Em Julho de 2008, a imagem da "verdade" apareceu pudicamente coberta pela opacidade de vestes que encobriam a nudez original. Desta forma, Silvio Berlusconi entendeu proteger «la sensibilità di qualche spettatore».
Não deixa de ser curioso verificar que nestes anos de forma mais ou menos sensasionalista os escândalos têm acompanhado "il Cavaliere". Processos judiciais, acusações das mais diversas, fotografias comprometedoras, escutas telefónicas, entrevistas a acompanhantes, o "caso Ruby"... A tudo Berlusconi tem resistido. Resta saber se a "sensibilità" dos eleitores italianos perdoará ainda esta demonstração de "... vícios privados".
"Il y aurait donc deux poids et deux mesures. D’un côté, la crise économique a conduit à la mise en place d’un dispositif de plus en plus répressif pour contrôler l’économie des Etats-membres, assorti de sanctions en cas de déficits budgétaires. De l’autre, rien n’est prévu pour limiter les dérapages démocratiques. Certes, la démocratie est moins quantifiable que la dette publique. Mais l’UE devrait trouver un moyen de faire appliquer un minimum de critères démocratiques." in, Presseurop
Dentro de uma UE cada vez mais preocupada com as finanças e a economia o estado de saúde da democracia húngara parece inspirar cuidados e suscitar dúvidas quanto ao mínimo denominador comum em termos de democracia. Um "imposto de crise" para os investidores e uma polémica lei de imprensa (que se estende por cerca de 200 páginas) geraram protestos e inquietações dentro da UE.
Dia 12 de Março, comemora-se o dia internacional contra a ciber-censura. Leia aqui, o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, relativo ao modo como se condiciona o acesso à informação, nesta "democracia" de partido único ... E veja aqui, a lista dos países (alguns considerados "democracias genuínas") que também se deixam levar pela tentação...
Entre as acesas discussões que a Lei Orgânica da Educação tem provocado, as manifestações anti-chavistas ou, a iminente distribuição da versão venezuelana do Magalhães (equipado com software livre), há uma realidade insofismável: o aumento do custo de vida.
A Venezuela importa 80% dos produtos de consumo e a subida dos preços tornou-se um pesadelo que está a forçar muitas famílias a alterar os seus hábitos de consumo.
No ano passado a inflação atingiu os 30%. Em 2009, segundo as optimistas projecções do governo andará pelos 26%. Os preços disparam vestuário, produtos de higiene pessoal, alimentação tudo se ressentiu.
Neste contexto é fácil entender a urgência do governo de Caracas em limitar a liberdade de expressão*.Controlar a educação e a informação são dois pilares fundamentais para qualquer ditadura, como Kim Jong Il poderia testemunhar. Para se manter no poder Chávez está a proceder à asfixia da sociedade venezuelana ,em simultâneo, os seus defensores utilizando uma linguagemque trai as raízes anti-democráticas do movimento “chavista” tratam de tornar os opositores em não-pessoas, marcá-los com rótulos "estupidos", "bobos"... numa tentativa desesperada de assegurar o apoio "das massas"e procurar manter um simulacro de democracia representativa.
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·Em Julho passado, 34 estações de rádio que operavam “ilegalmente” foram encerradas agora, o ministro das Obras Públicas (e responsável pela ComissãoNacional de Telecomunicações), anunciou o fecho de um lote de mais 29. No total serão 240 rádios e 45 estações de televisão em risco de encerramento.
"Mete nojo que ministros europeus se tenham deslocado à Libia para participar nas celebrações de 40 anos no poder do terrorista Kadhafi. A presença de Luis Amado envergonhou-nos. Não há interesses económicos ou outros que o justifiquem." Ana Gomes in, Causa Nossa
O facto de não sermos os únicos a estar presentes numa cerimónia onde se comemora os 40 anos de uma ditadura, e o facto de outros usarem argumentos humanitários para atingirem fins económicos, não deve fazer-nos esquecer a natureza intrínseca do poder na Líbia. China, Angola, Arábia Saudita, Venezuela, Líbia ... tristes democracias, obrigadas a vergar-se perante os "interesses", esquecendo os Direitos Humanos, o pluralismo...
As eleições afegãs, correram bem, muito obrigado. Bem?!
Se estas eleições tiveram algum mérito foi o de expor que o país continua a ser um feudo dos "senhores da guerra", que a produção da papoila de ópio é um exito, que a corrupção reina impunemente, que as mulheres continuam a ser o "elo mais fraco", que a pobreza une quase toda a sociedade afegã.
As eleições afegãs não foram mais que um simulacro de democracia para ocidental ver.
O elevado analfabetismo (50%, no homens e 85% das mulheres) não permite falar de um eleitorado esclarecido, tanto mais que muitos se encontram limitados na sua liberdade por cadeias de obediência a um chefe local ou, no caso das mulheres aos familiares masculinos...
