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domingo, 13 de junho de 2010

Che sera sera

"Quem canta seus males espanta" assim, rezava a sabedoria popular, muito antes do futebol espectáculo ter descido às televisões.

Nada como uma boa jogada de secretaria ou, um campeonato do mundo para fazer esquecer o quotidiano enfadonho e quantas vezes insustentável.

Neste ano da graça de 2010, joga-se o campeonato do mundo, num país lindíssimo que quase parece isento de problemas enfim … uns bairros de lata, miséria q.b., violência, percentagem assustadora de seropositivos e muitas vuvuzelas para atenuar o clamor das multidões.

O futebol, um dos expoentes da indústria do entretenimento capaz de gerar formidáveis receitas, conseguiu ultrapassar as fronteiras geográficas, culturais, de género. Um jogo que une ricos e pobres na euforia ou, no desespero. Um jogo que iça a bandeira do patriotismo mesmo quando ele anda arredado do dia-a-dia. Um jogo que insufla esperança e auto-estima. Um jogo que torna qualquer lesão numa matéria muito mais escaldante e decisiva que a hipótese de uma bancarrota.

A presença de Portugal – que sigo muito de longe – neste mundial afastou das capas dos jornais e das aberturas dos telejornais a palavra “crise”, e outras igualmente incómodas ”. Agora, o que faz notícia são as conferências de imprensa dos jogadores, a porta do hotel ou, os dramas dos pobres jornalistas que foram assaltados naquela sucursal do paraíso.

Por isso, enquanto durar a presença portuguesa no Mundial, o governo estará quase de férias, a oposição sabendo que o palco lhe escapará, deixa as criticas para melhor altura e, assim, sabendo-se que “enquanto o pau, vai e vem, folgam as costas”, a malfadada crise, a subida de impostos, o desemprego e outras preocupações comezinhas ocuparão um humilde lugar nas preocupações dos portugueses (e doutros povos por esse mundo fora) …pode mesmo acontecer que fiquemos fritos ou assados, mas isso, depois se verá.... che sera sera...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Da necessidade do sal


O processo "face oculta" tem dominado as notícias, e os "mentideros" nas últimas semanas. Mais uma vez, a justiça anda nas bocas do mundo. Regressaram as insinuações de a mão da justiça seria conduzia por ínvios interesses, cujo propósito último visaria atingir figuras do Estado... ora, eis senão quando, um dos nomes mais badalados deste processo vem confessar que recebeu "uma caixinha de robalos". Realmente, esta questão das sucatas cheirava mal desde o início. Está explicado: robalo foi deixado sem sal e, corrompeu-se...

Já Vieira, o visonário e grandiloquente pregador jesuíta, proclamara no seu sermão de Santo António aos Peixes que, "o sal como vós [peixes], tem duas propriedades, [...]: conservar o são e preservá-lo para que não se corrompa." Poderíamos nós, hoje, volvidos que são quatrocentos anos, reler o seu sermão à luz da actualidade? Digamos que a Justiça dos Homens procura separar os bons, dos maus peixes, louvando nuns as virtudes e noutros os vícios. E se isso fosse feito assim, em que cesta caberia o robalo, o singelo robalinho?
Vejamos o que diz a sempre prestável e sapiente wickipedia:
"Alimentam-se de pequenos peixes e crustáceos, especialmente camarões e caranguejos.
Gostam de águas calmas, barrentas e sombreadas, e ficam próximos ao fundo."
Ora, nem mais. Era o que já se desconfiava!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ultrapassam os 500 000 ...

"O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 28,7 por cento em Agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e aumentou 1 por cento face a Julho, segundo os dados hoje divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)" in, Sol
Ora aqui estão dados verdadeiramente preocupantes, até porque, apesar do optimismo da aparente recuperação económica, o desemprego vai continuar a subir durante o próximo ano, prevendo-se que se mantenha em níveis elevados. Se as previsões económicas não se confirmarem o desemprego na OCDE poderá mesmo atingir 57 milhões de trabalhadores (650000, em Portugal ou seja, uma taxa de desemprego de quase 11,7%).

