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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Berlim, Lisboa - vinte anos depois

via, Der Spiegel
Passaram 20 anos desde que em Berlim desabou o "muro" e com ele uma Europa partida ao meio. Temos, hoje, uma Europa diferente. O impensável aconteceu os países do COMECON e do Pacto de Varsóvia tornaram membros da União Europeia e até da NATO. Vinte anos depois a Europa prepara-se para implementar no terreno o Tratado de Lisboa, prepara-se para escolher o seu presidente. Muita coisa mudou em duas décadas e muitos desafios nos esperam mas, "o caminho faz-se caminhando" e a queda do "muro" foi um passo de gigante em direcção a um futuro que todos pretendemos melhor.
E, sim, a Europa continua desigual, e em alguns países a corrupção grassa, a xenofobia e as tentações totalitárias não abandonaram o Velho Continente. Em alguns países, existe mesmo um saudosismo relativamente ao passado - não é só em Portugal que a precária segurança do salazarismo exerce fascínio sobre algumas camadas da população -, um passado que a todos assegurava um nível de "penúria garantida" dentro dos limites do espartilho socialista. A Europa, não é o El Dorado e, a incerteza que a construção europeia tem para oferecer é motivo de desorientação. Tudo razões para nos empenharmos na construção de uma Europa mais coesa, mais social, mais "verde".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gdansk, 70 anos depois


As capas dos jornais polacos que há 70 anos anunciavam o início das hostilidades. O fim da paz (podre) que reinava na Europa. O ataque do exército alemão à Polónia. Capas de jornais que incitavam à resistência em nome da liberdade, da independência e da honra. Dias depois seria a vez do exército vermelho invadir o território esmagando toda a esperança e tornando a Polónia vitima de dois totalitarismos.
Hoje, numa cerimónia em Gdansk os antigos inimigos encontraram-se para relembrar o passado e para falar do futuro. A este reencontro entre alemães, polacos, russos, ucranianos... não faltaram nem polémicas, nem pedidos de desculpa e promessas. Putin, escreveu uma "carta aos polacos" em que procura justificar o pacto Molotov-Ribbentrop tentando melhorar o relacionamento dos dois povos e acenando com a reconciliação no quadro de um mundo "democrático e multipolar". Ao mesmo tempo promete desclassificar o arquivo sobre o massacre dos oficiais polacos chacinados na floresta de Katyn, questão que os polacos levam muito a peito.

domingo, 23 de agosto de 2009

Utopias


Trata-se de uma outra forma de fazer campanha política.
Em vez de programas e de folhetos, os partidos políticos alemães foram desafiados a construir a sua própria Utopia. Assim, a Miniatur Wunderland, reuniu políticos de todo o espectro partidário e criarem a sua “cidade perfeita” em 1m2. Os modelos, ao estilo”miniatura de linha de combóio” estarão em exibição até às eleições alemãs a 27 de Setembro. Espera-se que a exposição seja visitada por 60 a 70 000 pessoas.

Os organizadores dizem-se surpreendidos com os modelos apresentados pois, esperavam modelos muito similares e o que obtiveram para além das ruas limpas e das energias renováveis surpreendeu-os. Os diferentes partidos fizeram reflectir as suas diferenças nos modelos apresentados. Os Democratas Cristãos, propõem-se trazer mais “Bavaria a Berlim” e transformaram uma das artérias da cidade numa Festa da Cerveja gigante. Os Verdes, mostram uma paisagem rural polvilhada por geradores de energia eólica e solar e nos seus bares, punks e polícias tomam um copo embrulhado em conversa. Manifestações contra a desigualdade e descriminação, casamentos homossexuais, redução dos impostos são outras dos propostas dos partidos para as suas cidades miniatura.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pedagogias [2]

Mais um livro capaz de traumatizar as criancinhas. Desta vez, chega-nos da Alemanha e, aterrorizou gerações.
Estávamos em 1845 quando Heinrich Hoffman, pubicou Der Struwwelpeter. Hoffmann foi um pioneiro no capítulo das doenças mentais - principalmente entre as crianças .- mas, era também entre os seus amigos reconhecido pelo seu sentido de humor negro.
Hoffmann cria inicialmente o pequeno Struwwelpeter para o seu filho. Mais tarde, edita-o como uma espécie de album cómico destinado às crianças entre os três e os seis anos.
Trata-se de um conjunto de histórias do quotidiano em que crianças desobedientes são sujeitas a castigos terríveis. Tomemos o caso do pequeno Robert que brinca com o seu guarda-chuva até que uma rabanada de vento o leva para um destino desconhecido... Ou a história de Gaspar que não quer comer a sopa, emagrecendo até não ser mais do que uma linha e, finalmente, a última ilustração é um túmulo...
As interpretações da obra de Hoffmann não são consensuais: até que ponto o autor pretendia assustar as criancinhas ou, pretendia apenas fazer humor negro...



