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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Presidentes para sempre

Na América Latina os presidentes eleitos, da esquerda à direita, vêm para ficar ,mesmo que para isso tenham que mudar as regras do jogo político. Venezuela, Colombia, Honduras três países, três orientações políticas diferentes a mesma vontade de transformar um mandato transitório em algo mais ... duradouro.
Carlos Menem (Argentina) foi o precursor deste movimento. Não contente o limite de mandatos imposto pela constituição alterou-a e, assim, manteve-se no poder entre 1989 a 1999. Outros lhe seguiram o exemplo, Alberto Fujimori, no Perú; Hugo Chávez, na Venezuela; Daniel Ortega, na Nicaragua...e até Fernando Henriques Cardoso todos almejaram forçar os limites do constitucionalmente estabelecido.
Também no caso honduranho, o presidente, Manuel Zelaya, pensou poder cavalgar livremente os ventos da popularidade para se perpétuar no poder. Aparentemente tribunais e exército cortaram cerce essa tentativa. Mas, como se vê na imagem, contra ventos e marés, os seus apoiantes teimaram em prosseguir com o referendum na data marcada (ontem).

terça-feira, 13 de maio de 2008

Um Mundo a Preto e Branco


A chanceler alemã, Ângela Merkel, tornou-se no mais recente alvo de Hugo Chavez depois de no passado domingo, no seu programa de televisão semanal, “Alô Presidente”, ele ter afirmado que Merkel era uma descendente política de Hitler.

Estas afirmações, feitas em vésperas da cimeira entre a Europa e a América Latina (que se realizará no Peru), obrigaram Durão Barroso, na sua qualidade de presidente da Comissão Europeia a uma defesa da chanceler alemã. Durão Barroso, veio dizer que “os discursos inflamatórios, populistas e agressivos” do presidente Chavez não contribuem para o esforço de cooperação entre a EU e a América Latina.

Ângela Merkel, terá provocado a ira do presidente venezuelano quando disse que “O Presidente Chavez não fala pela América Latina. Cada Estado tem a sua própria voz e os seus interesses.” A longo prazo, referiu ela, a Venezuela não poderá impedir uma aproximação entre a EU e a América Latina.

Por um lado, vindas de quem vêm estas polémicas afirmações não representam um choque antes fazem parte de um padrão bem estabelecido e, como tal, têm sido desvalorizadas pela imprensa e pelas autoridades alemãs mas, podem ser um entrave para a cooperação entre as duas regiões. Muitas pesssoas, em Caracas, La Paz, Lima, Brasília prefeririam cooperar com Madrid, Lisboa, Paris ou Berlim, a fazê-lo com Wasshington.

Se não fosse esta lamentável sede de protagonismo do presidente Venezuelano, poder-se-ia discutir de que modo o as políticas económicas neo-liberais arrastaram para a pobreza milhões de pessoas nas últimas décadas e, de que forma a intervenção do Estado poderia regular uma melhor distribuição de riqueza assegurando-lhes a qualidade de vida (começando pelos mais direitos básicos) que efectivamente, não têm.

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Enquanto isto, José Sócrates partiu para a Venezuela em visita oficial acompanhado por 80 empresários de diversos sectores. Saber mais...


domingo, 2 de março de 2008

Seis anos de cativeiro

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« Eu sinto que a vida dos meus filhos está em stand by, na esperança de que eu seja libertada, e o seu sofrimento diário faz com que a morte me pareça uma opção doce. » Estas palavras fazem parte de uma das últimas cartas escritas ao seu marido. « Não tenho vontade de nada e creio que essa é a única coisa boa : não ter vontade de nada. » Sobre o local onde está presa, na floresta colombiana, escreve : « uma manhã chuvosa como a minha alma. » Diz ainda : « …estou fatigada de sofrer, de transportar em mim este sofrimento todos os dias, de mentir a mim própria e de ver que cada dia é igual ao inferno da véspera.»



Estado de saúde preocupante

Os quatro reféns libertados na semana passada trouxeram notícias preocupantes sobre Ingrid Bettencourt. Gravemente doente com hepatite B, acorrentada e rodeada de pessoas "que não lhe tornam a vida fácil".
As FARC exigem a troca de um grupo de quarenta reféns, entre os quais Ingrid Bettencourt, contra a liberdade de 500 guerrilheiros.
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A morte do porta-voz das FARC, Raúl Reyes (aliás, Luis Edgar Devia) ontem, na fronteira com aselva equatoriana, poderá ter vindo complicar a libertação dos reféns. Leia as reações antagónicas provocadas por esta notícia: El Tiempo (Colombia) e também aqui.
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Slideshow sobre Ingrid Bettencourt

domingo, 27 de janeiro de 2008

Liberdade? Democracia?