Discutir este problema sem cair na tentação das promessas e da demagogia é tarefa difícl até porque estamos em plena maré eleitoral. Já se percebeu que o desemprego será um dossier difícil na próxima legislatura. Governe quem governar, o desemprego estará em cima da mesa. Investimento público, incentivos `s PME's, formação profissional (adequada às exigências do mercado), apoio social aos desempregados... tudo questões a merecer uma ponderada reflexão.

domingo, 17 de maio de 2009

O Boletim da harmonia celestial

Clique, na imagem, para aceder à versão pdf.
O situacionismo no Seixal está cristalizado no seu Boletim Municipal.
Em vésperas de eleições autárquicas, as páginas do B.M. transformam-se numa espécie de catálogo de promessas prontas para agradarem a tudo e a todos. Muitas não passarão do papel, isto é, à semelhança do que aconteceu no passado não passarão de "estudo prévio", "plano de pormenor", "projecto" ou "candidatura". A experiência diz-me que nada, absolutamente nada, do que é prometido está garantido.
O Boletim Municipal, é o veículo privilegiado das miragens eleitoralistas do PCP. Uma leitura atenta do último (n.º 504) é reveladora. Anunciam-se investimentos e equipamentos. Sucedem-se em todas as páginas as boas-novas: recuperação do património, criação de áreas de lazer, equipamentos colectivos, feiras, encontros ... um nunca acabar de benesses destinadas a captar a atenção dos municípes e, transformá-los em clientes, digo em eleitores... De facto, sem contraditório todas as obras parecem as melhores.
Leia-se o B.M. de fio a pavio, nenhuma sombra de de critica. Apenas, um desfilar de auto-satisfação.
Veja-se a "reportagem" sobre a Assembleia Municipal:
Foram apresentadas e aprovadas duas moções do PCP, da terceira não reza a história. Não se lhe conhece nem autor, nem tema percebe-se apenas, que foi "chumbada".
Todas as intervenções das oposições se resumiram a "questões" ou "pedidos de esclarecimento". Quem ler a página 6, não encontra qualquer vestígio de critica. A oposição, na óptica do B.M., limita-se a interrogar, a expressar o seu desconhecimento. Já o presidente da autarquia, esse, perora incansavelmente para esclarecer uma oposição que desconhece tudo, até as mais estafadas respostas do executivo.
Lendo o Boletim Municipal, só posso concluir que a Assembleia Municipal foi mais um interminável e entediante exercício de política autárquica.
O Boletim Municipal, tem como função não deixar transparecer nenhuma critica ao modelo de crescimento adoptado por um executivo que tem governado em maioria absoluta há mais de três décadas. Sim, um concelho governado pelo PCP tem forçosamente que ser "o melhor dos concelhos possíveis", logo, não há lugar a critica. Num paraíso comunista, como o Seixal, o conhecimento está reservado ao poder tal como lhe está reservado o direito de criticar o ameaçador "mundo exterior" onde as sombras do "poder central" e do "neo-liberalismo" entre outros papões, se conjuram para fazer fracassar os planos e os projectos laboriosamente concebidos pela autarquia.
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Esta notícia nunca seria publicada pelo B.M.:
"O Tribunal da Relação de Lisboa deu razão ao recurso interposto pela Câmara do Seixal contra o pagamento de uma indemnização de 250 mil euros aos pais de uma criança de quatro anos que morreu numa caixa de esgoto em 1999. Os juízes alegaram que o Tribunal do Seixal não tinha competência para atribuir a indemnização." in, Correio da Manhã

