sumários...) mas que continua a ser professor de direito.
Ao permitir-se declarações deste calibre irá fatalmente, ser recordado dos casos que têm assombrado o PS, desde o caso Melancia, até ao Freeport passando naturalmente pelo Casa Pia e, não esquecendo o imbróglio, mal esclarecido da licenciatura de Sócrates ... e tanto outros que de alguma forma envolveram directa ou indirectamente membros do PS.
Devo dizer que tenho admirado a contenção da generalidade dos políticos relativamente a estes casos. Pois bem, Vital Moreira, deu uma passo fundamental para que se passe da fulanização para a generalização. Para que se passe de suspeito (ou nem isso), a culpado de "roubalheira" e a condenado na praça pública ... pela voz de Vital Moreira voltámos ao PREC e aos julgamentos populares, há marcas que não desaparecem.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Demagogia feita à maneira é como o queijo...


... numa ratoeira*.

O Pensar Seixal, publicou um texto sobre o Seixal do nosso descontentamento. Mais uma vez, a venda de ilusões é o prato forte mas, para além disso, sobram as interrogações:
"... porque motivo insiste a Câmara Municipal do Seixal em urbanizar até à exaustão as áreas periféricas do concelho; porque não conseguimos ter nenhum clube desportivo na elite do desporto português – como já aconteceu; porque não temos um verdadeiro parque urbano; porque temos altos níveis de insegurança e os responsáveis se recusam a aceitar propostas alternativas; porque os nossos munícipes têm – em grande percentagem – de se deslocar todos os dias para trabalhar fora do concelho; porque não somos reconhecidos como um concelho apto a receber empresas nas áreas das tecnologias;..."
A ler na íntegra.
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Refrão de um dos êxitos musicais dos anos 80 cuja letra integral pode ser lida aqui.

Jogo perigoso

Com a situação na Coreia do Norte a causar preocupação, sobretudo, desde o anúncio de que deixava de respeitar o armistício de 1953 (nunca foi assinado o Tratado de Paz) e, com a perspectiva de uma confrontação entre as duas Coreias. Para já, o resultado pode sentir-se numa aparente unanimidade ( entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU) e na bolsa de Seul, onde o index KOPI, tem estado em queda nos últimos 5 dias apesar, das subidas registadas nos outros mercados asiáticos.
Para a Coreia do Norte a questão está em encontrar o tom de ameaça certo para atingir os seus objectivos (desestabilizar a Coreia do Sul?; testar a nova administração Obama?; publicitar a sua indústria militar?; estabelecer equilíbrios internos na sucessão ao "querido líder"?...), isto é, garantindo que é suficientemente, convincente para não ser ignorada e, suficientemente, comedido para não alienar o poderoso vizinho e aliado, a China.
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“It’s a matter of time when a fuse for war is triggered,” the North Korean government’s official newspaper, Minju Joseon, said in a commentary carried by the state-run news agency KCNA." in, NYT

Corolário lógico

"O PS já decidiu: vai deixar cair Vítor Constâncio. O relatório final da comissão parlamentar de inquérito ao BPN será crítico para com a actuação do governador do Banco de Portugal neste caso. E sê-lo-á com o consentimento da maioria socialista na comissão. [...]
A constatação, pelo PS, de que é impossível ilibar o governador de responsabilidades no caso, será, no conjunto das pressões para que Constâncio se demita, uma espécie de cereja no topo do bolo.[...]" in, Diário de Notícias
Assim, também Vítor Constâncio poderá estar a conhecer o sabor amargo da "demissão". A confirmar-se que o PS lhe retira o seu apoio, Vítor Constâncio, será empurrado para uma demissão que não soube apresentar a tempo de evitar sair pela porta dos fundos.
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... Constâncio regressa à comissão ...

Roda que giras

Saúdo a decisão de Dias Loureiro de se demitir do Conselho de Estado. Decisão acertada mas tardia. O facto de ter levado tanto tempo a tomar esta decisão, faz com que Dias Loureiro saia aparentemente empurrado por Oliveira e Costa, em vez de sair pelo seu pé.
Acontece frequentemente que a colagem ao lugar torna dificil aceitar que não se é ministro ou, Conselheiro de Estado ou,... está-se transitoriamente nessas funções. Infelizmente, as manchetes dos jornais estão cheias de casos semelhantes de titulares de cargos públicos que só saem arrastados pelo clamor geral. E depois há casos como o de Fátima Felgueiras ou, Valentim Loureiro (só para citr dois) que apesar das acusações e das peripécias com a justiça não só se mantêm nos cargos como até veêm a sua legitimidade reforçada... vamos lá entender isto!

