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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Castelo em ruínas



fotos A. Cravo
Quinta do Castelo, Corroios. Mais, um exemplo, de património que se desmorona lentamente perante a indiferença de todos. Chamar os bulldozers criaria um bruaaá inconveniente, por isso, aguarda-se pacientemente, que o tempo, o desleixo e, o vandalismo façam o trabalho depois, como aconteceu com a pequena capela de Stª Marta, o local é limpo deixando campo aberto para o progresso.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Seixal, do colorido das árvores

... ao cinzento do betão.

"Fins de Março [...], atravessamos o Tejo [...] tomamos um carro que nos levasse à Vila Nogueira e à Vila Fresca de Azeitão.

A estrada rola a princípio do Saco do Seixal, cujas margens lacustres e espelhadas, como rias galegas, se entremostram por alturas de Corroios e Arrentela. Passa-se junto de Amora e Paio Pires a poucos passos da estrada; desfilam casais brancos, chalés de veraneio, herdades e pomares; e, espaço a espaço, as copas das árvores frutíferas, macieiras, pessegueiros, pereiras, marmeleiros e ameixoeiras acenam, com seu lenço colorido, as boas-vindas. Como em breves dias, quase de um jacto, a flor abriu, ei-las em grupos desmanchados ondulando nas curvas do terreno, cobertas duma espuma crepitante de neve, rosa, oiro e carmim, espectáculo que recorda, com menos densidade e mais riqueza de cor, o das amendoeiras no Algarve e no Alto Douro. [...]

Jaime Cortesão,
"Terras Moçábes de Azeitão", in Portugal a Terra e o Homem, 1966

O meu desafio, hoje, é o de descobrir os indícios, desta paisagem, que persistem teimosamente em não desaparecer apesar do "progresso". Para isso, proponho, mais uma vez, seguir a objectiva de André Barragon...

Miratejo- Corroios
Amora - Bairro dos Vidreiros
Torre da Marinha


Seixal Aldeia de Paio Pires


Meio século depois, o que resta das margens lacustres espelhadas, dos pomares, do colorido dos campos?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Critérios como Mascaras


Imagino-me a escrever sobre as mortes anunciadas de muitos lugares históricos e naturais destes concelho. Alguns desses lugares já estão “mortos e enterrados”, outros vegetam aguardando que o tempo faça o seu trabalho para depois, o camartelo poder intervir sem escândalo público.

A intelligentsia local pretende promover o concelho através de um circuito turístico “do trabalho”, ora, como sabemos nem todos os trabalhos são iguais, há uns mais iguais que outros.
Há locais e edifícios que estão ligados à história do trabalho sim, mas também à história do Partido Comunista esses são para preservar. Há outros que gozam desse privilégio dada a sua antiguidade e a sua localização ou ainda o seu carácter simbólico: proto-industrial (como se nos quisessem dizer que neste concelho já antes da industrialização se davam passos no sentido “certo”): é o caso do moinho de maré de Corroios e da olaria romana adjacente.
Mas falemos dos outros, dos excluídos. Esses regra geral não tiveram a sorte de ser “classificados pelo IPPAR” porque não foram propostos pela Câmara (outros mesmo classificados aguardam pacientemente a “sua hora”, entregues que estão ao abandono e ao vandalismo).
Serão de menor importância?
Porquê que a Fábrica dos Laníficios de Arrentela é menos importante que a Mundet? Porquê que os núcleos antigos de Amora, Arrentela, Seixal não foram propostos para classificação?
É certo que são considerados “imóveis de interesse municipal” mas na prática isso significa que pouco tem sido feito para a sua preservação não havendo em seu redor uma zona de protecção, que permita continuar a apreciar a moldura urbana original, pondo-a a salvo dos mamarrachos. Estas casas cuja degradação se arrasta em alguns casos há décadas são o que ainda resta do processo de industrialização do século XIX.
E as quintas? E a floresta? E as matas? A agricultura, a pecuária e a silvicultura não são merecedoras de figurarem neste circuito do trabalho? Parece que não. Este é o trabalho que não interessa à imagem pretendida. Este é o trabalho dos rendeiros, dos foreiros, dos camponeses e até dos escravos. Zés-ninguém que durante séculos se conformaram com a sua (pouca) sorte. Foram Zés-ninguém em vida e sê-lo-ão na morte pois serão apagados da história que deles nada rezará.
E os estaleiros onde durante centenas de anos foram construídos os barcos destinados à carreira das Índias, mas também à guerra, à pesca ao transporte de pessoas? E os portos e portinhos, também eles vestígio de uma época em que a principal atracção “desta banda” era a acessibilidade à capital através do rio?

Quando se trata de “trabalho” cheguei à conclusão que os critérios são rígidos: à imagem de “trabalho” pretende-se colar a imagem do partido comunista. De facto, fará sentido esta ideia de transformar o Seixal três dias por ano na Meca vermelha desperdiçando o resto do ano?
Os milhões gastos pela câmara do Seixal têm por base um critério nunca frontalmente assumido: a vontade política de preservação da Mundet e da Siderurgia deve-se à sua importância enquanto unidades de produção mas sobretudo, ao facto, de terem sido “viveiros” do Partido Comunista nos anos do Estado Novo.