Significativos os acordos de última hora entre o poder instalado e os senhores da guerra, significativa a publicação em véspera das eleições da "lei da violação" ...
No rescaldo, temos para já dois auto-proclamados vencedores. Ver-se-à se têm o bom senso de procurar entendimentos para sair da profunda miséria que afecta o país. Lutar contra a miséria, a ignorância, a corrupção, a violência são tarefas hercúleas que exigirão o envolvimento de toda a sociedade. Será isso possível?
Aung San Suu Kyi, 64 anos. Ela é a principal ameaça para um regime absolutamente, inqualificável que mostra claramente, o quanto a teme ao privá-la de concorrer às "eleições" que irão decorrer no próximo ano. Em 1990, o partido de San Suu Kyi, A Liga Nacional para a Democracia, ganhou as eleições com a maioria dos votos mas, a Junta Militar recusou reconhecer o resultado. Ora, à cautela o melhor é acautelar a vitória eleitoral e para isso, nada melhor que impedir (com a ajuda da China) San Suu Kyi de concorrer...
Lendo as declarações feitas no tribunal e vendo alguns destes homens e mulheres desfilar em frente das câmaras para se retratarem, não posso deixar de pensar no ambiente kafkiano livro de Koestler, O Zero e o Infinito. Bastaria "persificar" os nomes dos personagens desta trama para nos recordar que numa ditadura é impossível governar inocentemente.
O parlamento venezuelano recebeu por estes dias uma proposta de lei dos "delitos mediáticos". Ao abrigo desta lei o governo de Chávez poderá sancionar com penas de 6 meses a 4 anos de prisão todos aqueles que através dos meios de comunicação divulguem informações que possam atentar contra "la estabilidad de las instituciones del Estado", "la paz social, la seguridad e independencia de la nación", la "salud mental o moral pública" a "orden público", ou que "generen sensación de impunidad o de inseguridad" entre a população. Assim, qualquer pessoa que se expresse não só através dos media ou de outro meio de "cualquier otra naturaleza" pode ser acusado de "divulgación de noticias falsas" que motivem "una gran alteración a la tranquilidad pública" ou "hubieren producido un perjuicio a los intereses del Estado". Ficam naturalmente por esclarecer quem conhece a "verdade"; se dados sobre a criminalidade ou a corrupção podem alterar a tranquilidade publica e constituir prejuízo para os interesses do Estado... Jornalistas,humorístas, bloguistas todos, todos amordaçados...
Encher teatros e praças de multidões entusiastas, que agitam bandeiras e gritam palavras de ordem eis, a forma dos totalitarismos se tranquilizarem. Era assim ontem, continua a sê-lo ainda hoje. Todos lutam pela multidão mas, há que distinguir entre as multidões. As multidões que espontaneamente se juntam para expressar o seu sentimento de alegria, de revolta, de luto … e, as que são primorosamente ensaiadas, manipuladas, condicionadas e, finalmente, levadas a participar. E o que se pretende ao montar tais espectáculos apoteóticos? Simplesmente, pressionar e impressionar condicionando, ainda mais, todos os ausentes perante a legitimidade que o suposto apoio popular confere ao poderoso líder. “A voz do povo é a voz de Deus” dizia-se quando, em tempos providencialistas, se precisava incluir o 3º Estado nas escolhas políticas. A democracia, trouxe depois, a necessidade da legitimação pelo voto, cada vez menos regimes totalitários conseguem escapar à ilusão da democracia através das urnas, nem que para isso, os resultados sejam … engendrados. Do Portugal de Salazar, à Alemanha de Hitler; da URSS, à Coreia do Norte, ao Irão, a … as grandes manifestações “de massas” são uma forma de mostrar a fidelidade “aos queridos líderes” ; de participar no círculo mágico do poder assegurando simultaneamente a segurança pessoal e, o rendimento (emprego, cargos…), o que doutra maneira não seria possível.
Entretanto, nesta era da informação talvez fosse interessante pensar, no muito que há a fazer, para assegurar a sustentabilidade do planeta para as próximas gerações. Por isso, é urgente fazer as "opções certas" e para o fazer, mais do que fulanizar os políticos, é necessário analisar criticamente propostas e resultados... ou seja, "ficar inteligente".
"Indonesia has been remarkable. It left humiliated, after investing in Timor-Leste in a way that the Portuguese never did. Indonesia is today the most vibrant democracy in Southeast Asia. It has made remarkable progress, and I leave it to them on their own watch to deal with the perpetrators of violence in Indonesia and Timor-Leste."
A leitura do Notícias do Seixal, deixa várias pistas sobre as questões que a última Assembleia Municipal suscitou. Sublinharia o incrível negócio do arrendamento do Edifício Municipal*que sofreu um acréscimo de uns meros € 8.175.000.00 [a somar aos c. de €120.000.000, correspondentes à totalidade (enormidade???!) do negócio] ! Um verdadeiro negócio da China para os arrendatários, um desastre para o Município que assim compromete parte significativa das suas receitas futuras. PSD e BE, votaram contra este aditamento do contrato. Surpreendente, ver que o PS se absteve. Ou, nem por isso? Mais de oito milhões por um parque de estacionamento e sistema de video-vigilância?!