Sugestão musical para este tema.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O exibicionista

via, El Tiempo
O que terá levado o regime de Pyongyang a optar por este timing para levar a cabo estes ensaios nucleares / de mísseis balísticos e, a subir de tom a ameaça relativamente à vizinha Coreia do Sul? Porquê esta exibição de força? Terá sido o desejo de forçar os limites da política de diálogo da administração Obama? Será a vontade de desestabilizar a vizinha Coreia do Sul? Ou, depois dos problemas de saúde do último Verão, será uma mensagem interna para os candidatos à sucessão do "querido" e fragilizado líder?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Enganar o olhar

Via, scissor
Esta "engenhosa" solução chega da Rússia. Mais concretamente da terceira maior cidade Rússia: Ekaterinburgo.
Durante o mês de Junho vai-se realizar nesta cidade a cimeira da Organização de Cooperação de Shangai. Bem entendido que as autoridades locais procuram embelezar a sua cidade a tempo para tão mediático evento. Assim, os edifícios situados nas proximidades do local onde decorrerão os trabalhos estão a sofrer uma operação cosmética. As lonas pintadas, com vista para a avenida principal, dão a ilusão de edifícios restaurados mas, o interior não mente.

Enfim, a velha arte das ilusões no seu melhor. Apesar de enganosa e artificial talvez esta fosse uma solução para a frente ribeirinha de Amora. Bom, não seria mais enganosa que por aí tenho visto propostas...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

El caudillo



Talvez seja pessimismo meu. Mas, ouvir Sócrates discursar em castelhano, de dedo em riste, fez-me pensar em coincidências sinistras - sobretudo, depois do que se passou com a Globovisión ... claro, que estamos en Europa y en todo lo demás es sólo imaginación, sin embargo, ahora a Sócrates sólo necesita comprar una camisa roja como su "amigo" Chavez ...
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Sobre esta espécie de "chavismo" lusitano, uma opinião a não perder:
"António Marinho Pinto está para o PS de Sócrates como o estão Vitalino Canas, Augusto Santos Silva ou Pedro Silva Pereira. É um indefectível. Tal como Sócrates, Marinho Pinto vê em tudo o que o prejudica uma urdidura de travestis do trabalho informativo. Tal como Sócrates, o Bastonário dos Advogados vê insultos nos factos com que é confrontado. E reage em disparatado ultraje e descontrolo, indigno de quem tem funções públicas.[...]
A imagem que deu na TVI foi de um homem vítima de si próprio, dos seus excessos, do seu voluntarismo, das suas inseguranças e das suas incompetências. Marinho Pinto tentou mostrar que era o carrasco do mensageiro que tão más notícias tem trazido a José Sócrates. Fê-lo vociferando uma caterva de insultos como se tivesse a procuração bastante passada pelo Primeiro Ministro para desencorajar e punir este jornalismo de pesquisa e denúncia que tantas e embaraçosas vezes tem andado à frente do inquérito judicial.
"
Mário Crespo, in JN

domingo, 24 de maio de 2009

Quando o silêncio não é de ouro

Claro está que Paulo Rangel poderá perguntar, tudo e mais alguma coisa. Como é óbvio, Sócrates só ouvirá o o que lhe convém. Falando verdade, não lhe convém muita coisa. Por isso, Paulo Rangel, irá espalhar ao vento pontos de interrogação. Por exemplo, os fundos comunitários que não foram aplicados. Ora, acham que Sócrates se vai meter nisso? Vai ignorar, olimpicamente, em compensação, não deixará de sublinhar até à náusea todas as afirmações de MFL/ Rangel, que considere ilustrativas da "falta de jeito para a política" ... ou seja, sempre que se diga uma verdade, sempre que se critique o governo, sempre que se faça uma pergunta incómoda...
O silêncio de Sócrates não é de ouro é, o silêncio incomodado de quem sabe que não cumpriu, nem irá cumprir o que prometeu e, tenta desesperadamente camuflar-se sob o cenário idílico que desenhou.
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As faces escondidas da vitória