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Bairro do desespero


Dois conselhos me deram quando, em 1995, trabalhei no Bairro da Bela Vista: deveria evitar os espaços abertos circulando sempre que possível rente aos prédios para evitar ser alvo do lixo que alguns moradores atiram, sem cerimónias, pela janela fora; e, até ser reconhecida deveria fazer-me acompanhar nas minhas deslocações por alguém do bairro ...
O Bairro da Bela Vista é um excelente exemplo do que não deveriam ser os "bairros sociais". Infelizmente, um pouco por todo o lado continuamos a repetir uma experiência que sabemos votada ao fracasso, guetizando populações, mantendo-as em contextos sociais deprimidos e abandonando-as a grupos organizados que as sujeitam a uma violência continuada. Deixámos que o crime tomasse conta das ruas e, no caso do Bairro da Bela Vista, das partes comuns dos prédios, dos pátios ...
A concepção deste Bairro (como de tantos outros) obedeceu à lógica da prateleira: os prédios foram concebidos para esconder os problemas sociais mais, do que para resolvê-los. Desde o início que o empilhamento de pessoas de origens e culturas diversas é um problema real. Desde início que os grupos étnicos obrigados a partilhar os mesmos espaços apesar das rivalidades ancestrais levaram à formação de grupos como estratégia de dupla protecção contra "os do Bairro" e contra todos os outros. Desde início todas as tentativas de integração desta população falharam dado que a única coisa que os ligava era serem provenientes de meios deprimidos.
Sem projecto de vida, sem educação, sem formação social e perseguidos pelo estigma do Bairro (que dificulta o acesso ao emprego, aos empréstimos bancários ...) resta-lhes vegetar na subsídio-dependência ou (para os mais desejosos de qualquer tipo de reconhecimento), na criminalidade. A maior parte da população sente-se refém do Bairro, dos grupos organizados que controlam cada esquina, cada escadaria e sem alternativa perante uma sociedade que sentem como hostil (a língua e a escrita que muitos não dominam é, apenas, um dos factores de desconfiança relativamente à sociedade).

O mais grave, não são os erros cometidos por todos, os que de uma forma ou de outra, contribuíram para que a Bela Vista fosse a realidade que conhecemos. O mais grave, é que depois de conhecidos e analisados os resultados, continuámos a criar bairros que apenas irão esconder os problemas sociais aumentando sempre o fosso entre a sociedade e "os do Bairro", num ciclo de marginalização contínua, em lugar de encontrar alternativas de integração.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

1º Maio - ordem e revolta

1º Maio de 1923 - Lev Kamenev e Leon Trostky na Praça Vermelha

Ensaio do 1º Maio, ontem, na Praça Vermelha

1º Maio - Manisfestação de trabalhadores em França

1º Maio - Berlim
O 1º de Maio é dia de manifestações. Este ano, a crise económica mundial dará origem a muitos protestos mais, ou menos ordeiros, e a alguns violentos. *
E no entanto, há coisas que parecem não mudar. Vejamos as imagens do 1º de Maio em Moscovo. Entre 1923 e 2009 mantém-se o mesmo espírito. Nas imagens e, até nas palavras.
"Russia views an attempt to expel two Russian diplomats from NATO's headquarters in Brussels as "a vulgar provocation," the Foreign Ministry said Thursday."
(texto integral, aqui).
A julgar por pelas demonstrações de força, poderíamos até pensar que a Rússia está a escapar incólume à crise mas, não. A verdade é que a crise está a bater fundo na economia e na sociedade russa, como em outras sociedades, mas os gritos de revolta são bem abafados. A obsessão militarista esconde, mais uma vez, realidades incómodas.



Por cá toda a acção se passa ao almoço ou, depois dele. Veremos...
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A importância de se chamar A (H1N1)



A primeira grande consequência é que deixará de fazer sentido iniciar as postagens com referências mais, ou menos, simpáticas aos suínos. Ao mesmo tempo evita-se que um judeu ou, um muçulmano possam estar com a "gripe suína" ( evitando situações como esta) finalmente, espera-se reduzir o impacto económico ao separar o animal, da doença e dessa forma tranquilizar os consumidores.



