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sábado, 13 de setembro de 2008

Insegurança na estrada



39 000 mortos nas estradas da U.E. em 2007.

Ver infografia, aqui
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+ Número de mortos por milhão (?) de habitantes dados de 2001.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Missão espinhosa

É espinhosa, esta missão de Sarkozy. Espera-se que o presidente Sarkozy consiga um acordo com Moscovo no sentido de se caminhar para o cumprimento do cessar-fogo e, sobretudo, de chegar a acordo quanto à data e limites da “zona de segurança” [declarações de Sarkozy no final da reunião]. De facto, Medvedev já prometeu várias vezes que o cessar-fogo seria cumprido mas, Putin tem vindo a declarar que quer o porto de Poti quer faz parte da “zona de segurança”, ora Poti*(como outras localidades) não estava sequer na mente de Sarkozy a quando das negociações em Agosto. Esta aparente divergência entre os dois homens fortes do Kremlin aliada a um texto vago e impreciso em termos de datas e locais, poderá levar a uma considerável demora na execução do cessar-fogo caso não se chegue a um acordo.

Um outro problema, são os observadores da U.E. e da OSCE. Moscovo opõe-se à presença de observadores da U.E.(mesmo civis) preferindo os observadores da OSCE (organização de que faz parte) Mas, caso esta oposição possa ser ultrapassada poderiam estes observadores entrar sem restrições nos territórios separatistas? E em que condições? Até agora, as deslocações nestes territórios têm estado condicionadas a autorizações e até a visas o que no caso de observadores internacionais será dificilmente aceitável**.

Claramente, a Rússia quer ocupar o seu lugar num mundo tendencialmente multipolar. Até agora, a U.E. apenas ameaçou com sanções. Os E.U.A., têm esbracejado muito mas, na prática, muitos países da E.U. estão dependentes da energia que lhes é fornecida por Moscovo [tal como Moscovo está dependente do capital e da tecnologia ocidental] o que limita as opções, mesmo as pacíficas. Na prática, esta crise no relacionamento com a Rússia mostra que no séc. XXI, a guerra fria, joga-se com oleódutos e acções da bolsa. Os investidores reagiram prontamente, à instabilidade criada por Moscovo. Os investidores gostam de segurança e previsibilidade ora, precisamente as acções de Moscovo parecem pautadas por alguma irracionalidade o que naturalmente afecta a sua confiança no mercado russo com este resultado, que não tardará a fazer-se sentir nos bolsos dos russos:


Por isso, neste mundo crescentemente globalizado, não se deverá substimar o papel da economia real nas futuras acções do Kremlin.

* Hoje dispositivo militar em torno de Poti teria sido reforçado hoje, de acordo com fontes georgianas, o que a confirmar-se é mais sinal da intransigência russa, no próprio dia das negociações com Sarkozy.

**Plano da E.U. em quatro fases:
"Phase 1 : à l'intérieur des zones contrôlées par les autorités géorgiennes. Phase 2 : à l'intérieur des "zones tampons" que les Russes occupent en dehors des enclaves ossète et abkhaze. Phase 3 : des deux côtés des limites administratives des enclaves. Phase 4 : sur tout le territoire de la Géorgie, Ossétie du Sud et Abkhazie inclues..."
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"If (Russia's withdrawal from Georgia) isn't finished, we'll have to be more firm. One reaction could be a European gas-buying unit, meaning solidarity among consumers.
"That's a priority of the French EU presidency. We're working on it," Kouchner stated. "
in, The Financial

«Ce que nous avons décidé avec le président Medvedev signifie concrètement : dans une semaine maximum, la levée des checkpoints (russes) entre Poti (port stratégique géorgien, ndlr) et Sinaki». Et, «dans un mois, le retrait complet des forces militaires russes du territoire géorgien, hors Ossétie (du Sud) et Abkhazie», a déclaré Nicolas Sarkozy [...] Le patron du Kremlin a toutefois souligné que ce retrait serait soumis à la signature de «documents juridiquement contraignants, garantissant le non usage de la force contre l'Abkahzie et l'Ossétie du Sud».
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Actualização: o acordo assim conseguido, se se vier efectivamente a implementar no terreno, abrirá caminho para uma "parceria estratégica" entre a U.E. e a Rússia.

sábado, 24 de maio de 2008

Ligações Perigosas

Mark Gonsalves, lusodescendente prisioneiro das FARC

O jornal, Der Spiegel publica um interessante artigo sobre os contactos europeus das FARC – o grupo guerrilheiro colombiano que se notabilizou por efectuar ataques bombistas e por manter em cativeiro algums centenas de prisioneiros – entre os quais Ingrid Bettancourt - e que tem feito da indústria do rapto e do narcotráfico (saber mais) as suas fontes de receita.