O governo do Sri Lanka festeja a vitória sobre os Tigres Tamil. Por detrás desta vitória escondem-se muitos rostos, muitos dramas, um custo humano elevadíssimo. Desconheço quase tudo sobre um conflito que se arrasta há décadas e que causou mais de 70 000 mortos. Mas, não posso ignorar que por detrás desta vitória sangrenta, se escondem milhares de rostos incentes... serão 300 000 os que procuraram os campos de refugiados e que agora, se encontram sem ajuda humanitária.

sábado, 23 de maio de 2009

Retrato a nú

Obama, por Dave

Anjos e demónios dos Comuns


Entrevista com o homem do trombone
Há cerca de duas semanas que o Daily Telegraph sujeita os deputados a uma dura prova. Todos os dias publica cirurgicamente, algumas informações mais sobre o seu despesismo. Todos os dias, alarga o leque dos implicados a mais uns quantos, em partes iguais, conservadores e trabalhistas. A lista dos despesistas, que não pára de crescer e, ninguém sabe em quantos vai parar. Dos 646 membros dos Comuns, alguns viraram santos mas, 120 já viram o seu nome na praça publica o que obrigou já a demissões e, é um sério embaraço político para ambos os partidos.
O jornal está na posse de uma base de dados equivalente a 200 DVD, repleta de milhares de justificativos de despesa que foi analisada, exaustivamente, por uma dezena de jornalistas antes da primeira publicação. Agora, o Daily Telegraph, limita-se a gerir ao dia as revelações e a antecipar para a concorrência os nomes dos próximos visados, garantindo assim as audiências.

Em Portugal nada disto seria possível. Não falo do ritmo das demissões, nem das acusações que se derramariam sobre os jornais e os jornalistas que alimentassem uma tal fogueira. Falo, simplesmente, da possibilidade de verificar os papelinhos. O mais certo é que já estivessem destruídos, extraviados, ou que tivesse ocorrido uma qualquer falha na secretaria que impossibilitaria que se provasse o que quer que fosse. Veja-se o que aconteceu com a documentação relativa ao caso Cova da Beira e, retirem-se as respectivas ilações.'

Grandes para quê?



Serão as rotundas como os homens? Poder-se-ão medir aos palmos?
A mais jovem rotunda do Seixal (Torre da Marinha) não deixa de surpreender pelas reduzidas dimensões, pela qualidade da solução encontrada e, pelo perigo que representa para os automobilistas, de facto, não se trata de uma rotunda mas, de um obstáculo na via pública.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O inigualável Magalhães


"A Comissão Europeia (CE) considera que Portugal infringiu as leis comunitárias da concorrência ao adjudicar por ajuste directo, e não por concurso público, todos os programas governamentais ligados ao Plano Tecnológico da Educação. Está em causa a distribuição gratuita ou a preços reduzidos de mais de um milhão de computadores a alunos e professores – incluindo os 500 mil ‘Magalhães’ que o Executivo de José Sócrates prometeu distribuir pelos alunos do 1.º Ciclo." in, Sol
Claro está que o governo nega ter infringido a directiva 2004/18/CE (norma que regula a contratação pública na UE, de forma a assegurar a livre circulação de bens e serviços no Mercado Único Europeu) e, está confiante de que a queixa não terá fundamento pois, no entender do Secretário de Estado tudo foi feito com "transparência". Entretanto, Bruxelas espera uma resposta ...

Com o Magalhães, não há dúvida, cada cavadela cada minhoca. Enfim, mais um episódio de uma novela cujo enredo não cessa de se enredar... este, é nitidamente mais um caso em que o fascínio pelas tecnologias, e o calendário eleitoral levaram a um conjunto de tomadas de decisão que se têm vindo a revelar, no mínimo, desgastantes: desde logo é questionável o critério de distribuição (porque se começou pelo telhado, isto é, porque não houve formação, atempada, dos professores? quantos alunos os utilizam diariamente nas escolas?); depois os erros pueris que "escaparam" à supervisão do ME; os episódios rocambolescos na distribuição que foi feita com honras de primeiro-ministro, ministra ... ; o famoso tempo de antena do PS e as desculpas que se seguiram em vários tons...: não esquecendo ainda, esta notícia:
"...a JP Sá Couto registou uma taxa de crescimento de 1.308,5 por cento nos primeiros três meses do ano face ao mesmo período de 2008, "dinamizada essencialmente pela adesão ao portátil Magalhães". in, notícias/RTP