A (H1N1) ... não mais poderei associar à gripe, o Speedy Gonzalez! Temia-se que a designação de "gripe mexicana" provocasse reacções xenofóbicas... e já que as consequências económicas são inevitáveis pois, o México, como destino turístico, ficará de quarentena até ao final deste episódio, procurou-se encontrar um nome ... neutro. Excelente escolha: A(H1N1)!

Imagino já as conversas entre um Oseltamivir e, o tradicional chá de mel com limão:
- Então engripado?
- Sim, tenho A(H1N1).

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Ora, cavalgando a onda do politicamente correcto, proponho fazer uma campanha para que a caravela-portuguesa, deixe de ser assim designada, uma vez que, pelas suas propriedades, esta espécie de alforreca é não só perigosa, como potencialmente letal. Nós portugueses nunca deveríamos ter sido associados a este temível ser. Precisaremos de um nome encriptado. Aceito sugestões.
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Interessante artigo sobre a misteriosa origem do vírus pode ser lido no New York Times.
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aqui falei sobre teorias conspiratórias na origem do vírus, eis a lista completa ... entretanto continua a crescer o número de casos.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Esclarecimento

Não, não se trata da "... mordaça que Vital Moreira pretende pôr aos problemas nacionais...”, no dizer de Paulo Rangel.
Nem de uma medida de prevenção contra a gripe, que já chegou à Holanda... e a Espanha também.
Trata-se das novas tendências da moda. Eis, a proposta do criador de moda Dickie Brown para o próximo outono.
Outras propostas igualmente seguras podem ser vistas aqui...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A vulnerabilidade



O Sétimo Selo - o monge ou, a urgência de encontrar culpados

Os vírus Influenza são imprevisíveis porque se alteram muito rapidamente. A estirpe de gripe aviária que provocou a gripe espanhola, em 1918 passou das aves para o homem e mais tarde para os porcos (e outros animais).
A mutabilidade faz com que até os vírus conhecidos sejam imprevísives. Alguns associam-se até com outros, aumentando assim, ainda mais a sua imprevisibilidade. Depois de mudar de espécie hospedeira a influenza pode tornar-se mais, ou menos virulenta antes de estabilizar.

Epidemias de gripe têm sido registadas desde a antiguidade mas, só a partir do século XIX é que foram registadas com fiabilidade. 1889, 1918, 1957 e 1968 foram anos dominados pela pandemia de influenza. Em 1968, morreram 700 000 pessoas em todo o mundo devido à gripe de Hong Kong (a menos mortal de todas). A gripe espanhola, ou pneumónica, terá morto entre 35 e 100 milhões (não há consenso entre os estudiosos da matéria), entre estes contavam-se muitos jovens adultos que normalmente resistem melhor às epidemias.

As epidemias conhecidas comportaram-se como ondas. Chegavam e partiam. Em 1918, a gripe espanhola, teve uma primeira vaga, na Primavera, pouco virulenta. No outono, chegou a segunda vaga, essa sim, verdadeiramente letal que foi, depois, seguida em 1919, por uma terceira relativamente, menos severa.
Os peritos especulam que a baixa letalidade da primeira vaga se deveu ao facto de o vírus não estar ainda totalmente adaptado à espécie humana. À medida que se adaptou tornou-se mais letal. Contudo, há boas evidências de que as pessoas que estiveram expostas ao vírus, na primeira vaga, criaram imunidade.
Esta é uma explicação para o facto de que apenas 2% dos que estiveram expostos ao vírus, em 1918, morreram. A mortalidade foi mais elevada em comunidades muito isoladas que não tiveram qualquer contacto com vírus deste tipo.
Fonte: New York Times

Não deixa de ser curioso como o Homem no século XXI, por detrás de toda a sua tecnologia se sinta tão vulnerável perante a doença. E mais uma vez, vem acode à memória, O Sétimo Selo. Na Idade Média (como na antiguidade), as epidemias eram explicadas pela intervenção divina. A ideia da epidemia como castigo. No mui avançado século XXI, a intervenção de Deus foi relegada para um segundo plano e, por cada epidemia surge uma teoria conspiratória. Já assim era no passado, o boato acompanhou as epidemias de doenças e até as grandes epidemias de medo (séc. XVII). Transcrevo um dos comentários publicados no Público que é revelador de que as teorias conspiratórias estão em marcha:
"Daqui a umas semanas o Obama acusa o irão de bioterrorismo e começa outra guerra! É sempre a mesma finta!! A CIA lança o virus no méxico e culpam alguém ... a CIA planeia o 11 de setembro e culpa alguém...é SEMPRE IGUAL!! ACORDEM!!"

