
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Retrato

segunda-feira, 29 de junho de 2009
Diamantes de sangue
Os comerciantes libaneses instalados na costa ocidental de África, servem-se dessa plataforma para dar cobertura, através de falsos certificados de origem, às pedras provenientes da Serra Leoa, Libéria, Gâmbia, Mali. Os diamantes são depois comercializados a partir do Líbano.
Finalmente, a Venezuela, que se retirou provisoriamente do processo de Kimberley. As pedras são, agora, contrabandeadas através do Brasil e da Guiana sendo impossível atribuir-lhes um certificado de origem.
Guerra, escravatura, corrupção (com todo o cortejo de males associados) esta é a dura realidade de um comércio altamente lucrativo e capaz de justificar o emprego de todos os meios.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Notas da crise

"Uma recessão global e sincronizada é maior e mais profunda do que as recessões comuns e a sua combinação com uma crise financeira, como a que se vive, resultará provavelmente numa recessão particularmente profunda e duradoura, escreve o Fundo Monetário Internacional (FMI)" in, Público
domingo, 12 de outubro de 2008
Inflação: 231 milhões%
Num país em que o desemprego afecta cerca de 40% da população activa, a inflação atinge os 231 000 000%, metade da população necessita de ajuda alimentar e onde a imigração para a África do Sul deixou de ser uma hipótese viável, o que resta aos zimbabueanos?
E as perspectivas para o futuro não são mais animadoras: as sementes e os fertilizantes estão fora do alcance do comum dos agricultores. Faltam medicamentos, gasolina, electricidade e água…
Resta apenas, o enorme ego de um presidente e, os interesses instalados daqueles que o acompanham (dentro e fora do Zimbabué).
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
O ditador no seu labirinto
Ontem, R. Mugabe foi vaiado ao abrir oficialmente o Parlamento, com um discurso em que acusava a Inglaterra e os EUA pela dificuldades que o seu regime atravessa. Os membros da oposição, em maioria, cantaram e gritaram slogans em protesto contra o impasse a que chegaram as negociações entre Mugabe e Tsvangirai para a partilha de poder.
Lovemore Moyo, o novo presidente da Assembleia foi eleito por 110 votos (MDC conta apenas com 100) o que pode querer dizer que alguns deputados da Zanu-PF também votaram nele…
Enquanto isso, Mugabe tenta desesperadamente formar um governo da sua confiança, o que já hoje foi recusado. O Zimbabué está refém de um homem.
O velho lutador pela liberdade agarrou-se ao poder e transformou-se num ditador sem escrupúlos. A União Africana, cheia de telhados de vidro, foi incapaz de lhe impor o respeito pelos resultados eleitorais. O país parece cada vez mais dividido em duas facções; a emigração apresenta-se para muitos como a única forma de uma vida melhor, o que tem tido como consequência os fenómenos xenófobos de que os zimbabueanos são a principal vítima; a inflação há muito que atingiu “a velocidade da luz” … o Zimbabué continua ameaçado pela espiral de violência e pelo espectro da guerra civil.
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Ver, The Guardian
Os jornais ingleses acompanham regularmente as vicissitudes do Zimbabué. Têm mantido uma cobertura dos acontecimentos, a partir da África do Sul, fazem entrevistas, percorrem clandestinamente o país... em Portugal, o silência relativo às eleições de Angola é quase total. Não vi uma reportagem, uma entrevista, um comentário. Nada, um desinteresse total.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Pobres Milhionários!

15 000 000% - inflacção estimada por John Robertson, um dos mais respeitados economistas do Zimbabué.
Num cabaz de compras isto quer dizer que um pão custa um terço do salário de um professor.
Há oito semanas a mais recente nota do Zimbabué (50 biliões) valia cerca de £2, hoje valerá 18p., e amanhã? Nada.
Mas a moeda tem um reverso. A miséria de uns é a sorte grande da maioria. No topo da hierarquia alguns (só, alguns, poucos) podem trocar o dinheiro no mercado oficial ou seja pelo câmbio oficial $30,000 por US dolar, em vez dos $ 270 milhões por US dolar... assim, se compram automóveis topo de gama por preços muuuuuito competitivos.
Actualização: Novas notas de $100 biliões em circulação a partir da próxima semana
sábado, 12 de julho de 2008
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
Vem este adágio popular muito a propósito da votação do Conselho de Segurança da ONU. Afinal, o crime compensa (resta saber por quanto tempo) e a prova está que alguns países continuam a mostrar-se incapazes de censurar o velho ditador.