A bofetada

"O procurador-geral da República (PGR) de Portugal disse hoje, em Brasília, que a decisão de afastar a cooperação do Eurojust do "caso Freeport" visou "evitar qualquer suspeição", ressalvando que a medida se restringe a esta investigação."
in, Publico

Esta decisão do PGR, não pode deixar de ser lida como uma bofetada de luva branca em
Lopes da Mota e no PS pela forma, como se têm comportado em todo este caso.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Barroso de pedra e cal

"Across Europe, politicians of various political stripes are stamping their feet in impotent fury. José Manuel Barroso, the centre-right Portuguese leader who has served as European Commission president since 2004, seems strongly placed to secure a second five-year term. His enemies and critics would love to stop him, but all they can do is boo from the sidelines like disappointed children."
FT/Brussels Blog

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Apego

Os recentes escândalos que assolaram a política britânica estiveram na origem da suspensão de e demissões dos parlamentares que foram apanhados em falso. Tudo muito rápido, pouco palavreado, nada de folhetins.

Pelo contrário, em Portugal episódios que envolvem titulares de cargos públicos parecem dar origem a verdadeiras telenovelas, em que o suspense se mantém até ao 159º episódio. Pendente das "cenas dos próximos capítulos" está sempre a possibilidade de demissão que contudo tarda... e nem sempre acontece. É uma questão de dignidade mas, também, de apego aos lugares...

15 séries de TV


Respondendo ao desafio aqui vão algumas das séries que me deixaram pregada ao televisor:
  • Carrossel Mágico
  • Pippi Meialonga
  • Casei com uma Feiticeira
  • Janosik
  • Gabriela, Cravo e Canela
  • A Família Bellamy
  • Espaço 1999
  • Os Marretas
  • O Bem Amado
  • Eu, Cláudio
  • O Tal Canal
  • Palavras ditas (Mário Viegas)
  • Cosmos
  • Ficheiros Secretos
  • Víbora Negra
Impossível deixar de recordar as velhinhas televisões dos anos 60 que reuniam família e amigos em volta do écran para assistir ao Festival da Canção, ao Lago dos Cisnes (com Rudolfo Nuraiev), às touradas, ao ZIP-ZIP ... e, claro, aos desenhos animados que todos os dias abriam a emissão às 18H(?) no canal único, e a preto e branco...

Os generais com medo

A líder da oposição birmanesa e, vencedora do Nobel da paz de 1991 está presa. A única novidade desta notícia é que Aung San Suu Kyi deixou de estar em prisão domiciliária e, está agora no "quarto de hóspedes" de uma prisão de segurança. Se for condenada por violação das suas anteriores condições de detenção arrisca-se a mais cinco anos de isolamento, o que levaria à sua exclusão das eleições de 2010... Assim, se vê o quanto esta frágil mulher assusta os generais que transformaram a Birmânia numa coutada.
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Uma questão de ... cola

"Since I came to the house 30 years ago, I have always felt that this house is at its very best when it is united. In order that unity that can be maintained. I have decided that I will relinquish the office of Speaker on 21 June."
Estas foram as palavras do "Speaker" da Casa dos Comuns na hora de apresentar a sua demissão. Uma declaração de 35 segundos que pôs fim a 30 anos de permanência no Parlamento.
Acusado de ter deixado transformar o Parlamento numa espécie de "clube de cavalheiros", Michael Martin é mais uma vítima do escandâlo das despesas indevidas dos deputados. É suspeito de ter cometido algum ílicito? Não, simplesmente limitou-se a deixar cumprir a tradição. Mas, perante o alarido da opinião pública face ao uso e abuso dos dinheiros públicos, demitiu-se deixando Brown e, o Partido Trabalhista com mais uma dor de cabeça.