Uma versão online... e a música dos Rammstein( Hilf mir / Ajuda-me) inspirada numa destas histórias...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Que humilhação?

No mesmo dia em que a U.E. procurava demonstrar unidade perante Moscovo, Putin surgia numa simbólica caça ao tigre.

Vários responsáveis politicos europeus têm referido a “humilhação” russa do pós União soviética como a justificação para a Guerra na Geórgia. O facto, de a Geórgia (entre outros Estados soberanos da região) ter deixado de estar sob a bandeira russa, de se ter tornado um país independente, de ter escolhido um regime político de tipo ocidental e de pretender integrar a EU e a NATO seriam para a Rússia uma humilhação, maior humilhação ainda o facto de o mundo se ter tornado unipolar…
Era sobre esta pretensa humilhação que gostaria de reflectir um pouco. Na sequência da II Guerra Mundial a Alemanha foi dividida e ocupada; os líderes nazis foram presos, julgados e condenados; foram proibidos os partidos de inspiração nazi bem como a utilização dos seus símbolos; a Alemanha foi obrigada a pagar reparações de guerra.
Ora, o que aconteceu na Rússia pós-soviética? Deu-se fragmentação natural de uma União que tinha sido à partida forçada mas, o coração da Rússia manteve-se intacto; os líderes comunistas foram julgados apenas pela história, não foram processados, mantiveram os seus lugares no funcionalismo público, não houve uma verdadeira “caça às bruxas”; o partido comunista e seus derivados mantiveram-se legais e a utilização dos seus símbolos nunca foi proibida; a Rússia não pagou qualquer indemnização às vítimas nem foi exigida a restituição de territórios como ilhas Curilhas...
Confiando na possibilidade de transformar a Rússia num parceiro fiável houve um investimento de mais de 55 biliões de dólares entre 1992 e 1995 (não contando com ajuda humanitária). Durante algum tempo foi ponderada mesmo a hipótese da Rússia vir a integrar a NATO. Tal hipótese foi depois abandonada mas manteve-se a cooperação a diversos níveis, nomeadamente, no sector de informações militares. Também, a sua integração no G8, decorreu da esperança de poder transformar o gigante russo num bom gigante democrático de liberal, à ocidental… e ignoraram-se os sinais. Ignoraram-se as atrocidades cometidas na guerra da Chechénia; a crescente apetência pelo controle de informação; a crescente tendência autocrática do regime; a desculpabilização e o branqueamento de crimes como a Grande Fome Ucraniana, o massacre dos oficiais polacos em Katyn, a eliminação dos dirigentes do partido comunista polaco (KPP ), em 1938 (nas vésperas do pacto Hitler-Estaline), as deportações nos países Bálticos; a reutilização do hino soviético; os novos manuais de história… todos esses sinais foram ignorados em nome dos bons negócios.

E agora falamos de humilhação. Qual humilhação?
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A Rússia, que escapou às sanções da U.E., sente-se em posição de força: mantém a ocupação de posições em solo da Geórgia e contínua a criar zonas tampão em redor da Osséssia do Sul e da Abecásia – na prática procede ao “ermamento” da região - e a impedir que os refugiados regressem. Na Ucrânia agudiza-se a crise política. Em consequência da degradação do relacionamento entre o Presidente e a primeira-ministra (acusada de ser pró-Moscovo) a coligação governamental esfumou-se. O Parlamento esvaziou o Presidente de poderes e, este ameaça, agora, retaliar com a sua dissolução. As sondagens indicam que se as eleições fossem hoje o partido do presidente perderia votos ficando sem a maioria tangencial de que dispõe.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O primeiro dia da Guerra

31 de Agosto de 1939

Inglaterra - a Royal Navy é colocada em estado de alerta. Inicia-se a censura de comunicações. A Bolsa é fechada. Os aviões são banidos de grande partedo espaço aéreo inglês.