Ontem, Robert Mugabe respirou de alívio quando se confirmou que a China e a Rússia tinham vetado uma resolução que impunha um embargo à compra de armas, bem como restrições económicas e às deslocações de Mugabe e de outros 13 dirigentes zimbabueanos considerados responsáveis pelo clima de violência que levou à desistência do candidato do MDC que saiu vencedor da primeira volta das eleições.
O veto da China e da Rússia mostra que as eleições livres e justas não são uma prioridade para estes países. As justificações que deram são “fraquinhas” e, não podem fazer esquecer o passado. Ora, no passado a Resolução 418 impôs sanções ao regime do apartheid na África do Sul precisamente devido às perseguições contra os opositores do apartheid.
Se a situação no Zimbabué se mantiver, o número de refugiados crescerá, inevitavelmente, e os países vizinhos ver-se-ão obrigados a exigir o afastamento do ditador esquecendo o passado e a irmandade ideológica.
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domingo, 6 de julho de 2008
A Metamorfose
Robert Mugabe foi o símbolo da luta anti-colonialista na antiga colónia britânica. Hoje, é o símbolo da opressão do seu povo mas, apesar disso é pouco provável que os seus pares no continente africano assumam as críticas que a comunidade internacional lhe vem tecendo.
Há um nítido contraste entre o projecto de resolução que do Conselho de Segurança da ONU procurava negociar e, que prevê um embargo às armas e sanções contra as pessoas acusadas de terem impedido o “processo democrático” no Zimbabué. E a forma como Mugabe foi acolhido na cimeira da União Africana. “Nós acolhemos Mugabe como um herói. Ele foi eleito, ele discursou, ele está aqui connosco. Ele é presidente.” – disse o Omar Bongo, presidente do Gabão.
Quantos líderes africanos foram chegaram ao poder depois da realização de eleições livres? Dos 53 países que compõem a União Africana quantos ocupam o poder da mesma forma que Mugabe?
Quantos assumiram o poder com maiorias tão absolutamente duvidosas como a de Mugabe? Zine El-Abidine Ben Ali, da Tunísia, obteve 95% dos votos. Hosni Moubarak no Egipto, Omar Al-Bachir no Sudão, Obiang Nguema na Guiné-Equatorial todos obtiveram resultados esmagadores e improváveis nas eleições. E depois há os que perduram e se eternizam à frente dos destinos dos seus povos: Blaise Compaoré, do Burkina Faso, Yoweri Museveni, do Uganda e Yoweri Museveni, da Tunísia são presidentes desde 1987; José Eduardo dos Santos, presidente de Angola há vinte nove anos, Lansana Conté, presidente da Guiné Equatorial há vinte e quatro anos e, o presidente Bongo do Gabão no poder desde 1967…
Para estes dirigentes a legitimidade da eleição de Mugabe não estaria sequer em cima da mesa se não fosse a insustentável crise no Zimbabué. Com uma inflacção fora de controlo, a moeda em queda livre, problemas para alimentar a população o Zimbabué tornou-se numa ameaça para os seus vizinhos. Os recentes incidentes xenófobos, na África do Sul, foram um aviso para o que poderá acontecer se a crise humanitária e política no Zimbabué não for resolvida com brevidade.
No entanto, alguns líderes africanos receiam censurar abertamente Mugabe pois, este tem usado o trunfo do seu passado de combatente nacionalista e tem procurado capitalizar a imagem do dirigente africano resistente às investidas do poder colonial branco personificado pela Inglaterra. Ora, poucos dirigentes africanos querem correr o risco de aparecer como aliados “dos brancos”.
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1- Vale a pena ler a entrevista dada por Mugabe ao Jornal de Angola, de hoje :
“Quero saudar o povo angolano e o meu irmão herói, Presidente José Eduardo dos Santos, e agradecer à sua solidariedade com o povo do Zimbabwe. Espero continuar a trabalhar juntamente com os angolanos na resolução dos problemas dos nossos países, utilizando a experiência revolucionária para vencermos o neocolonialismo. […]”
3- Ver como se fabrica um resultado eleitoral favorável, video do The Guardian
terça-feira, 24 de junho de 2008
Laços de sangue (2)
“Nenhum governo tem o direito de se esconder por detrás da soberania nacional para violar os direitos humanos ou as liberdades fundamentais do seu povo.” Kofi Annan, secretário geral da ONU anunciava assim, uma nova ordem mundial.