Enquanto isto na nossa Lusitânia, as figuras do Estado colam-se ao poder como se este fosse uma tábua de salvação. Diria mais: alapam-se ao poder como se este fosse a garantia da inocência. Vejam-se os tristes exemplos de Dias Loureiro, Vitor Constâncio, Lopes da Mota, apenas para citar alguns e, nem sequer alumiando os nomes dos autarcas que nos últimos anos foram constituídos arguidos. De facto, este apego ao poder em tempos de desconfiança, longe de dignificar os detentores de cargos públicos, apenas ajuda a cimentar a convicção de que há "muita coisa escondida" ... enfim, continuamos a ser um país de brandos costumes.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Terapias

"A totalidade dos processos de fundos comunitários da Intervenção Operacional Ambiente do 2.º Quadro Comunitário de Apoio foi ilegalmente destruída em 2007, por decisão da Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Ambiente.[...]
Entre o material destruído contam-se os processos de candidatura aos financiamentos do Fundo de Coesão e a volumosa documentação relativa ao controlo da legalidade da contratação das empreitadas e fornecimentos e das despesas efectuadas no âmbito dos projectos aprovados.[...]
No caso da Cova da Beira, o IFDR tem em seu poder toda a documentação relativa à segunda fase do projecto, iniciada em 2001, já no quadro do QCA III, mas não tem nada sobre a primeira fase - aquela que foi investigada durante uma década pela Polícia Judiciária e levou este ano à pronúncia por corrupção e branqueamento de capitais de António José Morais (o antigo professor de José Sócrates na Universidade Independente), da mulher e do empresário Horácio Luís de Carvalho, presidente do grupo HLC." in, Público
Lá voltamos ao mesmo ... lá voltamos às bruxas.
De facto, só as bruxas podem justificar mais este episódio destinado a deixar dúvidas, para todo o sempre, sobre mais um processo envolvendo o nome de Sócrates. Um processo que nasceu nebuloso e que poderá estar destinado a assim permanecer.
Sabemos que a administração pública consome florestas sob a forma de resmas de papel, que têm que ser arquivadas ou destruídas. Espanta-me a prontidão da destruição de papelada tão recente, sem que, no mínimo, tivesse sido tido em consideração um processo (seria o único?) que só podia ser do conhecimento dos irresponsáveis que assinaram a ordem. Digo, irresponsáveis, porque claro está, ninguém vai assumir a culpa, uma vez que já se percebeu que a destruição ilegal de arquivos é ... costumeira, e como tal a culpa só poderá morrer solteira.
O que no meio e tudo isto é mais risível é que a administração pública nos quer fazer acreditar que os documentos que exige são de importância crucial mas, logo que são aceites os "documentos" transformam-se em "papéis" incómodos e, na primeira oportunidade, desfaz-se deles, às toneladas, alegando que estavam a atolar as instalações. Trata-se de uma espécie de terapia, pois, como é óbvio, esta destruição anárquica (?) de papel, contribui para uma melhoria significativa da qualidade do sono de algumas pessoas...

domingo, 17 de maio de 2009

O Boletim da harmonia celestial

Clique, na imagem, para aceder à versão pdf.
O situacionismo no Seixal está cristalizado no seu Boletim Municipal.
Em vésperas de eleições autárquicas, as páginas do B.M. transformam-se numa espécie de catálogo de promessas prontas para agradarem a tudo e a todos. Muitas não passarão do papel, isto é, à semelhança do que aconteceu no passado não passarão de "estudo prévio", "plano de pormenor", "projecto" ou "candidatura". A experiência diz-me que nada, absolutamente nada, do que é prometido está garantido.
O Boletim Municipal, é o veículo privilegiado das miragens eleitoralistas do PCP. Uma leitura atenta do último (n.º 504) é reveladora. Anunciam-se investimentos e equipamentos. Sucedem-se em todas as páginas as boas-novas: recuperação do património, criação de áreas de lazer, equipamentos colectivos, feiras, encontros ... um nunca acabar de benesses destinadas a captar a atenção dos municípes e, transformá-los em clientes, digo em eleitores... De facto, sem contraditório todas as obras parecem as melhores.
Leia-se o B.M. de fio a pavio, nenhuma sombra de de critica. Apenas, um desfilar de auto-satisfação.
Veja-se a "reportagem" sobre a Assembleia Municipal:
Foram apresentadas e aprovadas duas moções do PCP, da terceira não reza a história. Não se lhe conhece nem autor, nem tema percebe-se apenas, que foi "chumbada".
Todas as intervenções das oposições se resumiram a "questões" ou "pedidos de esclarecimento". Quem ler a página 6, não encontra qualquer vestígio de critica. A oposição, na óptica do B.M., limita-se a interrogar, a expressar o seu desconhecimento. Já o presidente da autarquia, esse, perora incansavelmente para esclarecer uma oposição que desconhece tudo, até as mais estafadas respostas do executivo.
Lendo o Boletim Municipal, só posso concluir que a Assembleia Municipal foi mais um interminável e entediante exercício de política autárquica.
O Boletim Municipal, tem como função não deixar transparecer nenhuma critica ao modelo de crescimento adoptado por um executivo que tem governado em maioria absoluta há mais de três décadas. Sim, um concelho governado pelo PCP tem forçosamente que ser "o melhor dos concelhos possíveis", logo, não há lugar a critica. Num paraíso comunista, como o Seixal, o conhecimento está reservado ao poder tal como lhe está reservado o direito de criticar o ameaçador "mundo exterior" onde as sombras do "poder central" e do "neo-liberalismo" entre outros papões, se conjuram para fazer fracassar os planos e os projectos laboriosamente concebidos pela autarquia.
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Esta notícia nunca seria publicada pelo B.M.:
"O Tribunal da Relação de Lisboa deu razão ao recurso interposto pela Câmara do Seixal contra o pagamento de uma indemnização de 250 mil euros aos pais de uma criança de quatro anos que morreu numa caixa de esgoto em 1999. Os juízes alegaram que o Tribunal do Seixal não tinha competência para atribuir a indemnização." in, Correio da Manhã