Mas esta sessão ficou também marcada pelo pórtico. Aquele inocente pórtico colocado à entrada das Festas de S. Pedro apregoando aos quatro ventos a magistralidade da CDU. Lembram-se?! Bom, ficámos a saber que a colocação destes pórticos não é para quem quer. É para quem pode:
"[...o] PS, [...] solicitou a colocação de um idêntico, para a altura das Festas de Arrentela [...], tendo-lhe sido negada a permissão."
Ora, não se esperava outra coisa. Só revela que a democracia ainda continua a ser um objectivo para este concelho dito de "Abril". ___ * Ver tb., aqui.
Uma das singularidades dos incidentes pós-eleitorais no Irão é a elevada presença feminina nos distúrbios. De facto, as mulheres surgem na primeira linha ao lado dos mais jovens mesmo quando as manifestações se tornaram violentas: elas arremessam pedras e lançam-se para a frente das forças de segurança. Nos últimos vinte anos, a sociedade iraniana vive numa dualidade: na rua, impera uma ordem teocrática que obriga as mulheres a vestirem-se "modestamente", escondendo as suas identidades por detrás do hijab; e, que proibe actividades "decadentes" como a dança ou, o consumo de bebidas; que condena os homossexuais à morte. Mas, em privado, tudo é diferente. Despido o hijab, descobrem-se roupas ocidentais e o gosto pela música e, pelo convívio (como documentam as imagens recolhidas por um blogger russo). Apesar, de terem acesso a alguns cargos políticos designadamente, no parlamento e, de acederem às universidades em condições de igualdade relativamente aos homens, elas são efectivamente, cidadãs de segunda. Por isso nos acontecimentos recentes mulheres de todas as idades juntaram-se aos protestos. Os protestos têm até uma mártir: Neda. O poder da imagem da sua morte foi tal, que as autoridades não entregaram sequer, o seu corpo à família. Mais, a família terá sido obrigada a deixar a sua casa para que ninguém a pudesse contactar... Seja qual for o desenlace destes acontecimentos o papel das mulheres na sociedade iraniana parece prestes a mudar. Alguns temem a reacção dos grupos mais conservadores mas, esta revolta feminina irá certamente pressionar o sistema e talvez elas possam afinal, ter esperança de dar mais alguns passos no sentido da igualdade.
Tínhamos os arcos do triunfo clássicos (Arco de Constantino ; Arco de Tito ; Arco de Septímio Severo), os neoclássicos (Arco do Triunfo – Paris; Arco do Triunfo, na Rua Augusta); e os contemporâneos como este em Pyongyang.Agora temos também este no Seixal… Enfim, cada qual celebra como pode e, enquanto pode.
Esta iniciativa da CDU/PCP, que já mereceu o protesto do PSD junto da CNE (Comissão Nacional de Eleições) é, apenas mais um exemplo do Chico-espertismo desta força política.
Acontece que não gosto de Chico-espertos. Nunca gostei. Não gosto, quando tentam furar a fila do supermercado; nem quando num engarrafamento me ultrapassam pela direita; nem quando dão “o golpe” na cantina; nem … ora, acontece que colar um portal tridimensional à entrada das Festas Populares do Seixal, fazendo parecer que se entrou numa festa partidária é uma óbvia manifestação deste tipo de esperteza saloia.
A colocação do referido pórtico, no local onde está, constitui uma violação do princípio de imparcialidade. Se “em política o que parece é”, parece que o PCP/CDU se apropriou, mais uma vez, das Festas Populares. Este tipo de manipulação tem de ser denunciada para que não se repita porque é , de facto uma vergonha que só se justifica como acto de desespero de quem procura por todos os meios agarrar-se ao poder local como tábua de salvação.
O papel das TIC, nos acontecimentos no Irão é muito importante. As novas tecnologias permitem contrabalançar a informação que os media tradicionais estão impedidos de fornecer. Mas, há um lado negro, as companhias ocidentais que fornecem as TIC fornecem também, as tecnologias que permitem a regimes totalitários reprimir/ controlar a informação. Há muito que o Google, a Microsoft e o Yahoo eram criticados por terem tornado possível a Grande Muralha Electrónica da China. No caso do Irão, a Nokia Siemens Networks (NSN) desenvolveu para a Irantelecom um centro de monitorização que torna possível o bloqueio das comunicações, a escuta, a leitura das mensagens e a vigialância das comunicações electrónicas.
Estas grandes companhias são responsáveis por impedir a comunicação e, contribuir para a repressão de milhões de pessoas. Tendo simplesmente em mente o seu lucro, elas desempenham um papel crescente na política global.