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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gdansk, 70 anos depois


As capas dos jornais polacos que há 70 anos anunciavam o início das hostilidades. O fim da paz (podre) que reinava na Europa. O ataque do exército alemão à Polónia. Capas de jornais que incitavam à resistência em nome da liberdade, da independência e da honra. Dias depois seria a vez do exército vermelho invadir o território esmagando toda a esperança e tornando a Polónia vitima de dois totalitarismos.
Hoje, numa cerimónia em Gdansk os antigos inimigos encontraram-se para relembrar o passado e para falar do futuro. A este reencontro entre alemães, polacos, russos, ucranianos... não faltaram nem polémicas, nem pedidos de desculpa e promessas. Putin, escreveu uma "carta aos polacos" em que procura justificar o pacto Molotov-Ribbentrop tentando melhorar o relacionamento dos dois povos e acenando com a reconciliação no quadro de um mundo "democrático e multipolar". Ao mesmo tempo promete desclassificar o arquivo sobre o massacre dos oficiais polacos chacinados na floresta de Katyn, questão que os polacos levam muito a peito.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Um filme para celebrar o Direito à Memória

Prisioneiros polacos capturados pelo Exército Vermelho

Um dos candidatos ao Óscar para melhor filme estrangeiro é Katyn, do polaco Andrzej Wajda.
Trata-se de um filme sobre uma das maiores tragédias da história polaca (que, como se sabe, é fértil em momentos terríveis). Katyn, conta a história do massacre de de 22 000 oficiais do exército polaco pelo Exército Vermelho, sob as ordens de Joseph Estaline, 4 000, dos quais foram fuzilados na floresta de Katyn, no início da II Guerra Mundial.
Wajda, filho de um dos oficiais que pereceu nessa floresta, evoca um tema absolutamente tabu nos tempos do comunismo. Tão absolutamente tabu, que o simples facto de ser descendente de um destes oficiais interditava a frequência das Universidades.
O Exército Vermelho entrou na Polónia 17 dias depois das tropas nazis (17 de Setembro). A Polónia, foi então engolida pelo exército alemão, a oeste, e pelo soviético, a leste. Estava então em vigor o pacto germano-soviético. Após a ruptura deste pacto em 1941, os alemães, ao avançarem para leste descobriram e revelaram o crime soviético na floresta de Katyn. No entanto, durante décadas a versão oficial dos factos foi a de que estes oficiais teriam sido mortos pelos alemães. Durante décadas a verdade só podia ser dita à “boca pequena” por receio de represálias.

Os factos relativos a este massacre são conhecidos e inegáveis mas só puderam ser estudados a partir de 1989, quando Gorbachtov permitiu a consulta das ordens de Estaline dirigidas a Beria para que este assassinasse os oficiais capturados (ver documentos ).
Katyn, o filme, representa uma oportunidade de compreender não só a história da Europa, e a destruição das elites perpetrada por Moscovo, mas também as mentiras que a propaganda e a ocultação deliberada da história permitem criar.
Reescrever e "branquear" a História é uma tentação. Melhor que justificar é, ocultar e distorcer. O crime da floresta de Katyn é exemplo extremo, mas que merece reflexão. Tal como merecem reflexão as intenções que estiveram subjacentes ao pacto germano-soviético celebrado em 1939.