"Sakineh Mohammadi Ashtiani no es la única persona en Irán a la espera de que se ejecute la pena de muerte a la que fue condenada. El caso de esta iraní de 43 años y madre de dos hijos ha saltado a la luz pública debido a la intensa campaña para evitar su lapidación llevada a cabo por diversas organizaciones como Amnistía Internacionalo Human Rights Watch. Una web que pide su liberación (http://freesakineh.org/) ha recogido más de 89.000 firmas entre ellas las del ex presidente brasileño Fernando Henrique Cardoso..." in, El País
Por vezes esquecemos o mundo real. Esta justiça bárbara que se julga divina... imaginamo-nos no séc. XXI, preferimos ignorar. Mas, poderemos ignorar?
O mundo árabe é um enigma. Um misto de ultramodernismo arquitectónico e de tribalismo legislativo. Estas imagens de um concurso de televisão são, com direi ... surrealistas. Postada perante as câmaras, convertida em mancha negra, uma mulher, uma poetisa corajosa desanca fortemente os donos da verdade religiosa e politica do seu país, a Arábia Saudita. Diz-lhes, o indizível e, ganha o direito de ser finalista no mais popular concurso de poesia da televisão. 47, em 50 pontos possíveis. Claro que, se esta mãe de quatro filhos ganhar o prémio de 270 000 dólares terá que investir fortemente em segurança é que as ameaças de morte já se fazem sentir... ____ Também na Arábia Saudita deverá ter sido hoje decapitado um homem de origem libanesa por ... feitiçaria. Ao que parece ele fazia umas adivinhações a partir de sua casa em Beirute, onde residia, e não adivinhou que uma peregrinação a Meca lhe seria fatal...
Dia 12 de Março, comemora-se o dia internacional contra a ciber-censura. Leia aqui, o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, relativo ao modo como se condiciona o acesso à informação, nesta "democracia" de partido único ... E veja aqui, a lista dos países (alguns considerados "democracias genuínas") que também se deixam levar pela tentação...
«Questionado sobre o facto de o Brasil ter reconhecido as eleições no Irão e não o voto nas Honduras, Lula da Silva afirmou que «os dois casos são completamente diferentes», já que as eleições iranianas «não violaram a constituição» e as das Honduras foram feitas «por um golpe repudiado por todo o mundo». in, Sol
A única conclusão que consigo tirar destas palavras é que existem "boas" e "más" ditaduras, e que as prisões arbitrárias, as violações dos direitos humanos, as restrições às liberdades civis nas Honduras são "más" mas, as condenações à morte, as perseguições políticas e religiosas, as limitações à liberdade de imprensa ... no Irão são justificáveis e, portanto "boas" e venha de lá um abraço ao "amigo" Ahmadinejad, precisado que está de apoio para o seu programa nuclear "para fins pacíficos"...
Aliás, ou me engano muito ou o próprio Zelaya se preparava para violar a constituição do seu país ao recandidatar-se ao cargo de presidente... esta foi de resto a argumentação dos juízes do Tribunal Constitucional hondurenho.... pelo que se pode depreender que também em matéria de violações da constituição umas são "boas" outras não...
"Mete nojo que ministros europeus se tenham deslocado à Libia para participar nas celebrações de 40 anos no poder do terrorista Kadhafi. A presença de Luis Amado envergonhou-nos. Não há interesses económicos ou outros que o justifiquem." Ana Gomes in, Causa Nossa
O facto de não sermos os únicos a estar presentes numa cerimónia onde se comemora os 40 anos de uma ditadura, e o facto de outros usarem argumentos humanitários para atingirem fins económicos, não deve fazer-nos esquecer a natureza intrínseca do poder na Líbia. China, Angola, Arábia Saudita, Venezuela, Líbia ... tristes democracias, obrigadas a vergar-se perante os "interesses", esquecendo os Direitos Humanos, o pluralismo...
As eleições afegãs, correram bem, muito obrigado. Bem?!