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Nuvens negras no horizonte


Se as previsões do governo parecem sombrias, apontando para uma queda de 3,4% do PIB e um déficit público de 5,9%, então as previsões da Comissão Europeia e do FMI que apontam para quedas do PIB da ordem dos 3,7% e 4,1% respectivamente, são mesmo negras... o governo continua a pintar o mapa cor-de-rosa.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dois pesos e duas medidas



«“Ilegitimamente” e “oportunisticamente”. Assim reagiram, na opinião do
porta-voz do PS, Vitalino Canas, os partidos da oposição à decisão do
procurador-geral da República, Pinto Monteiro, de converter o inquérito sobre as
alegadas pressões a Vítor Magalhães e Paes Faria, os dois magistrados que
investigam o caso Freeport, num processo disciplinar contra o procurador-geral
adjunto Lopes da Mota.» in, Público

Pergunto-me como reagiria o PS se um caso semelhante se tivesse passado, por exemplo, durante o governo de Santana Lopes. Mais, pergunto-me como reagiria a imprensa.

Compreendo que o PS pretenda desdramatizar um incidente que é a todos os títulos incómodo e que só vem lançar lenha para a fogueira das desconfianças. Desconfiança relativamente a um primeiro-ministro fragilizado por um leque de “casos” que minam a imagem de honestidade e competência que nos quer infundir; desconfiança relativamente a uma Justiça que além de morosa se revela frequentemente ineficaz e até passível de ser pressionada.
É compreensível a atitude do PS ao desdramatizar mas, arrisca-se a ser devorado pela fogueira em que o caso Freeport se tornou pois, sendo previsível o arrastar deste caso no tempo, seria importante mostrar empenhamento na sua resolução, doa a quem doer.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Tempo de votar ...



A brincar, a brincar... será este video suficiente para convencer os europeus a votar?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Bairro do desespero


Dois conselhos me deram quando, em 1995, trabalhei no Bairro da Bela Vista: deveria evitar os espaços abertos circulando sempre que possível rente aos prédios para evitar ser alvo do lixo que alguns moradores atiram, sem cerimónias, pela janela fora; e, até ser reconhecida deveria fazer-me acompanhar nas minhas deslocações por alguém do bairro ...
O Bairro da Bela Vista é um excelente exemplo do que não deveriam ser os "bairros sociais". Infelizmente, um pouco por todo o lado continuamos a repetir uma experiência que sabemos votada ao fracasso, guetizando populações, mantendo-as em contextos sociais deprimidos e abandonando-as a grupos organizados que as sujeitam a uma violência continuada. Deixámos que o crime tomasse conta das ruas e, no caso do Bairro da Bela Vista, das partes comuns dos prédios, dos pátios ...
A concepção deste Bairro (como de tantos outros) obedeceu à lógica da prateleira: os prédios foram concebidos para esconder os problemas sociais mais, do que para resolvê-los. Desde o início que o empilhamento de pessoas de origens e culturas diversas é um problema real. Desde início que os grupos étnicos obrigados a partilhar os mesmos espaços apesar das rivalidades ancestrais levaram à formação de grupos como estratégia de dupla protecção contra "os do Bairro" e contra todos os outros. Desde início todas as tentativas de integração desta população falharam dado que a única coisa que os ligava era serem provenientes de meios deprimidos.
Sem projecto de vida, sem educação, sem formação social e perseguidos pelo estigma do Bairro (que dificulta o acesso ao emprego, aos empréstimos bancários ...) resta-lhes vegetar na subsídio-dependência ou (para os mais desejosos de qualquer tipo de reconhecimento), na criminalidade. A maior parte da população sente-se refém do Bairro, dos grupos organizados que controlam cada esquina, cada escadaria e sem alternativa perante uma sociedade que sentem como hostil (a língua e a escrita que muitos não dominam é, apenas, um dos factores de desconfiança relativamente à sociedade).

