(cartazes de apoio à Osséssia do Sul nas ruas de Moscovo)
Uma das consequências mais interessantes do conflito que opôs no Verão passado a Rússia e a Geórgia por causa dos territórios secessionistas da Abecásia e da Osséssia do Sul é a alteração da opinião pública russa relativamente ao direito dos povos à auto-determinação e à independência, com efeito, uma sondagem mostra que há, agora, mais russos (36%) a apoiar estes princípios. A sondagem mostra o apoio popular à actuação das autoridades russas relativamente ao conflito com a Geórgia, muito embora muitos reconheçam que os enclaves não têm viabilidade por si só. Mas, o que torna esta sondagem interessante de analisar, é a dialéctica entre uma opinião pública que, por um lado, apoia as políticas que restauram as fronteiras do antigo império e. por outro. a crescente aceitação do direito dos povos à independência. Um debate a acompanhar agora que o tom de Moscovo volta a subir no Cáucaso.
"Russia's foreign minister criticized on Thursday NATO's plans to conduct exercises in Georgia, saying they could give the Georgian regime a sense of impunity, and raise tensions in the Caucasus region." in, Ria Novosti
"The exercises, which have been planned since the spring of 2008, will involve about 1,300 people from 19 Nato and partner countries and will be held at a training centre 20 kilometres (12 miles) east of Tbilisi. The military alliance said in a statement that the exercises had the "aim of improving interoperability between Nato and partner countries." in, Telegraph
As tensões na região estão longe de ter acalmado. A Rússia diz ter estacionado 7 600 homens na Abecásia e Osséssia do Sul mas, a Geórgia estima o número em cerca de 12 000. Algumas destas tropas foram deslocadas para uma área próxima da fronteira com a Osséssia do Sul (a c. de 60 km de Tbilisi) em vésperas das manifestações. Por outro lado, Moscovo, anunciou, em Janeiro, planos para a construção de uma base naval na costa da Abecásia e, avisou que aplicaria sanções aos países que fornecessem armas ou assistência militar à Geórgia.
Ora, este exercício que deverá decorrer entre 6 de Maio e 1 de Junho, na Geórgia, é um teste à determinação da aliança, tanto mais que , na última semana, o governo georgiano tem enfrentado, nas ruas de Tbilisi, os manifestantes que pedem a demissão do presidente Saakasvili.
Há um ano a NATO proclamou que a Ucrânia e a Geórgia seriam no futuro membros da NATO, uma posição que os seus líderes reafirmaram já depois da "Guerra Olímpica", tal como reafirmaram que não dariam à Rússia o direito de escolher os membros da aliança. A contestação de Moscovo aos exercícios na Geórgia era certa, nem poderia ser de outro modo. Tal como é certo que a NATO terá de cumprir o calendário sob pena de perder a sua credibilidade na região... para a Geórgia, a Nato é um garante dos seus sonhos de independência e de democracia.
Nos últimos dias milhares de cartazes invadiram as ruas da capital georgiana. São cartazes da oposição ao presidente Mikheil Saakashvili e convidavam à participação numa manifestação que deveria ocorrer hoje, 9 de Abril, Dia da Unidade Nacional (em 8 de Abril1989, confrontos entre manifestantes pela independência da Geoórgia e tropas especiais russas levaram à morte de 20 manifestantes e fizeram centenas de feridos). Alguns dos muito satíricos cartazes acusavam Saakashvili pelo resultado desastroso do conflito com a Rússia, em Agosto passado, e perguntavam simplesmente: "Porquê?". Outras mensagens, como esta, procuram parodiá-lo. Esta manifestação que pretende pedir a demissão do presidente foi encarada com extrema preocupação pelas autoridades que terão detidodezenas de activistas durante a noite (ao que parece porque se juntaram no exterior do restaurante onde Saakashvili jantava para gritarem palavras de ordem) e que reforçaram a segurança nos edíficios governamentais e no parlamento.
