sábado, 21 de março de 2009

A voz do dono


O Boletim Municipal comemora 500 edições e, ao seu melhor estilo, tratou de apregoar os seus "34 anos de informação..." Informação? Propaganda!

Na capa do celebrado nº 500, uma cópia do nº.º1 e o seu Editorial. Curioso verificar o que é dito neste Editorial, cujas letras minúsculas dificultam em extremo a tarefa. Três perguntas muito pertinentes, a que o editorialista, responde de forma quase ingénua: "Porquê um Boletim Municipal? Para quem? Por quem?". A estas três questões importantíssimas eu, acrescentaria uma quarta: Por quanto?

O Boletim Municipal, é como outros que por aí andam, uma forma de a pretexto de informação se fazer passar a mensagem de que "nós somos, indiscutivelmente, os melhores". Os Boletins (e revistas) municipais são fingidores que fazem passar por informação, a propaganda do poder (de todas as cores) instalado.

O que o Boletim Municipal tem de mais interessante é, que se transformou aos poucos num imenso mausoléu de promessas não cumpridas, numa câmara ardente de projectos que se anunciam sucessivamente até ao dia em que sendo inaugurados ganham vida ou, se apagam sem "quê nem porquê". Tantos projectos aprovadinhos e prontos a implementar. Tantas boas ideias. Tanto dinheiro distribuído para, em ano de eleições apaziguar as hostes à boa maneira romana. Haja pão e circo, que o poder se conservará.

Com recurso às novas tecnologias o Boletim Municipal tínhasse tornado num instrumento para quantos quisessem aferir da obra do PCP na câmara do Seixal. Claro, que isto não era conveniente e, houve que encontrar um expediente para dificultar. E eis, que no mui celebrado Seixal digital, se descobriu o pdf!

34 anos e o Boletim Municipal não tem director conhecido ora, não o tendo, não tem estuto editorial ou, seja, limita-se a fazer ouvir "a voz do dono". Curiosamente, também não se lhe conhecem jornalistas, redactores ... nada. Aparece feito por encanto. Obviamente, que neste Boletim Municipal não há direito de resposta, nem pluralidade de informação, nem é assegurado o serviço público. Limita-se a bradar aos sete ventos investimentos, inaugurações, limpezas e asfaltamentos. Um Plano de Pormenor está para consulta pública? Caluda! Houve uma voz dissonante na Sessão de Câmara? Impensável. Uma moção polémica na Assembleia Municipal? Silencie-se. A data e hora da realização das Assembleias de Freguesia. Ignore-se. Vereadores da oposição presentes em cerimónia? Sempre que possível em terceiríssimo plano e desfocados de preferência. Com tudo isto, é óbvio que este Boletim (tal como outras publicações das autarquias deste concelho) não obedece aos requistos exigidos pela directiva da ERC para as publicações periódicas autárquicas.

Há uma outra questão que a Câmara do Seixal tem tomado todas as precauções para não ser obrigada a responder: Por quanto? Em lado nenhum, de forma explícita surgem as continhas desta publicação que aparecem encapotadas em variadas rubricas, escondidas no bolo geral e, portanto, o mais que se pode fazer são estimativas. Mas, um publicação quinzenal, com 24 páginas, todas a cores, com um grafismo cuidado e 65 000 exemplares corresponde anualmente a um investimento de centenas de milhares de euros. É só fazer as contas*...
______________
Em Fernão Ferro, existe uma espécie de série Z do boletim municipal:
Assim, a Nota Informativa n.º1/2009, inicia-se sob o pomposo título "Fernão Ferro uma freguesia imparável em tempos de crise", para anunciar entre muitas e desvairadas coisas: placas toponímicas; limpesa [sic] de bermas e passeios; antena de comunicações; ... IC-32 - Crips- Circular Regional Interna da Península de Setúbal?!!... Só não percebi porque razão não mencionam também o TGV e, já agora, o aeroporto de Alcochete, porque não?
______
* A Revolta das Laranjas fez as contas : 400. 000 € anuais sem contar com pessoal (já que não existe um quadro de pessoal) nem com outras publicações da CMS... vejam só, o que se poderia fazer com esse dinheiro!

1 comentário:

Pensar o Seixal no Século XXI disse...

Excelente.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes