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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

FMI: salvação ou ilusão?


"A entrada do FMI, se nos dá alívio financeiro, não é líquido que dê origem a medidas estruturais que garantam um futuro, qualquer futuro, que não nos atire para uma mediocridade pantanosa. Os nossos “salvadores” do FMI são relativamente indiferentes a isso, e hoje, diferentemente da vez anterior, querem mais “salvar-nos” pelas consequências sistémicas, do que pelos nossos lindos olhos europeus. Ou seja, tudo o que possa ser feito para evitar o desembarque na Portela do FMI deve ser feito, mesmo com este governo que nos coube em desgraça, abaixo de tudo o que se move à superfície da terra. Incluindo os cães." in, ABRUPTO

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Negócios da China?

"Coming out of the crisis, China wants to forge a new phase of globalisation where many of the roads – financial, commercial and perhaps eventually political – converge on Beijing. China is not seeking a rupture with the international economic system (although some foreign companies are fearful of a technology grab). But it is looking to mould more of the rules, institutions and economic relationships that are at the core of the global economy. It is trying to forge post-American globalisation." in, FT

É isto que me preocupa quando vejo a forma como questões centrais são ignoradas (direitos humanos, direitos dos trabalhadores, ambiente, liberdade de informação...) em troca de negócios que a curto prazo parecem "da China" mas, que no longo prazo poderão implicar cedências que ponham em causa conquistas civilizacionais.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A ilustração

A desorientação da Comissão Europeia, as hesitações dos líderes europeus, a incerteza quanto ao futuro imediato de Portugal e de outros países da zona euro neste cai-não-cai...
O regozijo de quem suspirou de alívio na quarta-feira e, a angústia antes do leilão...
A ilustração do que acontece quando um país fica refém dos credores, precisando de ser resgatado.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O dilema


"Europe needs growth to prevent a disorderly collapse of the euro area. The stringent cost-cutting measures that the EU and the International Monetary Fund are imposing on countries such as Greece and Ireland are, in principle, the right way to get a handle on their debt. However, these measures also strangle an economy. Higher taxes mean people have less money to spend. If the government cuts spending it cannot make investments to stimulate growth. This creates huge difficulties for the governments concerned: If people cannot see the light at the end of the tunnel they will start to withdraw their support for reforms. In the interests of Europe as a whole, Germany should do all it can to bolster growth -- at home and in Europe. Germany should, therefore, postpone its austerity strategy."
Nouriel Roubini ao Der Spiegel

Ou, como curar um doente sem o matar da cura...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Que fazer com esta crise?

Num dia, em que o Der Spiegel, publica um artigo com perspectivas pouco animadoras para Portugal (embora também enumere alguns factores de esperança), publico um quadro resultante de um estudo que compara a manutenção das taxas de juros elevadas sobre a dívida pública dos países em dificuldades, mesmo com recurso a medidas de austeridade e, os efeitos que juros mais favoráveis teriam... Nesta segunda hipótese, a dívida pública começaria a declinar a partir de 2015.
Segundo este estudo, os efeitos de uma política mais "benévola" para traria igualmente vantagens para a Alemanha e para os outros países credores.
Ver, Brussels blog

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Polvo que nos consome


No mais recente relatório da Transparência Internacional, Portugal tem a duvidosa honra de se encontrar entre os países da OCDE que menos têm feito no combate à corrupção.
O relatório é demolidor.
Transcrevo apenas dois excertos da página 55:

"Inadequacies in legal framework: A key inadequacy in the legal framework lies in the amount of separate laws dealing with corruption-related issues, originating with a confusing web of intercepting articles that provide for interpretation issues and a lack of easy-to-understand mechanisms that can ultimately lead to legal uncertainty.
Inadequacies in enforcement system: The main flaw is the lack of resources for the judiciary police to conduct financial and other investigations. Other key reasons for unsuccessful enforcement are a lack of coordination between investigating police organs and the Prosecutor’s Offi ce and a lack of specialised in-service training of inspectors / investigators. There is also inadequate protection for whistleblowers and insuffi cient awareness-raising about the foreign bribery prohibition. Authorities notice a slight improvement in mutual legal assistance due to increasing harmonisation through European legal instruments, such as the European Arrest Warrant, the creation of Joint Investigation Teams and the Schengen Agreement."

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Muito mais que futebol ....

"WATCHING Spain penetrate the Portuguese defence for a 1-0 victory in the World Cup this week was clearly too much to bear. On June 30th, to prevent Spain’s Telefónica seizing full control of Vivo, a valuable Brazilian mobile asset it jointly owns with Portugal Telecom, Portugal’s government used its golden share in the national telecoms operator to block the Spaniards’ attack. For shareholders in Portugal Telecom, the government has now become their arch-enemy." in, The Economist
"José Sócrates, Portugal’s prime minister, has stoutly defended his use of a “golden share” to block Telefónica’s €7.15bn offer to buy Portugal Telecom out of Vivo, their Brazilian mobile phone joint venture." in, Financial Times
O duelo Portugal - Espanha pela VIVO tem enchido os jornais económicos. A "acção dourada" alimenta a imaginação e a indignação dos observadores. Em pano de fundo nesta disputa ibérica pelos mercados o Brasil e a América Latina.
Um jogo que parece longe do apito final.

domingo, 13 de junho de 2010

Che sera sera

"Quem canta seus males espanta" assim, rezava a sabedoria popular, muito antes do futebol espectáculo ter descido às televisões.

Nada como uma boa jogada de secretaria ou, um campeonato do mundo para fazer esquecer o quotidiano enfadonho e quantas vezes insustentável.

Neste ano da graça de 2010, joga-se o campeonato do mundo, num país lindíssimo que quase parece isento de problemas enfim … uns bairros de lata, miséria q.b., violência, percentagem assustadora de seropositivos e muitas vuvuzelas para atenuar o clamor das multidões.

O futebol, um dos expoentes da indústria do entretenimento capaz de gerar formidáveis receitas, conseguiu ultrapassar as fronteiras geográficas, culturais, de género. Um jogo que une ricos e pobres na euforia ou, no desespero. Um jogo que iça a bandeira do patriotismo mesmo quando ele anda arredado do dia-a-dia. Um jogo que insufla esperança e auto-estima. Um jogo que torna qualquer lesão numa matéria muito mais escaldante e decisiva que a hipótese de uma bancarrota.

A presença de Portugal – que sigo muito de longe – neste mundial afastou das capas dos jornais e das aberturas dos telejornais a palavra “crise”, e outras igualmente incómodas ”. Agora, o que faz notícia são as conferências de imprensa dos jogadores, a porta do hotel ou, os dramas dos pobres jornalistas que foram assaltados naquela sucursal do paraíso.

Por isso, enquanto durar a presença portuguesa no Mundial, o governo estará quase de férias, a oposição sabendo que o palco lhe escapará, deixa as criticas para melhor altura e, assim, sabendo-se que “enquanto o pau, vai e vem, folgam as costas”, a malfadada crise, a subida de impostos, o desemprego e outras preocupações comezinhas ocuparão um humilde lugar nas preocupações dos portugueses (e doutros povos por esse mundo fora) …pode mesmo acontecer que fiquemos fritos ou assados, mas isso, depois se verá.... che sera sera...

sábado, 12 de junho de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

E você, já se viu grego?

Manifestação de protesto dos funcionários públicos em Atenas

Conseguirá a Grécia evitar a bancarrota? Esta é a questão que cada vez mais se coloca em Bruxelas e nos mercados internacionais.

Se isso acontecer outrosa países poderão, por contágio, seguir-se. Portugal e Espanha estão definitivamente, na "lista negra".

Por isso, não é de estranhar que a situação grega ocupe parte de leão, na entrevista que Van Rompuy deu a quatro jornais europeus.


terça-feira, 16 de março de 2010

Saudade do espanto


Quando já nada nos espanta, nem envergonha então, devemos preocupar-nos.

Vem esta reflexão, a propósito, das contínuas revelações que os jornais fazem sobre os prémios e, demais mordomias dos administradores do sector empresarial do estado.

Em época de crise assumida , de cinto bem apertado para a maior parte das famílias portuguesas, os números, chegam a ser ofensivos do pudor.

O mais estranho é que toda esta situação "pantârosa" se tornou de tal forma costumeira que se entranhou.

Já não suscita clamor, nem indignação. Limitamo-nos a "tomar conhecimento".

Aceitámos. Aceitamos.

Até quando?


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desemprego continua a subir

Fonte: Eurostat

"A taxa de desemprego em Portugal atingiu 10,2 por cento em Outubro, indicam números do Gabinete de Estatística da União Europeia publicados hoje.
Na zona euro, o desemprego manteve-se estável em Outubro face ao mês anterior, situando-se nos 9,8 por cento, a taxa mais elevada desde Janeiro de 1999, adiantam os dados do Eurostat.
Em Outubro de 2008, a taxa de desemprego na zona euro situava-se nos 7,9 por cento.
Nos 27 países-membros da União Europeia, a taxa de desemprego elevou-se para 9,3 por cento em Outubro, contra 9,2 por cento, em Setembro, e 7,3 por cento, em Outubro do ano passado." in. Público

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Crescimento ... anémico


"Growth resumed in the second quarter of 2009, but will remain subdued as private sector deleveraging constrains the recovery. As a result, unemployment is likely to increase to around 10% in 2010. The budget deficit is set to rise further in 2010 and 2011, following a substantial increase in 2009 due to the combined impact of the fiscal stimulus and the recession. Core inflation, after dropping to near zero, may increase rather slowly over the projection period.
Despite anaemic growth, designing and gradually implementing fiscal consolidation is a major priority. Structural reforms to promote competitiveness are key to achieving higher growth through more dynamic exports, while the pursuit of education reform should help foster longer-term potential."

Conclusão do relatório da OCDE sobre Portugal

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ultrapassam os 500 000 ...

"O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 28,7 por cento em Agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e aumentou 1 por cento face a Julho, segundo os dados hoje divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)" in, Sol
Ora aqui estão dados verdadeiramente preocupantes, até porque, apesar do optimismo da aparente recuperação económica, o desemprego vai continuar a subir durante o próximo ano, prevendo-se que se mantenha em níveis elevados. Se as previsões económicas não se confirmarem o desemprego na OCDE poderá mesmo atingir 57 milhões de trabalhadores (650000, em Portugal ou seja, uma taxa de desemprego de quase 11,7%).

Discutir este problema sem cair na tentação das promessas e da demagogia é tarefa difícl até porque estamos em plena maré eleitoral. Já se percebeu que o desemprego será um dossier difícil na próxima legislatura. Governe quem governar, o desemprego estará em cima da mesa. Investimento público, incentivos `s PME's, formação profissional (adequada às exigências do mercado), apoio social aos desempregados... tudo questões a merecer uma ponderada reflexão.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma sombra



Estão são as palavras iniciais de Raul Castro, no seu discurso de 26 de Julho: “estoy seguro de que ninguno de ustedes me puede ver, verán si acaso una sombra; ese soy yo”.
Comemorando o 56º aniversário do assalto ao quartel de Moncada, Raul Castro deixou claro que já não se trata de gritar "...¡patria o muerte! ¡abajo el imperialismo!... Y la tierra ahí, esperando por nuestro sudor...", trata-se de evitar que Cuba continue a gastar "... cientos y miles de millones de dólares..." em alimentos que se podem produzir na ilha.
Cuba importa 80% dos alimentos que consome. Em 2007, metade das terras "nacionalizadas" estava por cultivar. Desde então já foram entregues a cooperativas e camponeses 690 000 hectares (aproximadamente 39% do total da terra inculta), mas apenas uma terça parte estará já cultivada. Por isso, não é para admirar que o líder tenha acabado por afirmar: "Aquí no sobra nada, sólo problemas".
De facto, incapaz de proceder a reformas estruturais e esmagado pelos efeitos dos ciclones que se abateram sobre a ilha provocando prejuízos na ordem dos 10 milhões de dólares, Raul Castro enfrenta agora, os números adversos do crescimento económico que foram oficialmente revistos em baixa de 6,5% para 2,5% (embora, economistas independentes creiam que houve efectivamente um crescimento negativo).

sábado, 25 de julho de 2009

O fundo do túnel ou, coisa pior?