De acordo com esta notícia o comandante Raul Reyes, morto em Março passado, na fronteira com o Equador, teria consigo um computador cuja análise se tem revelado muito interessante: com base nesses dados a Colombia acusou já a Venezuela financiar a guerrilha, e prepara-se para acusar alguns polítios e jornalistas venezuelanos e equatorianos por manterem ligações às FARC. Agora, é o relacionamento com a esquerda alemã que está em causa. Os dados indicam que o filho de Raul Reyes, Ariel Robespierre Devia aliás, “Roberto”, esteve em Berlim em 2005 tendo-se encontrado nessa altura com o representantes do Partido Comunista Alemão e comWolfgang Gehrcke, membro do PDS (Partido doSocialismo Democrático, o herdeiro do antigo partido comunista da RDA). Os e-mails trocados com Gehrcke indicam que o PDS poderia apoiar uma iniciativa que retirasse as FARC da lista de organizações terroristas na União Europeia (circulou um documento nesse sentido em 2007 no parlamento europeu).

Não posso deixar de reflectir, mais uma vez, sobre a presença assídua das FARC na festa do Avante, e sobre o documento assinado pelo PCP e publicado no seu site nas vésperas da Cimeira de Lima (não encontrei versão portuguesa do mesmo) no qual se afirma sobre a União Europeia:

"The objectives of the European Union have nothing to do with combating poverty and social inequalities, or with promoting the environment – benevolent policies as they claim. It seeks to open up the economies of these countries to exploitation, demanding the privatisation of state industries and natural resources, even water, for the benefit of the monopoly capital. It is an illusion to see it as a counterweight to the United States, in favour of the peoples: on the contrary, it has the same imperialist and neo-colonial goals"[...]

...e sobre as FARC:

“We demand that FARC-EP and ELN be recognised as combatants and immediately removed from the EU list of "terrorist organisations"; this list itself should be abolished as an obstacle to the peaceful resolution of conflicts;” ...

Desta forma mais uma vez o PCP - e demais partidos comunistas - pretende branquear a realidade da guerrilha atribuindo-lhe "boas intenções" e esquecendo que de "boas intenções está o inferno cheio". Mas pelo que se vê estas vindas à "Festa" poderão ter permitido não só a presença de elementos da guerrilha como as actividades de lobby ...

Sobre o mito das FARC no PCP

Sobre a história da violência na Colômbia

Foi anunciado ontem que Manuel Marulanda Vélez 'Tirofijo', o comandante das FARC morreu. Veja a notícia no El Tiempo (Colômbia).


sexta-feira, 21 de março de 2008

Tratado de Lisboa, em risco?


O Tratado de Lisboa foi assinado com pompa e circunstância no final da presidência portuguesa da UE. Entre os que estiveram presentes na cerimónia oficial e os que preferiram assinar um pouco mais privadamente algumas horas depois (Gordon Brown) todos enfatizaram as vantagens do Tratado. Mais, com excepção da Irlanda (obrigada por imperativos constitucionais) todos os países têm estado a ratificar o Tratado nos respectivos parlamentos com maior ou menor celeuma.
O debate na Irlanda vai animada mas para já quem parece querer quebrar a sinfonia europeia é a Polónia cujo presidente Kaczynski e seu irmão gémeo, agora líder da oposição, querem impor um preâmbulo que inclua a possibilidade de um pequeno grupo de países bloquear algumas iniciativas europeias e, de a Polónia poder optar por subscrever a carta dos direitos fundamentais.
A verdade é que a negociação ocorreu num período de campanha eleitoral quando os Kaczynski eram presidente e primeiro-ministro e apresentaram o Tratado de Lisboa como uma grande vitória mas, agora, fazem marcha a trás para agradar ao seu eleitorado (minoritário) mais conservador (Partido da Justiça e Paz).
Num discurso “audiovisual” perante o parlamento polaco (Sejm) o presidente alertou contra o perigo representado pela Alemanha (e pelas minorias alemãs em território polaco) ao mesmo tempo que afirmou que o tratado permitiria os casamentos gay o que “afectaria a ordem moral na Polónia” tudo isto devidamente enquadrado por imagens de Ângela Merkel (entre proprietários germano-polacos) e de um casamento homossexual….
O actual primeiro-ministro, Donald Tusk, pretende fazer ratificar o Tratado mas perante a oposição do presidente é provável que seja forçado a convocar um referendo depois da Páscoa, caso, os membros do partido Justiça e Paz alinhem com a nova estratégia do presidente e não votem favoravelmente o Tratado, ou caso, o próprio presidente o vete (hipótese que parece muito provável).
Assim, ressurge a imagem da Polónia como o mau aluno da Europa … que consequências para a Europa de mais este ... flop?
Curioso, o silêncio, que tem sido feito à volta deste tema em contraste com o espalhafato da cerimónia de assinatura.