“Claro que faremos parte da Rússia. Não pretendemos uma Osséssia do Sul independente.” Eduard Kokoity, auto-prolamado presidente da Osséssia do Sul em declarações à Novosti.
Ora, aqui está uma daquelas situações em que se pode dizer que “mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo”… como é evidente esta declaração irreflectida , que trai as verdadeiras intenções de Moscovo, trouxe novo embaraço político à Rússia e obrigou o ministro dos negócios estrangeiros russo, S. Lavrov e, o próprio Kokoity a negar a evidência.
Trata-se de uma paródia à conferência de imprensa dada por Darth Vader, aliás, Condoleeza Rice, sobre a invasão do território da Geórgia pelos russos... um humor negro que certamente agrada ao Kremlin.
É espinhosa, esta missão de Sarkozy. Espera-se que o presidente Sarkozy consiga um acordo com Moscovo no sentido de se caminhar para o cumprimento do cessar-fogo e, sobretudo, de chegar a acordo quanto à data e limites da “zona de segurança” [declarações de Sarkozy no final da reunião]. De facto, Medvedev já prometeu várias vezes que o cessar-fogo seria cumprido mas, Putin tem vindo a declarar que quer o porto de Poti quer faz parte da “zona de segurança”, ora Poti*(como outras localidades) não estava sequer na mente de Sarkozy a quando das negociações em Agosto. Esta aparente divergência entre os dois homens fortes do Kremlin aliada a um texto vago e impreciso em termos de datas e locais, poderá levar a uma considerável demora na execução do cessar-fogo caso não se chegue a um acordo.
Um outro problema, são os observadores da U.E. e da OSCE. Moscovo opõe-se à presença de observadores da U.E.(mesmo civis) preferindo os observadores da OSCE (organização de que faz parte) Mas, caso esta oposição possa ser ultrapassada poderiam estes observadores entrar sem restrições nos territórios separatistas? E em que condições? Até agora, as deslocações nestes territórios têm estado condicionadas a autorizações e até a visas o que no caso de observadores internacionais será dificilmente aceitável**.
Claramente, a Rússia quer ocupar o seu lugar num mundo tendencialmente multipolar. Até agora, a U.E. apenas ameaçou com sanções. Os E.U.A., têm esbracejado muito mas, na prática, muitos países da E.U. estão dependentes da energia que lhes é fornecida por Moscovo [tal como Moscovo está dependente do capital e da tecnologia ocidental] o que limita as opções, mesmo as pacíficas. Na prática, esta crise no relacionamento com a Rússia mostra que no séc. XXI, a guerra fria, joga-se com oleódutos e acções da bolsa.Os investidores reagiram prontamente, à instabilidade criada por Moscovo. Os investidores gostam de segurança e previsibilidade ora, precisamente as acções de Moscovo parecem pautadas por alguma irracionalidade o que naturalmente afecta a sua confiança no mercado russo com este resultado, que não tardará a fazer-se sentir nos bolsos dos russos:
Por isso, neste mundo crescentemente globalizado, não se deverá substimar o papel da economia real nas futuras acções do Kremlin.
* Hoje dispositivo militar em torno de Poti teria sido reforçado hoje, de acordo com fontes georgianas, o que a confirmar-se é mais sinal da intransigência russa, no próprio dia das negociações com Sarkozy.
**Plano da E.U. em quatro fases:
"Phase 1 : à l'intérieur des zones contrôlées par les autorités géorgiennes. Phase 2 : à l'intérieur des "zones tampons" que les Russes occupent en dehors des enclaves ossète et abkhaze. Phase 3 : des deux côtés des limites administratives des enclaves. Phase 4 : sur tout le territoire de la Géorgie, Ossétie du Sud et Abkhazie inclues..."