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O SNS preparado...
...mas ainda não há casos registados...
nível 5 de alerta...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Do México para o Mundo



Um rápido olhar pelo espaço aéreo Norte americano. Uma animação que reconstitui o mundo agitado da aviação apenas, no espaço dos EUA (ver aqui imagens de alta definição). Cada tipo de voo transformado numa linha, numa cor. Percebe-se bem, a dificuldade de conter uma epidemia nos dias de hoje. No passado, as epidemias eram contidas pelo isolamento geográfico hoje, a velocidade com que se podem propagar é estonteante.
Por isso, o recente surto de gripe "mexicana" tornou-se rapidamente numa preocupação internacional. Nos dias de hoje, em caso de pandemia, é uma questão de tempo até que se anuncie o primeiro caso em Portugal.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A imagem do vencedor

A capa da Whashingtonian está a gerar polémica...
Os governantes de todas as épocas e, lugares procuraram impressionar pela sua boa forma física, num jeito muito humano, de exibirem o "macho alfa" que os habita. Antes entre o governante e os "governados" havia um pedestal, um cavalo, algo que os elevava acima do comum dos mortais.
Os governantes de hoje, deixam-se fotografar em actividades banais para melhor se identificarem com o seu eleitorado mas, hoje como ontem, continuam a atrair as atenções para as suas qualidades de liderança.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A vertigem dos números

"No final do mês de Março de 2009, o número de desempregados inscritos, nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, ascendia a 484 131, representando 86,1% de um total de 562 422 pedidos de emprego." in, Informação Mensal do Mercado Emprego - Março 2009
A crise económica tem devorado o mercado de emprego. Os números são mais preocupantes a cada dia que passa e o que se vê, o que se sente em cada medida anunciada pelo governo é uma auto-condescendência confrangedora. O governo, a despeito as medidas anunciadas em cada entrevista, em cada debate mensal parece não ter uma estratégia. Navega à vista nas águas da crise que se abateu sobre o capitalismo internacional.

Relativamente a esta crise, Portugal está, para o melhor e o pior, na enorme barca da globalização. Não vale a pena tentar escapar, nem esconder. Ninguém pode decretar o fim da crise isso, está decididamente fora das capacidades dos nossos governantes. Mas, importaria ter uma estratégia clara, caso contrário dá a sensação de estarmos a deitar dinheiro sobre os problemas sem os resolver. De facto, estes números escondem pessoas e os seus inúmeros dramas pessoais. A realidade do desemprego reflecte-se em toda a sociedade. Escolas, hospitais, igreja, instituições de solidariedade social todos estão preocupados com a dimensão que a pobreza está a assumir. Até agora, apesar do aumento da insegurança, a conflitualidade social tem sido relativamente baixa mas, isso poderá modificar-se à semelhança do que tem acontecido em França *. No mesmo contexto de crise os espanhóis começam a vender os seus órgãos na internet ... e por cá? Até onde chegará o desespero?