Há textos que não nos deixam margem para dúvidas.

De entre muitos outros textos que nos permitem aferir da qualidade da democracia e dos ideais democráticos no séc. XXI, não resisti a fazer a transcrição livre, a partir, do espanhol de parte um texto, sobre a
comunicação, de Ivan Bravo:

“Estávamos todos [o autor, a directora da Rádio Nacional da Venezuela, estudiosos da comunicação] para compartilhar critérios que contribuem para avaliar e propor políticas comunicacionais no Governo revolucionário que lidera o comandante Hugo Chavez.
Para mim, como factor primordial para um governo revolucionário que se empenha na construção do socialismo do séc. XXI, a partir da gestão da cultura, entendo que o compromisso da comunicação é prioritário. Sobretudo quando entendemos que uma comunicação em revolução é uma comunicação em guerra, é uma comunicação que a artilharia do pensamento [a imprensa], os meios rádio eléctricos e todos os interfaces electrónicos e de satélite formam parte das armas da luta de classes, para a definição de hegemonia.
[…]
… Na batalha da comunicação, o desafio está em conseguir os espaços que hegemonicamente pertencem ao bando inimigo, ao bando da dominação capitalista. Para isso é preciso produzir conteúdos humanistas, de valores socialistas, de ética de anti-exploração e anti-capitalismo.
[…]
Comunicação e cultura em revolução são a estratégia para alcançar o suporte espiritual e o sentido do socialismo no séc. XXI. […]”




Este texto é, apenas, um exemplo entre muitos outros possíveis de como a comunicação e a gestão da cultura se fazem de forma inteiramente assumida, para alcançar objectivos políticos. O que mais choca é o seu carácter belicista. Trata-se de “uma guerra”: há “armas”, “artilharia”, "batalhas" e“bandos de inimigos”.
Que democracia poderá estar subjacente a uma “revolução” destas?
Aqui, quem detém o poder detém-no absolutamente, sem partilha porque só os “bandos inimigos” poderão contestar esta retórica. Esta apetência pelo controle dos media é de resto uma das imagens de marca das ditaduras (de todas as cores, em todas as épocas). Tudo o que é publicado tem que obedecer a um guião, só assim se garante o unanimismo, só assim se garante a perpetuação no poder a todo o custo. Não há que olhar a meios. Os opositores perderam a sua “humanidade” ao tornarem-se “bandos de inimigos”, logo tudo é legítimo (fazê-los reféns, aprisioná-los, torturá-los ou, simplesmente, assassiná-los). Culpados, antes de o serem, os adversários políticos, são alvos a abater.
Esta lógica justifica o injustificável, o inaceitável em nome do humanismo e da democracia...

Nesta comunicação “revolucionariamente empenhada” não pode haver espaço para o risco do improviso do “homem da rua”, prova disso mesmo é a forma como na China se conduzem as entrevistas previamente ensaiadas e com script ...
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Post-scriptum: sobre este tema, numa perspectiva mais europeia, veja-se, “A Arte de mentir”, de António Barreto no sorumbático.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Histórias da Guerra Suja

Uma das histórias que tenho acompanhado com interesse nos últimos meses é a saga dos prisioneiros das FARC. Esta semana, o Der Spiegel (na sua versão inglesa) dedicou a sua atenção a este tema publicando uma entrevista com um ex-guerrilheiro que declara que o que move as FARC não é a ideologia mas o dinheiro; um outro artigo é dedicado aos familiares de Ingrid Bettencourt e à longa e desesperante espera desta família, apenas uma das centenas de famílias que vivem no seu quotidiano um drama interminável, um luto pelos entes queridos vivos, que se crêem vivos, e que tal como Ingrid vão definhando num cativeiro cujo único sentido é o de serem utilizados como escudos vivos nas operações militares.





Não deixa de ser lamentável o à vontade e a sem vergonha, com que esta organização tem sido convidada a participar na festa do Avante. Veja-se este artigo publicado no Avante e tiram-se as devidas ilações não só sobre a referida festa mas, sobretudo, sobre apatia com que a sociedade portuguesa recebe tais "convidados" que em muitos outros lugares seriam indiscutivelmente "persona non grata".