"If (Russia's withdrawal from Georgia) isn't finished, we'll have to be more firm. One reaction could be a European gas-buying unit, meaning solidarity among consumers. "That's a priority of the French EU presidency. We're working on it," Kouchner stated. "
«Ce que nous avons décidé avec le président Medvedev signifie concrètement : dans une semaine maximum, la levée des checkpoints (russes) entre Poti (port stratégique géorgien, ndlr) et Sinaki». Et, «dans un mois, le retrait complet des forces militaires russes du territoire géorgien, hors Ossétie (du Sud) et Abkhazie», a déclaré Nicolas Sarkozy [...] Le patron du Kremlin a toutefois souligné que ce retrait serait soumis à la signature de «documents juridiquement contraignants, garantissant le non usage de la force contre l'Abkahzie et l'Ossétie du Sud».
Actualização: o acordo assim conseguido, se se vier efectivamente a implementar no terreno, abrirá caminho para uma "parceria estratégica" entre a U.E. e a Rússia.
No mesmo dia em que a U.E. procurava demonstrar unidade perante Moscovo, Putin surgia numa simbólica caça ao tigre.
Vários responsáveis politicos europeus têm referido a “humilhação” russa do pós União soviética como a justificação para a Guerra na Geórgia. O facto, de a Geórgia (entre outros Estados soberanos da região) ter deixado de estar sob a bandeira russa, de se ter tornado um país independente, de ter escolhido um regime político de tipo ocidental e de pretender integrar a EU e a NATO seriam para a Rússia uma humilhação, maior humilhação ainda o facto de o mundo se ter tornado unipolar… Era sobre esta pretensa humilhação que gostaria de reflectir um pouco. Na sequência da II Guerra Mundial a Alemanha foi dividida e ocupada; os líderes nazis foram presos, julgados e condenados; foram proibidos os partidos de inspiração nazi bem como a utilização dos seus símbolos; a Alemanha foi obrigada a pagar reparações de guerra. Ora, o que aconteceu na Rússia pós-soviética? Deu-se fragmentação natural de uma União que tinha sido à partida forçada mas, o coração da Rússia manteve-se intacto; os líderes comunistas foram julgados apenas pela história, não foram processados, mantiveram os seus lugares no funcionalismo público, não houve uma verdadeira “caça às bruxas”; o partido comunista e seus derivados mantiveram-se legais e a utilização dos seus símbolos nunca foi proibida; a Rússia não pagou qualquer indemnização às vítimas nem foi exigida a restituição de territórios como ilhas Curilhas... Confiando na possibilidade de transformar a Rússia num parceiro fiável houve um investimento de mais de 55 biliões de dólares entre 1992 e 1995 (não contando com ajuda humanitária). Durante algum tempo foi ponderada mesmo a hipótese da Rússia vir a integrar a NATO. Tal hipótese foi depois abandonada mas manteve-se a cooperação a diversos níveis, nomeadamente, no sector de informações militares. Também, a sua integração no G8, decorreu da esperança de poder transformar o gigante russo num bom gigante democrático de liberal, à ocidental… e ignoraram-se os sinais. Ignoraram-se as atrocidades cometidas na guerra da Chechénia; a crescente apetência pelo controle de informação; a crescente tendência autocrática do regime; a desculpabilização e o branqueamento de crimes como a Grande Fome Ucraniana, o massacre dos oficiais polacos em Katyn, a eliminação dos dirigentes do partido comunista polaco (KPP ), em 1938 (nas vésperas do pacto Hitler-Estaline), as deportações nos países Bálticos; a reutilização do hino soviético; os novos manuais de história… todos esses sinais foram ignorados em nome dos bons negócios.
E agora falamos de humilhação. Qual humilhação? __________________ A Rússia, que escapou às sanções da U.E., sente-se em posição de força: mantém a ocupação de posições em solo da Geórgia e contínua a criar zonas tampão em redor da Osséssia do Sul e da Abecásia – na prática procede ao “ermamento” da região - e a impedir que os refugiados regressem. Na Ucrânia agudiza-se a crise política. Em consequência da degradação do relacionamento entre o Presidente e a primeira-ministra (acusada de ser pró-Moscovo) a coligação governamental esfumou-se. O Parlamento esvaziou o Presidente de poderes e, este ameaça, agora, retaliar com a sua dissolução. As sondagens indicam que se as eleições fossem hoje o partido do presidente perderia votos ficando sem a maioria tangencial de que dispõe.