Os números deste relatório são maus. Pergunto, porque sairam tão tarde? O facto de terem saído só hoje, depois do debate quinzenal, foi coincidência? Ou, ter-se-à querido preservar o PM do incómodo dos números? Do incómodo da avaliação das medidas avulso que têm sido anunciadas com pompa e circunstância?

sábado, 18 de abril de 2009

O número mágico: 3333



Missão: combate ao desemprego. Protagonista: Sócrates. Decididamente um filme de acção.
Isto de ser protagonista de um filme destes em época de crise é difícil, envolve muita actividade física. No final, missão cumprida?
Veja as imagens e, retire as suas conclusões.
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E mais uma notícia preocupante: Autoeuropa quer entrar em 'lay-off' durante um ano
É por isso que na corrida para as Europeias, nós portugueses teremos que discutir também as questões nacionais.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A "boca da verdade"

Bocca della Verità, Roma
"...vários contactos, telefónicos e pessoais, entre os quais uma conversa num gabinete do DCIAP - que terá sido ouvida por outras pessoas - sustentam a tese de que Lopes da Mota, defensor do arquivamento [do processo Freeport], agiu a pedido de um membro do Governo de Sócrates". CM, citado pelo Público.

Enquanto magistrado, não pressionei ninguém e também não fui pressionado por ninguém. Não fui pressionado pelo Governo, nem tive qualquer interferência por parte do Governo, e quero que isto fique muito claro e lamento que coisas sérias sejam tratadas desta forma", afirmou Lopes da Mota. in, Público

Eis dois casos de "não-notícias".
Alguém imagina, algum destes senhores a dizer o contrário?
Alguma vez, os imaginam a confirmar a existência de pressões?
É, óbvio, que só lhes restava desmentir. Ninguém esperaria outra coisa!

Pena, que os métodos antigos já não funcionem!
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Voltemos às pressões:
"...explicação para o documento [acta, relatório?] não ter sido assinado na reunião de ontem promovida por Pinto Monteiro e onde participaram os três magistrados foi que Lopes da Mota tinha que apanhar o avião. Há contudo, uma outra versão, segundo a qual os procuradores do caso Freeport terão mantido a sua versão dos acontecimentos, reiterando as pressões de Lopes da Mota, tendo resistido em assinar pretendida declaração conjunta." in, Público
Não restam dúvidas, de que caso, os velhos métodos estivessem em vigor, o número de manetas seria infinitamente maior...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Desemprego juvenil ...


...em Cuba

"[...] La Habana, a las diez de la mañana de un día entre semana, es la mejor muestra de cuántos no tienen un trabajo para ganarse la vida. Los parques, las aceras y cada esquina, repletos de gente en horario laboral, resultan más confiables que los bajos índices de desocupación de los anuarios estadísticos. Para la cautelosa especialista que habló frente a las cámaras, muchos jóvenes tienen una falsa apreciación de sus potencialidades y por eso no aceptan ciertos empleos. Su frase fue seguida de una entrevista en la facultad de estudios socioculturales de la provincia Granma, donde los recién graduados se quejaban de las plazas de “limpia-pisos” o de inspector de mosquitos que les habían sido asignadas. [...]"

terça-feira, 31 de março de 2009

Algo vai mal...


Vive-se um clima estranho, por estes dias em Portugal: a crise, a crispação, a desconfiança nas instituições, a maioria autista que nos governa, uma Justiça que se desacredita a cada dia que passa, uma "campanha negra" que se insinua, uma cabala ... tudo isto contribui para que Portugal se transforme no país do nosso descontentamento. Entre os sinais mais preocupantes as recentes (ou, talvez não) notícias sobre as pressões sobre o sistema judicial. Há muito que o "homem da rua" tinha as suas dúvidas sobre a Justiça mas, tinha havido o sentido de Estado, agora, até esse decoro se perdeu. Sem pretender ser exaustiva vou apenas relembrar as declarações de Pinto Monteiro relativamente à possibilidade de ter o seu telefone sob escuta; as preocupações dos juízes relativamente ao novo sistema informático do Ministério da Justiça (Citius-MJ); o facto de as decisões judiciais num Estado de direito poderem cair em "saco-roto" levando inclusivé os tribunais a condenar a Ministra da Educação por incumprimento de sentença judicial (mais recentemente, as infelizes declarações de Valter Lemos ameaçando os sindicatos, quando confrontado com mais uma decisão judicial que contraria as directivas do ME) e, finalmente as alegadas pressões sobre os magistrados no caso Freeport... se, a isto somarmos os casos de violência ocorridos dentro dos tribunais ou, à sua porta temos um quadro deveras preocupante pois, se a Justiça é um dos pilares da democracia algo vai muito mal em Portugal...