Moscovo - é ratificado por unanimidade o pacto entre Hitler e Estaline (Ribbentrop – Molotov). A idade de recrutamento baixa dos 19 para os 17 anos.

Alemanha - . A rádio alemã divulga um plano de paz em dezasseis pontos que teria sido alegadamente recusado pela Polónia. A proposta refere-se ao corredor de Danzig (Gdansk), a manutenção desse corredor até ao leste da Prússia, e às minorias alemãs em território polaco. Nessa mesma tarde, a estação de rádio de Gliewitz, na fronteira germano-polaca, é atacada por “forças polacas”. De facto, eram prisioneiros polacos vestidos com uniformes alemães e organizados pelas SS para fornecer a Hitler, o pretexto para invadir a Polónia, no dia seguinte [onde se prova que quando se quer fazer uma guerra, se arranja sempre um bom pretexto …].

1 Setembro

Polónia - em cumprimento da directiva Directiva Número 1, às 4.45h,do dia 1 de Setembro de 1939, as tropas alemãs invadem a Polónia:




sexta-feira, 11 de julho de 2008

Os Fantasmas de Metropolis

Descobertas em Buenos Aires 80 anos depois da realização do filme as películas apareceram para revelar cenas inéditas do celebrado filme de Fritz Lang, Metropolis. De facto, a ânsia de tornar o filme comercial terá levado a que ele fosse radicalmente alterado. Cerca de um quarto do filme terá sofrido cortes.

Agora que os fantasmas de Metropolis ressurgem talvez se possa enfim, aproximar o nosso olhar do do realizador. Ele concebe Metropolis como uma cidade futurística (estava-se em 1927), liderada por Joh Fredersen. Enquanto isso, os “operários” trabalham no subsolo. Uma história de amor entre o filho de Joh Frederson e uma operária, Maria, vai desequilibrar este estado de coisas. Rotwang, o inventor, cria um robot semelhante a Maria que incita os operários à rebelião. Eles abandonam as suas máquinas e invadem a cidade. Mas, Freder (filho) e Maria conseguem salvar Metropolis e restaurar a harmonia social (este final, tem sido interpretado como uma manifestação da simpatia do realizador por Hitler).

Talvez, as películas agora descobertas façam luz sobre esta utopia cinematográfica.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Um Mundo a Preto e Branco


A chanceler alemã, Ângela Merkel, tornou-se no mais recente alvo de Hugo Chavez depois de no passado domingo, no seu programa de televisão semanal, “Alô Presidente”, ele ter afirmado que Merkel era uma descendente política de Hitler.

Estas afirmações, feitas em vésperas da cimeira entre a Europa e a América Latina (que se realizará no Peru), obrigaram Durão Barroso, na sua qualidade de presidente da Comissão Europeia a uma defesa da chanceler alemã. Durão Barroso, veio dizer que “os discursos inflamatórios, populistas e agressivos” do presidente Chavez não contribuem para o esforço de cooperação entre a EU e a América Latina.

Ângela Merkel, terá provocado a ira do presidente venezuelano quando disse que “O Presidente Chavez não fala pela América Latina. Cada Estado tem a sua própria voz e os seus interesses.” A longo prazo, referiu ela, a Venezuela não poderá impedir uma aproximação entre a EU e a América Latina.

Por um lado, vindas de quem vêm estas polémicas afirmações não representam um choque antes fazem parte de um padrão bem estabelecido e, como tal, têm sido desvalorizadas pela imprensa e pelas autoridades alemãs mas, podem ser um entrave para a cooperação entre as duas regiões. Muitas pesssoas, em Caracas, La Paz, Lima, Brasília prefeririam cooperar com Madrid, Lisboa, Paris ou Berlim, a fazê-lo com Wasshington.

Se não fosse esta lamentável sede de protagonismo do presidente Venezuelano, poder-se-ia discutir de que modo o as políticas económicas neo-liberais arrastaram para a pobreza milhões de pessoas nas últimas décadas e, de que forma a intervenção do Estado poderia regular uma melhor distribuição de riqueza assegurando-lhes a qualidade de vida (começando pelos mais direitos básicos) que efectivamente, não têm.

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Enquanto isto, José Sócrates partiu para a Venezuela em visita oficial acompanhado por 80 empresários de diversos sectores. Saber mais...