Por mais que os responsáveis políticos deste país se afadiguem a proclamar o fim da crise, a verdade é que poucos parecem acreditar nisso. As conclusões de um inquérito divulgado ontem por Bruxelas parecem comprovar isso mesmo. De resto, a crise que foi declarada "finada" em Portugal antes de surgir para o Mundo e que depois disso, tardava em chegar mas que quando chegou fez estragos, essa crise já foi de novo ultrapassada... resta saber se a luz ao "fundo do túnel" não será a própria "boca do dragão"....

terça-feira, 30 de junho de 2009

E se Madoff fosse português?

via, Time Magazine

A primeira constatação é que ele continuaria a guardar julgamento. Talvez, até nem nunca chegasse a ser julgado. Provavelmente, concluir-se-ia que nada se podia concluir e o caso seria arquivado depois de muitas capas de jornais e, outras tantas reportagens explosivas. Mas, se caso fosse julgado quais seriam as acusações? “Roubalheira” ? Abuso de confiança? Qual a pena que daí poderia resultar? 15 anos? 8 anos? Bom, atendendo à idade, ao “bom comportamento” etc., etc., poderíamos esperar que completasse os noventa anos (os julgamentos tardam em concluir-se) tranquilamente, numa bonita residência em Sintra, Cascais, sei lá!...

Nada melhor que esperar para ver o que acontece aos nossos sucedâneos de Madoff.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Diamantes de sangue

Zimbabué - 2006
A Human Rights Watch, acusa as autoridades do Zimbabué de tomarem pela força a exploração e o comércio dos diamantes da região de Marange. No final do ano passado, polícia e exército, teriam massacrado mais de 200 pessoas e, estão a aproveitar a mão-de-obra escrava de mulheres e crianças para prosseguir o trabalho. Os diamantes, são depois enviados para Moçambique e África do Sul, onde são comprados por belgas, israelitas, libaneses, chineses ... Os lucros deste comércio são, finalmente, canalizados para os dirigentes da Zanu-PF, de Mugabe.
Zimbabué, Líbano e Venezuela desempenham um papel crucial na comercialização dos chamados, "diamantes de sangue" esta é, a conclusão de uma reunião realizada na Namíbia, na semana passada, estes países foram acusados de "furar" a cooperação internacional contra o tráfico de pedras preciosas em bruto.
Os comerciantes libaneses instalados na costa ocidental de África, servem-se dessa plataforma para dar cobertura, através de falsos certificados de origem, às pedras provenientes da Serra Leoa, Libéria, Gâmbia, Mali. Os diamantes são depois comercializados a partir do Líbano.
Finalmente, a Venezuela, que se retirou provisoriamente do processo de Kimberley. As pedras são, agora, contrabandeadas através do Brasil e da Guiana sendo impossível atribuir-lhes um certificado de origem.
Guerra, escravatura, corrupção (com todo o cortejo de males associados) esta é a dura realidade de um comércio altamente lucrativo e capaz de justificar o emprego de todos os meios.

domingo, 28 de junho de 2009

Diálogo Socrático

"Socratic dialogue", é o título de um artigo que a revista The Economist, publicou em finais de Abril. Um artigo que reflecte sobre a situação económica e, política de um país (o nosso) em que o primeiro-ministro aparece enredado "numa campanha negra" e, que mesmo assim, se arrisca a ser favorito (estávamos em Abril) nas eleições de Outubro.
Dois meses depois ainda vale a pena ler.

"A lousy economy, glum voters—yet the prime minister may still win in October

THE Portuguese are among the glummest people in Europe. According to a Eurobarometer poll, 92% see the economic situation as bad; fully 95% are depressed about their job prospects; and over half are “dissatisfied with the life they lead”. Within the European Union, only easterners from Hungary and Bulgaria are similarly morose. Why the pessimism?" Ler na íntegra

terça-feira, 23 de junho de 2009

O reverso da promessa


"A Pioneer Technology Portugal quer encerrar a fábrica do Seixal, devido à constante queda da produção agravada pela crise internacional. O fecho da unidade irá afectar 127 trabalhadores efectivos." in, Público