sábado, 28 de março de 2009

A imagem do vencedor



A imagem de Obama vende. Na Rússia, na Alemanha, nos EUA... E no entanto, os produtos anunciados sob o signo Obama lançam frequentemente a discussão o racismo a eles inerente. É o caso dos gelados que na Rússia foram lançados com o slogan "Em todas as bocas: preto por fora, branco por dentro" ou, destes "dedinhos de Obama" à venda na Alemanha. Nos EUA, para além das T-shirts, bonés e outros acessórios até, a marca de mobiliário IKEA, aproveitou a imagem ganhadora do presidente.

quarta-feira, 18 de março de 2009

O das duas caras

Passava-se isto antes do feijão frade ter entrado, pela primeira vez, nos tachos dos europeus...

Portunes ou Janus, o deus romano das duas caras, era o deus das portas/portos (da entrada e da saída), do passado e do futuro. Poderia parecer que Janus era um deus menor mas, não. O seu templo situa-se no coração da Roma antiga perto do porto Tiberinus. A sua festa celebrava-se em meados de Agosto e, designava-se por Portumnalia.
Permito-se salientar que as semelhanças entre a palavra latina "Portunes" e a palavra "Portugal" não são mera coincidência. Foi o primitivo nome da cidade do Porto [Cale] que deu origem à palavra "Portugal".
Curioso ainda notar o quão relevante para a nossa história e identidade tem sido a presença do mar, dos portos, a nossa vocação de porta de entrada/saída da Europa e, o quanto isto contribuiu para que um pequeno país periférico se tivesse tornado numa verdadeira plataforma de informação/conhecimento/comunicação nos finais da Idade (dita) Média.

Regressando ao presente, Sócrates acusou o PSD de "ter duas caras". Ora, se neste país há alguém com duas caras(ou até com quatro, como o próprio Portunes) é Sócrates e, o seu governo. Todos já perceberam que entre os anúncios rosa e uma realidade cada vez mais cinzenta, existe uma indesmentível dualidade.
Mais uma vez, hoje, no parlamento, Sócrates anunciou medidas para ajudar as famílias mas, no ar ficaram um sem número de interrogações. Os títulos dos jornais de amanhã estão garantidos, a sua aplicação fica para as calendas gregas.

domingo, 15 de março de 2009

A revolta da classe média


Não é só em Portugal que a classe média se está a sentir esmigalhada. Alguém pensa que este facto não terá consequências políticas?

The middle class – at least in Germany – is shrinking now. This is a completely new situation for Germany. You have much more upward mobility and downward mobility from the middle class. I assume that the financial crisis will accelerate the process,” notes Stefan Hradil, a German sociologist.
in, Financial Times

"As Britain’s economy slows, the gloom felt by its middle class has led to the acquisition of a new label: the coping class. [...]
...“coping class” implies dissatisfaction with a government that, over the past decade, succeeded in securing the support of large parts of the middle class – not least because of the economic prosperity it enjoyed."
in, Financial Times
A expressão "coping class" tomou conta dos media ingleses. Como traduzi-la? A classe que aguenta, que arrosta com a crise. "Classe dos mantenedores", é a tradução que proponho.
"Mantenedores", porque essa era a designação que, em português medieval, era dada aos que não sendo da nobreza ("defensores"), nem do clero ("oradores") pagavam impostos. Mantenedores porque são eles que por um lado mantêm/asseguram a receita do Estado, e por outro lado procuram manter o seu poder de compra. No contexto de recessão as finanças públicas precisam de gerar mais receitas para acudir aos pacotes de emergência e controlar despesas e, fazem-no à custa, sobretudo, da classe médial. Assim, a classe média vê não só reduzido o seu poder de compra, como também, as suas regalias sociais e, até o seu emprego está ameaçado. Os mantenedores, têm todas as razões para estarem insatisfeitos com o estado das economias e, naturalmente, vão procurar punir os responsáveis políticos pela situação a que se chegou. É o que está a acontecer por toda a Europa com os partidos que estão no poder a ser o alvo, natural, do descontentamento: Alemanha, Inglaterra,França, Espanha...