"As tropas russas que se encontram ainda na Geórgia estão a tentar impedir que milhares de refugiados voltem às suas casas, de acordo com uma autoridade georgiana." As tropas russas continuam a procurar minar a estrutura do poder em Tbilisi para desta forma atingir um dos seus objectivos estratégicos: derrubar o governo georgiano. Ora, as condições de vida a que os "deslocados" estão sujeitos são um excelente fermento para minar qualquer poder democrático por dentro. Milhares de pessoas já tinham sido vítimas da limpeza étnica que obrigou a que muitas famílias georgianas que residiam na Abecásia e na Osséssia do Sul se tivessem tornado, nos anos 90, "pessoas deslocadas internamente", isto é, pessoas que não podiam voltar à sua casa, à sua terra. Agora, acrescentaram-se mais de uma centena de milhar que estão, compreensivelmente, desejosos de voltar às suas casas mas, irão encontrar casas destruídas e saqueadas... quando forem autorizadas a voltar. A comunidade internacional tem o dever de ajudar na reconstrução mas, mais do que isso, tem o dever de não se conformar com estes "desloca[liza]dos", e de não deixar que a sua situação se perpétue (como, aconteceu no passado). Relacionado: Recordações da Abecásia Ver fotos de Gori (aqui e aqui), refugiados. Ver imagens de satélite que provam os incêndios e a destruição aqui, aqui e aqui (HRW). Mapa dos fogos activos até 22 de Agosto, ou seja muito depois do cessar-fogo. Pilhagens e destruição de aldeias na Geórgia (foto-galeria)
[documentário sobre o breve período da independência da Geórgia entre 1918 e 1921]
O “eterno retorno” ... contudo, nada se repete, cada momento é único. Os ingredientes para o conflito geórgiano não estão na América, são anteriores a ela. Claro, está que a vontade de ver na Rússia num "parceiro de confiança", e a subvalorização das tensões e sensibilidades desmpenhou um papel neste conflito. A Geórgia foi um Estado soberano durante centenas de anos, mas a política expansionista da Rússia no reinado de Catarina a Grande forçaram-na a tornar-se num protectorado (Tratado de Georgievsk, 1783). Em 1918, a República Democrática de Geórgia tornou-se, de novo, um país soberano. Em 1920, a Rússia reconheceu a sua independência mas… em Fevereiro de 1921, o Exército Vermelho invadiu a recém-criada Geórgia. Objectivo: derrubar o Partido Social Democrata (Menshevik) e substituí-lo por um regime Bolshevik afecto a Moscovo. Sob o pretexto de ”auxílio” à rebelião dos camponeses e trabalhadores*, os líderes Bolsheviks, de origem georgiana, que não tinham tido o apoio do seu povo (J. Estaline e S. Ordzhonikidze] tomaram pela força o poder.
Em 25 de Fevereiro foi declarada a República Socialista Soviética da Geórgia, o resto do país levou ainda três semanas a cair pois, ao contrário de outras regiões do Cáucaso, o partido comunista não tinha apoios na Geórgia e, foi preciso fomentar revoltas (na Osséssia do Sul, por exemplo) e outros incidentes para finalmente, expandir o império soviético.
* Na era soviética o “auxílio” era um pretexto muito em voga para as intervenções. No Báltico, no leste da Polónia, na Bessarábia … sempre a preocupação humanitária, a mesma solidariedade internacionalista…
Há silêncios que dizem muito mais do que mil palavras.
Estou a falar do silêncio da China (mas poderia igualmente pensar na Índia ou do Brasil) ,relativamente, ao conflito entre a Geórgia e a Rússia. O incómodo chinês é notório. Apelou à resolução pacífica do conflito, eventualmente expressará “compreensão” mas dificilmente poderá ir mais além. O caso abre a caixa de Pandora que a China tanto tem evitado. A China tem razões para se “preocupar” com o reconhecimento da Osséssia do Sul e da Abecásia por Moscovo.