Esta foi a doutrina que esteve na base das intervenções no Kosovo e em Timor, contudo, de então para cá, talvez por influência das intervenções no Afeganistão e Iraque, alguma coisa mudou: o Darfur, a Birmânia e o Zimbabué são o reflexo dessa mudança.
Na semana passada, o caso do Zimbabué foi discutido no Conselho de Segurança da ONU em … “outros assuntos” e, apenas, porque a Inglaterra insistiu. Apesar de todos os sinais: vitória tangencial (ou maioritária) do MDC nas eleições de Março, violência generalizada, clima de intimidação a ONU não reconhecia a existência de um problema político, por isso, limita-se à crise humanitária.
Mugabe dispõe de aliados de peso: Rússia e China, são intrasigentes defensores do principio da soberania nacional ou, não tivessem eles próprios problemas de fragmentação e, vetarão as resoluções mais musculadas. A África do Sul, cujos dirigentes têm uma dívida de gratidão pelos anos que passaram no exílio de Harare, insiste na fórmula do governo de unidade nacional e que não quer agir à semelhança do que já aconteceu, no passado, na Libéria, assumindo o papel que lhe compete: mostrar o caminho de saída a Mugabe evitando um banho de sangue semelhante ao que aconteceu recentamente no Quénia ou, pior ainda, no Burundi… e que não seria, sequer novidade na carreira política de Mugabe se nos lembrarmos dos 20000 mortos em Matabeleland.
A desistência de Morgan Tsangirai poderá constituir para a comunidade internacional mais uma oportunidade para mostrar o seu empenho na “Nova Ordem Internacional”. Começam a surgir, finalmente, sinais do desconforto internacional, isto depois de terem chegado às “boas mãos” da Zanu-PF as toneladas de AK-47 provenientes da China, depois dos milhares de desalojados, das centenas de desaparecidos após os raids dos “antigos combatentes” e dezenas de mortos (oficialmente) depois… agora, fala-se já (finalmente) da impossiblidade de eleições livres e justas diria que a comunidade internacional tem andado… desatenta.
Assine a petição on-line SAVE ZIMBABWE FROM MUGABE.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Votar ou comer, eis a questão.
As agências internacionais de auxílio humanitário foram obrigadas a deixar o Zimbabué deixando os milhões de pessoas numa situação de desespero. A partir de agora, o governo tem o monopólio da distribuição de comida (a três semanas das eleições).
A alimentação está a ser utilizada por Robert Mugabe como arma política. Os membros do principal partido opositor ao regime de Mugabe só poderão receber auxílio alimentar se entregarem os seus cartões de eleitor! Assim, numa manobra do mais absoluto desespero Mugabe espera poder inverter o resultado das eleições de Março e manter-se no poder.
Ignóbil e abjecta esta forma de fazer política não é uma invenção do senhor Mugabe, ela tem sido repetidamente utilizada na Birmânia (onde as vítimas do ciclone trabalham, agora, em troca de alimentos), no Darfur, na Etiópia e também, na Ucrânia (Grande Fome de 1932-33), nos Estados Unidos, na Austrália (contra os índios americanos e os aborígenes respectivamente, em finais do séc. XIX).
terça-feira, 3 de junho de 2008
O Impacto Devastador da FOME (2)
Os analistas prevêem que estamos apenas no início de uma crise alimentar que ainda se irá agravar: o aumento do preço dos combustíveis, as medidas proteccionistas, as alterações climáticas e a emergência de novas doenças (que afectam plantas/animais) são os principais factores de preocupação.
Deveríamos ser capazes de produzir cerca de 40 a 60% mais alimentos ( a FAO pretende duplicar a produção até 2030) numa altura em que o território destinado à agricultura se reduz e, em que é urgente parar a desflorestação e estimular práticas agrícolas mais amigas do ambiente.
É neste contexto de preocupação que se está a realizar em Itália a cimeira da FAO. Infelizmente, para as primeiras página dos jornais saltaram as declarações do presidente iraniano, Ahmadinejad, à chegada a Roma (sobre o desejo de aniquilar Israel) e a sempre polémica presença do presidente do Zimbabué (onde se estima que 3500 pessoas morrem todas as semanas vitimas de fome/má nutrição, veja aqui), Robert Mugabe e de sua esposa que provam de que estas cimeiras são oportunidades mediáticas que ninguém quer perder.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Violência no país do Arco-íris
O desemprego de 30% a 40% da população activa, a alta dos preços dos alimentos e, o desespero de muitos sul-africanos levou a que estes se voltassem contra os cerca de 5 milhões de clandestinos vindos dos países limítrofes cujo trabalho “barato” fez baixar os salários e os converteu em bodes expiatórios fáceis.