Se estas eleições tiveram algum mérito foi o de expor que o país continua a ser um feudo dos "senhores da guerra", que a produção da papoila de ópio é um exito, que a corrupção reina impunemente, que as mulheres continuam a ser o "elo mais fraco", que a pobreza une quase toda a sociedade afegã.
As eleições afegãs não foram mais que um simulacro de democracia para ocidental ver.
O elevado analfabetismo (50%, no homens e 85% das mulheres) não permite falar de um eleitorado esclarecido, tanto mais que muitos se encontram limitados na sua liberdade por cadeias de obediência a um chefe local ou, no caso das mulheres aos familiares masculinos...
Significativos os acordos de última hora entre o poder instalado e os senhores da guerra, significativa a publicação em véspera das eleições da "lei da violação" ...
No rescaldo, temos para já dois auto-proclamados vencedores. Ver-se-à se têm o bom senso de procurar entendimentos para sair da profunda miséria que afecta o país. Lutar contra a miséria, a ignorância, a corrupção, a violência são tarefas hercúleas que exigirão o envolvimento de toda a sociedade. Será isso possível?
Zarema Sadulayeva e Alik Djabrailov eram um jovem casal. Ela dirigia uma ONG que trabalha com a UNICEF. O seu trabalho? Proteger os mais jovens das minas e outros perigos.
Ontem, segunda-feira, foram raptados pelas autoridades chechenas, mortos a tiro e enfiados na bagageira de um automóvel.. Curioso, que quando os amigos do casal apresentaram queixa, a polícia local disse que eles os tinham acompanhado voluntariamente, para serem interrogados, afinal...
Assim, menos de um mês após a morte de Natalia Estemirova, a história repete-se com dramática precisão. Por detrás do cenário de horror em que a Chechénia se tornou está Kadyrov e … Putin.
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Entrevista de Françoise Petre, vice-presidente do Comité Checheno de Paris, ao Le Monde.
A jornalista e activista dos Direitos Humanos, Natalya Estemirova é a última de uma longa cadeia de assassinatos políticos que têm vitimado outros "incómodos" cidadãos, incapazes de se conformarem com as práticas de rapto, tortura e homicídio levadas a cabo por grupos "não-identificados" na Rússia e em outras repúblicas ex-soviéticas. Em Outubro de 2007, Natalya Estemirova fez (aqui) o elogio fúnebre de Anna Politkovskaya e, desde então era considerada a sua sucessora pois, pelo seu trabalho expôs os métodos brutais usados pelo regime checheno para manter o controle desta república. Esta semana foi raptada e morta a tiro. Os seus assassinos passaram por vários controlos fronteiriços antes de jogarem fora o seu corpo na borda da estrada duma república vizinha... Agora, Kadyrov preocupa-se por estar a ser acusado de fomentar este crime. Medvedev foi forçado a lamentar a morte e a elogiar o seu trabalho. A administração Obama diz-se "triste"... a Europa condena. Enfim, mais um crime que se arrastará até ficar sem castigo, nem responsáveis ... ____ Vd The Economist sobre a situação no norte do Cáucaso
A Human Rights Watch, acusa as autoridades do Zimbabué de tomarem pela força a exploração e o comércio dos diamantes da região de Marange. No final do ano passado, polícia e exército, teriam massacrado mais de 200 pessoas e, estão a aproveitar a mão-de-obra escrava de mulheres e crianças para prosseguir o trabalho. Os diamantes, são depois enviados para Moçambique e África do Sul, onde são comprados por belgas, israelitas, libaneses, chineses ... Os lucros deste comércio são, finalmente, canalizados para os dirigentes da Zanu-PF, de Mugabe.
Zimbabué, Líbano e Venezuela desempenham um papel crucial na comercialização dos chamados, "diamantes de sangue" esta é, a conclusão de uma reunião realizada na Namíbia, na semana passada, estes países foram acusados de "furar" a cooperação internacional contra o tráfico de pedras preciosas em bruto. Os comerciantes libaneses instalados na costa ocidental de África, servem-se dessa plataforma para dar cobertura, através de falsos certificados de origem, às pedras provenientes da Serra Leoa, Libéria, Gâmbia, Mali. Os diamantes são depois comercializados a partir do Líbano. Finalmente, a Venezuela, que se retirou provisoriamente do processo de Kimberley. As pedras são, agora, contrabandeadas através do Brasil e da Guiana sendo impossível atribuir-lhes um certificado de origem. Guerra, escravatura, corrupção (com todo o cortejo de males associados) esta é a dura realidade de um comércio altamente lucrativo e capaz de justificar o emprego de todos os meios.