Os quatro anos da governação socrática não diminuíram as vulnerabilidades da economia portuguesa, nem aliviaram o esforço que a classe média já vinha fazendo, antes pelo contrário pois, diabolizaram-se determinadas categorias profissionais tornando-as no "bode expiatório" das insuficiências do próprio Estado e, erodiu-se o seu prestígio social/profissional. Ou seja, quatro anos de governação socrática representaram para os mantenedores perda de poder de compra, perda de regalias sociais, perda de prestígio profissional/social.
O descontentamento só pode ser enorme.
Em Portugal, este descontentamento com o poder tem um alvo: o PS de José Sócrates. Reflicta-se na dimensão (quantitativa e política) da manifestação que encheu as ruas de Lisboa e que certamente resultou de algo bem mais profundo do que a simples manipulação da CGTP. Repare-se no surgimento de movimentos independentes e na sua campanha para "Não Votar PS". Só as sondagems parecem não reflectir ainda, com clareza, essa realidade.
O nível de insatisfação era grande, tornou-se maior e continuará a crescer com a crise e com a incapacidade que o governo tem demostradode de encontrar outras soluções que não "malhar" nos mesmos. Pela primeira vez, em décadas, a classe média deixou de estar optimista. E isso terá um custo político.

sábado, 14 de março de 2009

Onde estão os números?


"... o secretário-geral de Segurança Interna decidiu acelerar a entrega do relatório ao Parlamento e não vai esperar pelos dados da Educação sobre violência nas escolas.
[...]o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) [2007] teve um capítulo dedicado à "Escola Segura", onde se juntaram os números registados pela Educação, de casos ocorridos no interior das escolas, com os das Forças de Segurança, que tinham os crimes no espaço exterior.
Este ano, contudo, sem que a Educação tivesse apresentado qualquer motivo, estas estatísticas não foram ainda divulgadas."
in, Diário de Notícias
Porque será??

A desconfiança relativamente às forças de segurança e à justiça leva a que muitos crimes fiquem sem a devida participação e, se isto é verdade para a generalidade das situações, ainda é mais verdade para os casos ocorridos dentro da escola. Assistimos a um recrudescer dos casos de violência na escola que não tem sido reflectido pelas estatísticas. De facto, em muitos casos a ausência de queixa resulta mais da banalização da violência e do medo, do que da desconfiança relativamente às autoridades (professores, Escola Segura) . Entre muitos os conselhos executivos impera uma teimosa determinação em resolver os problemas dentro da escola, de forma que a ela não se cole o rótulo de "insegura", este mascarar da situação adia a resolução dos problemas e beneficia os infractores. Exemplar deste estado de espírito é o protelar deliberado da participação às entidades competentes, inclusivé, em casos que envolvem armas de fogo.
A mediatização de casos de violência no recinto escolar tem levado a que professores, alunos e, encarregados de educação, tenham maior consciência dos seus direitos e, a que o "abafamento" das situações seja cada vez mais difícil, o poderá ter tido reflexos nas estatísticas por isso, jogam-se os incómodos números para debaixo do tapete.
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"... Ministério da Educação diz que os dados estão a ser trabalhados ..."
in Público
O que significa isso em politiquês? Mascarados, maquilhados, torturados para se apresentarem com melhor aspecto?
Os números deveriam ser apresentados, simplesmente.
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Certo é que o aumento de 10,7% do crime violento crime e de 7,5% da criminalidade geral, estragam qualquer intervalo publicitário ...