Um dos grandes culpados por esta situação é o presidente Thabo Mbeki pois, nos últimos anos a África do Sul conheceu um desenvolvimento económico significativo que apenas beneficiou uma minoria e, por outro lado, a sua política complacente para com Robert Mugabe leva a que agora, mais de um milhão de zimbabueanos não tenha para onde fugir e seja obrigada a permanecer num país onde a palavra de ordem passou a ser: “Morte aos amakwerekwere” (aqueles que não falam zulu).
Acontecimentos como estes não são, sequer, novidade na história da África do Sul. Cenas de violência em tudo semelhantes aconteciam nos tempos do aparthaid instigadas por dirigentes do ANC e, continuam a fazer parte da prática de um dia a dia dominado pela violência extrema. Aliás, durante as perseguições nos bairros de latas são entoados cânticos como o “uMshini Wam” ( traz-me a metralhadora) que teve a sua origem nas palavras do dirigente do ANC Jacob Zuma. E é por tudo isto, que a promessa de tornar a África do Sul num país arco-íris, um país capaz que assegurava “uma vida melhor para todos” independentemente da sua origem, está a revelar-se um fiasco.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Memory ...
Ela encontra-se, agora, no hospital. Esta e esta, são as fotos chocantes do seu corpo após a selvática tortura a que foi submetida.
Memory, é apenas uma das muitas vítimas da violência no Zimbabué depois daquilo que Mugabe chamou de “desastre” eleitoral. Aguarda-se a segunda volta das eleições para 27 de Junho. Até lá, está aberta a caça aos opositores do regime.
Para esta caça ao opositor, Mugabe poderá, agora, contar com as 77 toneladas de armas que acabam de chegar a Harare graças à preciosa ajuda dos "amigos" chineses e sul-africanos, de acordo com esta notícia do Canal de Moçambique.
Saber mais...
terça-feira, 6 de maio de 2008
O barco parado ...
No Zimbabué, entre intimidação e violência os resultados das eleições fizeram-se tardar. A custo os resultados fizeram-se anunciar. Sentiu-se o amargo de boca do velho tirano figura emblemática de um movimento de libertação que reduziu o povo à mais profunda miséria. A uma miséria tão profunda que quebrou as amarras do medo e fez com que muitos votassem pela mudança.
Na antiga Birmânia, um ciclone provocou dezenas de milhares de mortos e desaparecidos, obrigando a Junta Militar a quebrar o isolamento internacional e a reconhecer que era incapaz de responder à dimensão da tragédia. Os optimistas, dirão que talvez a entrada das organizações internacionais e de jornalistas, somada ao descontentamento de quatro longos dias de faz-de-conta-que-está-tudo-sob-controle venha a ter alguma repercussão política dada a fragilização do regime. Os pessismistas, dirão que uma catástrofe destas dimensões na “tigela de arroz” da Ásia só poderá ensombrar ainda mais o cenário de fome anunciado pela crise cerealífera.
Enquanto isto, a China, em véspera de Jogos Olímpicos, recebe os enviados do Dalai Lama para discutir assuntos relacionados com o Tibete (?) ao mesmo tempo que edita uma História do Tibete feita à medida das suas conveniências tentando salvar as aparências. Qual o preço que o "império do Centro" estará disposto a pagar para assegurar o êxito dos Jogos Olímpicos e pelo sua afirmação como potência mundial?
Ingrid Bettancourt continua algures na selva colombiana a despeito das Marchas e dos apelos. A sua sorte ainda não mudou.
O petróleo bate todos os dias novos records de tal forma que qualquer dia a notícia sensacional poderá ser que “não houve record nenhum”.
… e dos subterrâneos austríacos saíram agora mais vítimas de uma história que traz à memória o filme de David Lynch, Blue Velvet ou, de como sob superfície normalizada e banal se podem esconder os crimes mais hediondos.
Em Portugal, a demissão de Menezes foi notícia. Agora, fala-se dos sucessores. Fala-se do seu passado, do seu presente do seu futuro. Espero que por uma vez discutam mais ideias e mais projectos. O país está carente de alternativa a Sócrates, de uma alternativa em que se possa confiar. Este é o tempo certo para apresentar as caras e as novas propostas "porque todo o Mundo é composto de mudança" e porque ao país faz falta o verde da esperança.
