segunda-feira, 24 de março de 2008

Que impacto tem a dimensão das turmas...

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... no aproveitamento dos alunos?
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Estudiosos britânicos concluíram que turmas grandes são especialmente desvantajosas para os alunos com maiores dificuldades que sofrem mais com a falta de atenção individualizada e que por consequência "se perdem"…
Acrescentar cinco alunos a uma turma aumenta em 40% a probabilidade dos alunos com dificuldades não atingirem o sucesso. Em contrapartida, o efeito deste aumento é negligenciável para os alunos que têm maior facilidade na aquisição de conhecimentos.
Os estudos têm como base a observação de 686 crianças em 49 escolas. Descobriu-se que em turmas de 30 alunos, o mau comportamento dos alunos com maiores dificuldades, mais do que duplica se comparado com o que acontece em turmas de 15 alunos[1]. O Professor Peter Blatchford[2], autor do estudo, declarou que para estes alunos é muito importante aumentar o número de interacções individualizadas, turmas maiores obrigam a uma atitude mais passiva por parte dos alunos e levam a uma atitude de “desistência”.
Estudos anteriores indicavam que as crianças beneficiam quando as turmas têm entre 15 e 20 alunos mas, os estudos conduzidos pelo Professor Dylan William sugerem que diminuir o número de alunos por turma para aumentar a qualidade das aprendizagens, é uma medida cara que só se justifica em casos em que há alunos com problemas de comportamento.

Nós, por cá, em consequência das alterações legislativas recentes, nomeadamente, pelo DL n.º 3/2008, que implica uma maior selectividade nos alunos que podem ser abrangidos pelo regime de Educação Especial e, que deixa de considerar que a inclusão destes alunos implique a redução da turma. Ou seja, não só os serviços especializados de Educação Especial irão prestar apoio a menos alunos (o diploma impõe critérios muito rígidos, nem sempre passíveis de serem devidamente documentados sobretudo, por famílias de menores recursos) como ainda, muitos alunos que até à data beneficiavam de apoio especializado irão ver-se desprovidos do mesmo, e irão ver-se integrados em turmas normais.
O alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente e, todos os outros que por circuntâncias diversas tinham, até agora, beneficiado de apoio pedagógico acrescido (especializado), ver-se-ão integrados em turmas onde a interacção individualizada com o professor será inadequada com as inevitáveis sequelas ao nível do seu comportamento e do sucesso escolar.
Que sucesso estaremos nós a promover para estes alunos no mesmo ano em que Portugal anuncia, com pompa e circunstância, a organização de uma conferência internacional sobre a Escola Inclusiva?
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Este post tem por base um artigo do Guardian, publicado hoje.
[1] 30 alunos é a média de alunos por turma nas escolas públicas inglesas. 15 é a média de alunos por turma nas escolas privadas em Inglaterra.
Em Portugal o número médio de alunos por turma é de 22,5 (fonte: OCDE, 2005).
[2] Cf. Peter Blatchford, Class Size.

3 comentários:

Anónimo disse...

Excelente, espero que não se importe por ter repescado lá para o canto, novamente.
Abraço,
M.

Anónimo disse...

Sobre o número de alunos por turma, li isto na capa de ontem do The Morning Star:
"Teachers may also strike if a limit is not put on class sizes in England and Wales, after Schools Minister Jim Knight provoked fury when he said that classes of up to 70 pupils could be managed with teaching assistants."

at

hkt disse...

O Guardian, também refere essas declarações de Jim Knight que tanto enfureceram os professores ingleses.