O mais grave, não são os erros cometidos por todos, os que de uma forma ou de outra, contribuíram para que a Bela Vista fosse a realidade que conhecemos. O mais grave, é que depois de conhecidos e analisados os resultados, continuámos a criar bairros que apenas irão esconder os problemas sociais aumentando sempre o fosso entre a sociedade e "os do Bairro", num ciclo de marginalização contínua, em lugar de encontrar alternativas de integração.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

À espera de ...

A recente alteração da lei dos partidos políticos criou um conjunto de ondas de choque. Quando, em época de crise económica, os partidos se permitem flexibilizar o seu financiamento incrementando as receitas correm necessariamente, o risco de aumentar (ainda mais) a desconfiança da sociedade civil relativamente ao seu papel.
O anterior diploma sempre mereceu a crítica do PCP, cujas receitas provenientes da festa do Avante ficavam fora-da-lei, aliás, o PCP argumentou recorrentemente que a lei tinha sido concebida precisamente com esse fito. De facto, todas as tasquinhas de comes e bebes que os diversos partidos abrem nas festas e romarias, por este país fora, eram em boa verdade uma ilegais. A recente alteração permitirá ao PCP (e a outros partidos) enquadrar legalmente as receitas provenientes deste tipo de eventos, independentemente, da sua envergadura. Mas, ao permiti-lo, aumenta o volume de receitas e a opacidade das contas em lugar de simplificar e clarificar. Sendo que este deveria ser o objectivo último de todas as leis de financiamento partidário de modo a ultrapassar o clima de suspeição generalizada que paira sobre os partidos.
Curioso tem sido o silêncio incomodado do PCP e, do BE, perante as críticas que têm chovido nos últimos dias de todos os quadrantes.
Pena que o PSD tenha embarcado em alterações cuja interpretação pode ser perversa. Quanto ao PS ...
Aqui está mais uma ocasião para o Presidente da República brilhar, sobretudo depois do que disse no seu discurso do 25 de Abril

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Absolutamente ...


“O partido socialista da era Sócrates favorece, facilita ou não combate
claramente a corrupção”. Afirmou Henrique Neto. in, Público.

Esta citação dispensa qualquer comentário ...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Da falta de chá


O inefável ministro Manuel Pinho, citado pelo Público disse que Paulo Rangel, "tem de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares de Basílio Horta", a propósito da polémica sobre o programa Vasco da Gama".
Ora, quando a Maizena chega à campanha europeia está definitivamente, o caldo entornado. Este é, mais um exemplo, da qualidade média do discurso dos ministros deste governo que colocados perante os microfones se desbobram em dislates pouco abonatórios. Talvez lhes tenha faltado algum chá em pequeninos...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A indiferença (2)

O Diário de Notícias publica uma sondagem cuja principal conclusão é ... o desconhecimento. 61% dos inquiridos não sabe quando vão ocorrer. 53%, tenciona votar mas, apenas um número ínfimo sabe quem são os cabeças de lista.
Números que merecem reflexão já que sem participação, não há democracia.

A provação

O incidente que esta tarde envolveu o candidato do PS às Europeias, era tudo menos, imprevisível. Vital Moreira, sabia ao que ia. Sabia que a sua presença seria considerada ofensiva para muitos dos manifestantes pois, a sua dupla qualidade de ex-militante e de cabeça de lista pelo PS não iria cair bem. Fatalmente aflorariam as antigas clivagens e o espírito democrático dos manifestantes seria posto à prova. Ele sabia aqueles que estão possuídos por uma ideologia só precisam de um estímulo para reagir e, perder a cabeça. E ele, por todos os motivos era um bom estímulo. Além de que ele conhecia bem os limites da tolerância dos seus anfitriões.
Então, porquê que Vital Moreira se quis submeter a esta prova de fogo? Porque quis oferecer-se como o cordeiro do PS?
Entretanto, ao secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, só lhe faltou dizer que estava no Pulo do Lobo. O seu não-comentário, acabou por ser um eloquente discurso sobre a tolerância.

Quaisquer que tenham sido os objectivos de Vital Moreira ao integrar a delegação do PS, os incidentes são condenáveis e revelam que há organizações poíticas que se julgam donas das pessoas (como acusou Vital Moreira), das datas, dos símbolos, da verdade. Organizações políticas que invocando sistemáticamente a democracia ainda não se democratizaram.
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A conferência de imprensa de Ana Jorge pelo timing escolhido também não deixou de ser interessante. Os directos passaram da manif para uma conferência onde nada de novo se anunciou. Coincidência, a fazer lembrar outras, mais antigas?

1º Maio - ordem e revolta

1º Maio de 1923 - Lev Kamenev e Leon Trostky na Praça Vermelha

Ensaio do 1º Maio, ontem, na Praça Vermelha

1º Maio - Manisfestação de trabalhadores em França

1º Maio - Berlim
O 1º de Maio é dia de manifestações. Este ano, a crise económica mundial dará origem a muitos protestos mais, ou menos ordeiros, e a alguns violentos. *
E no entanto, há coisas que parecem não mudar. Vejamos as imagens do 1º de Maio em Moscovo. Entre 1923 e 2009 mantém-se o mesmo espírito. Nas imagens e, até nas palavras.
"Russia views an attempt to expel two Russian diplomats from NATO's headquarters in Brussels as "a vulgar provocation," the Foreign Ministry said Thursday."
(texto integral, aqui).
A julgar por pelas demonstrações de força, poderíamos até pensar que a Rússia está a escapar incólume à crise mas, não. A verdade é que a crise está a bater fundo na economia e na sociedade russa, como em outras sociedades, mas os gritos de revolta são bem abafados. A obsessão militarista esconde, mais uma vez, realidades incómodas.



Por cá toda a acção se passa ao almoço ou, depois dele. Veremos...
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A importância de se chamar A (H1N1)



A primeira grande consequência é que deixará de fazer sentido iniciar as postagens com referências mais, ou menos, simpáticas aos suínos. Ao mesmo tempo evita-se que um judeu ou, um muçulmano possam estar com a "gripe suína" ( evitando situações como esta) finalmente, espera-se reduzir o impacto económico ao separar o animal, da doença e dessa forma tranquilizar os consumidores.



A (H1N1) ... não mais poderei associar à gripe, o Speedy Gonzalez! Temia-se que a designação de "gripe mexicana" provocasse reacções xenofóbicas... e já que as consequências económicas são inevitáveis pois, o México, como destino turístico, ficará de quarentena até ao final deste episódio, procurou-se encontrar um nome ... neutro. Excelente escolha: A(H1N1)!

Imagino já as conversas entre um Oseltamivir e, o tradicional chá de mel com limão:
- Então engripado?
- Sim, tenho A(H1N1).

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Ora, cavalgando a onda do politicamente correcto, proponho fazer uma campanha para que a caravela-portuguesa, deixe de ser assim designada, uma vez que, pelas suas propriedades, esta espécie de alforreca é não só perigosa, como potencialmente letal. Nós portugueses nunca deveríamos ter sido associados a este temível ser. Precisaremos de um nome encriptado. Aceito sugestões.
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Interessante artigo sobre a misteriosa origem do vírus pode ser lido no New York Times.
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aqui falei sobre teorias conspiratórias na origem do vírus, eis a lista completa ... entretanto continua a crescer o número de casos.

Era uma vez um estaleiro...

Estaleiro da Fidalga (Fevereiro de 2008) - foto V. Lima
"A fundação da Quinta da Fidalga (Seixal) remonta ao século XV, estando historicamente associada a Paulo da Gama, o irmão de Vasco da Gama, que se fixou no Seixal para assistir à construção das caravelas que supostamente o levariam até à Índia.[...]
Há mais de um ano (Fevereiro de 2008), altura em que se iniciaram as obras na zona que separa a Quinta da Fidalga da Baía do Seixal, houve alguém que ordenou destruir o Estaleiro da Fidalga."
Texto integral no Rumo a Bombordo.