A China, está numa posição incómoda.. Por outro lado, compreende as razões de queixa de Moscovo no que toca à desconfianças em relação às revoluções rosa, laranja… e não pretende alienar futuros negócios do petróleo/gás. Mas, a China tem as suas próprias disputas territoriais com a Rússia e, além disso,tem o caso de Taiwan e, está ainda a braços com a questão do Tibete, entre outras.
Á China interessa-lhe manter uma certa distância em relação às acções de Moscovo, até para não mostrar ao Mundo, que ainda não está em posição de decidir verdadeiramente.
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"Russia suffered a significant setback here Thursday as members of a regional security group in which the Kremlin plays an important role offered little support for Moscow's military action in Georgia."
International Herald TribuneLer texto integral
A decisão de reconhecer a independência da Osséssia do Sul e a Abecásia anunciada por Medvedev não foi uma surpresa. Surpresa, foi para os mais distraídos (entre os quais me incluo) a reacção de lançar contra a Geórgia o 58º exército. A partir desse momento, sabendo que a guerra estava vencida, a Rússia iria exigir o seu quinhão. Idealmente, a Rússia pretenderia o controlo dooleoduto e, a substituição das autoridades georgianas por outras que lhe fossem mais próximas e que não tivessem a veleidade de pretender aderir à U.E. ou, pior ainda, à NATO. Penso que ainda não desistiram totalmente deste objectivo e, não posso deixar de me lembrar que o anterior presidente georgiano –Shevardnadze– foi vítima de vários atentados, que o actual presidente ucraniano sobreviveu a uma tentativa de envenenamento, enfim, coisas que acontecem… de qualquer forma, e de acordo com a justificação escolhida para a intervenção, e com a aparente vitória da “linha dura” era natural que Moscovo viesse a fazer finca pé destas independências.
Ao fazê-lo desta forma cria vários problemas, internos e externos. A Rússia é um mosaico de povos. Dentro das suas fronteiras existem muitas comunidades que até agora viram negados os seus sonhos de independência por vezes, com uma brutalidade imensa. E agora, subitamente, a Rússia reconhece estes enclaves como Estados independentes…Os chechenos, e outros povos, irão certamente perguntar-se se não deverão erguer de novo a bandeira da independência.
Externamente*, o Kosovo (Sérvia**) , a Somalilândia (Somália), o Transdniester (Moldávia), a república de Nagorno-Karabakh (Azerbaijão), a república Árabe Democrática do Sahrawi Marrocos), Chipre norte (Grécia), Taipé (China), Estado Palestinano (Israel). E estes são apenas alguns, a que se poderiam juntar muitos outros a começar pelo Tibete… o reconhecimento do Kosovo e, agora da, Osséssia do Sul e Abecásia corresponde à abertura de uma caixa de Pandora que ninguém quer de facto abrir. Por isso, as probabilidades destes territórios serem internacionalmente reconhecidos a curto prazo, parece-me escassa. Na prática, o que vai acontecer é uma espécie de anexação encapotada que já existia dado que a maioria dos cidadãos destes territórios têm passaporte russo.
Mesmo admitindo que estes territórios reúnem as condições necessárias para serem reconhecidos como Estados soberanos (o que pela sua população, território e recursos é muito duvidosos e, comparativamente, as dúvidas relativas à viabilidade do Kosovo ficam esbatidas) resta saber quais os países que estariam dispostos a aceitar a aceitar esta violação do território da Geórgia, tendo em conta que alguns destes países têm problemas semelhantes, nos seus próprios territórios e, que não gostariam de ver abertos precedentes.
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* as comunidades russas residentes no estrangeiro irão ser consideradas potenciais ameaças o que constituirá um factor de agravamento das tensões regionais (ver arquivo do blogue).
** Belgrado é uma das vítimas deste conflito. A sua posição fica muito fragilizada dado que as comparações são inevitáveis. Belgrado, que contava com o apoio da Rússia na questão do Kosovo ao mesmo tempo que pretendia aderir à U.E., terá agora que se definir.