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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pesos e medidas



«Questionado sobre o facto de o Brasil ter reconhecido as eleições no Irão e não o voto nas Honduras, Lula da Silva afirmou que «os dois casos são completamente diferentes», já que as eleições iranianas «não violaram a constituição» e as das Honduras foram feitas «por um golpe repudiado por todo o mundo». in, Sol
A única conclusão que consigo tirar destas palavras é que existem "boas" e "más" ditaduras, e que as prisões arbitrárias, as violações dos direitos humanos, as restrições às liberdades civis nas Honduras são "más" mas, as condenações à morte, as perseguições políticas e religiosas, as limitações à liberdade de imprensa ... no Irão são justificáveis e, portanto "boas" e venha de lá um abraço ao "amigo" Ahmadinejad, precisado que está de apoio para o seu programa nuclear "para fins pacíficos"...

Aliás, ou me engano muito ou o próprio Zelaya se preparava para violar a constituição do seu país ao recandidatar-se ao cargo de presidente... esta foi de resto a argumentação dos juízes do Tribunal Constitucional hondurenho.... pelo que se pode depreender que também em matéria de violações da constituição umas são "boas" outras não...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Presidentes para sempre

Na América Latina os presidentes eleitos, da esquerda à direita, vêm para ficar ,mesmo que para isso tenham que mudar as regras do jogo político. Venezuela, Colombia, Honduras três países, três orientações políticas diferentes a mesma vontade de transformar um mandato transitório em algo mais ... duradouro.
Carlos Menem (Argentina) foi o precursor deste movimento. Não contente o limite de mandatos imposto pela constituição alterou-a e, assim, manteve-se no poder entre 1989 a 1999. Outros lhe seguiram o exemplo, Alberto Fujimori, no Perú; Hugo Chávez, na Venezuela; Daniel Ortega, na Nicaragua...e até Fernando Henriques Cardoso todos almejaram forçar os limites do constitucionalmente estabelecido.
Também no caso honduranho, o presidente, Manuel Zelaya, pensou poder cavalgar livremente os ventos da popularidade para se perpétuar no poder. Aparentemente tribunais e exército cortaram cerce essa tentativa. Mas, como se vê na imagem, contra ventos e marés, os seus apoiantes teimaram em prosseguir com o referendum na data marcada (ontem).