O governo do Sri Lanka festeja a vitória sobre os Tigres Tamil. Por detrás desta vitória escondem-se muitos rostos, muitos dramas, um custo humano elevadíssimo. Desconheço quase tudo sobre um conflito que se arrasta há décadas e que causou mais de 70 000 mortos. Mas, não posso ignorar que por detrás desta vitória sangrenta, se escondem milhares de rostos incentes... serão 300 000 os que procuraram os campos de refugiados e que agora, se encontram sem ajuda humanitária.
Interessante ver o divórcio entre as palavras e a forma brutal (estúpida?) como a lei é cumprida pelas chamadas Brigadas da Moralidade, encarregues de zelar pelos bons costumes dos cidadãos e, claramente, um homem de cabelos compridos não é um "bom costume". A voz que se ouve em fundo é a de Ahmadinejad, antes de ser eleito, presidente da República Islâmica do Irão:
" O cabelo dos nossos filhos é um assunto de Estado? Os nossos filhos gostam de usar o cabelos de diferentes maneiras, de que modo isso me afecta a mim, ou si? Nós deveríamos preocupar-nos com os problemas fundamentais do nosso país. Quero dizer que o governo deveria melhorar as condições económicas, estabilizar a situação do país, promover a segurança psicológica, ajudar as pessoas. O nosso povo tem diferentes gostos, tradições, estilos, étnias. O governo tem de servir todos. Porque humilhamos as pessoas? Nós humilhamos as pessoas como se o nosso maior problema fosse o estilo de cabelo dos jovens e, o governo não pode permitir isso. Não! Isto é apropriado para o governo? É justo para as pessoas?Isto é um insulto para o nosso povo. Porque desprezamos o povo? O nosso maior problema é que as raparigas usem esta ou aquela roupa? As pessoas têm diferentes gostos." _______ Ver arquivo sobre o Paternalismo, a actuação da Polícia de Costumes, e os "queridos ingénuos" ocidentais... ou se preferir, Irão. ______ A teocracia iraniana não tem o exclusivo da preocupação com a imagem. No Algarve há quem se preocupe com o decote, as jeans ou a cor lingerie...
"O número de pessoas que foram mortas na execução de penas capitais aumentou para quase o dobro em 2008 – sete a cada dia que passou – mas o número de países que adoptam esta sentença é cada vez menor, revela a Amnistia Internacional em relatório hoje publicado..."
"O governo angolano devia pôr fim urgente à tortura e aos julgamentos injustos em casos relacionados com a segurança do estado, afirmou hoje a Human Rights Watch. Catorze civis que foram arbitrariamente detidos e torturados sob detenção militar estão actualmente presos no enclave de Cabinda, sob a acusação de "crimes contra a segurança do estado". HRW
"The media environment in Angola remains poor. On May 15, 2006, a new press law was enacted that improves the legal framework governing media freedom but still falls short of fully ensuring the right to freedom of expression, as guaranteed in Angola's constitution.Media coverage of news and events is still highly biased in favor of the government and the ruling party, the Popular Movement for the Liberation of Angola (MPLA). Access to information, in particular in rural areas, is very difficult. The only daily newspaper is owned by the state. [...]
... women's organizations report an increase in domestic and sexual violence against women and girls in 2006, which extends to gender violence against girls in the school system. According to information provided by field-based NGOs, girls have been required to provide sexual favors in order to be approved to the subsequent grades, for example. The Angolan government has not enacted specific legislation to protect women from domestic and sexual violence. It has also failed to provide adequate health care and emotional support services for the victims.[...]" HRW
"...18 mass evictions in Luanda that the Angolan government carried out between 2002 and 2006. In these evictions, which affected some 20,000 people in total, security forces destroyed more than 3,000 houses, and the government seized many small-scale cultivated land plots." HRW ______________ E também a AI se preocupa e denuncia...
Isaiah Oggins, era um americano, que se tornou espião do N.K.V.D. (a polícia de Estaline). Vitima do paranóico regime estalinista foi preso em 1939, condenado a 8 anos no gulag e, finalmente, foi executado extra-judicialmente, por injecção letal (pensando receber tratamento médico) a poucas horas da prometida libertação, em 1947. O NYT, conta a história possível, de um homem que acreditou num sonho e cuja vida terminou em pesadelo.
O dissidente chinês Hu Jia, conhecido lutador pelos Direitos Humanos que actualmente se encontra preso, foi galardoado pelo Parlamento Europeu com o prémio Sakarov. O prémio é atribuído anualmente a personalidades que se destacam na luta pelos Direitos humanos e pela Liberdade. As autoridades chinesas, torceram, naturalmente, o nariz à atribuição deste prémia a Hu Jia e lamentaram "fortemente" a decisão do Parlamento Europeu, que classificam como uma "grande ingerência nos assuntos internos da China" e uma violação "das práticas internacionais".
Hu Jia, de 34 anos, está em preso desde Abril, altura em que foi condenado a três anos e meio de prisão "por incitar a subversão do poder do Estado e do sistema socialista". Hua, foi preso depois de ter participado por video-conferência nos trabalhos da Subcomissão para os Direitos Humanos do Parlamento Europeu, em 26 de Novembro de 2007. Hu, denunciou os abusos do governo chinês contra as vítimas de SIDA, pronunciou-se a favor da liberdade religiosa e criticou o impacto ambiental que algumas das grandes obras estão a ter na China, preocupou-se ainda com o destino dos milhões de chineses afectados pela construção da gigantesca barragem das Três Gargantas.
Sobre Hu Jia ver aqui e aqui. Ver arquivo do blog sobre China, aqui. Sobre a atribuição deste prémio ver, acolá.
“O Líder Supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, recebeu o alto-representante da ONU para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio, com quem abordou os objectivos desta iniciativa que tem como objectivo o diálogo entre culturas e religiões, além de patrocinar projectos de apoio económico e social.
Durante o encontro, foi sublinhada a importância do diálogo como instrumento fundamental na superação de clivagens entre Estados, povos e culturas, e a necessidade de um maior aprofundamento das relações entre as diferentes esferas civilizacionais para eliminar preconceitos resultantes do desconhecimento. […]”.
in, DN
A diplomacia é um jogo de espelhos. O diálogo de civilizações, com o Irão, precisamente com o Irão na pessoa de Khamenei é uma perda de tempo. O regime iraniano, na proximidade de eleições presidenciais*entendeu organizar uma conferência para retocar a imagem. Nestas coisas, os ocidentais dão sempre jeito, a ONU prestou-se. Assim, num país onde existe um verdadeiro apartheid religioso organizou-se uma conferência sobre o diálogo de civilizações. Tudo isto se passou, sublinho num país onde se pode ser executado simplesmente, por ser cristão, budista, hindu ... pior que tudo, judeu.
Analise-se, ainda, a fotografia da oradora Mary Robinson. Veja, como o seu cabelo aparece despudoradamente sob o lenço. Por crimes como este, a polícia dos costumes, prende as infelizes faltosas não se comovendo sequer com a aflição do filhos (ver).
E falando de diálogo, terão os nossos queridos ingénuos (para não lhes chamar "idiotas úteis") dito algumas palavrinhas sobre isto?
Farzad Kamangar é um professor e activista curdo, de 33 anos, que foi condenado à morte em Fevereiro deste ano e que viu a sua sentença confirmada em Jullho apesar das pressões internacionais. Farzad Kamangar é um conhecido activista na defesa das minorias curdas e foi acusado de pertencer ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão. Kamangar está à guarda dos serviços secretos iranianos e terá sido submetido a tortura (coisa habitual, nas prisões iranianas). Se a pressão internacional e os apelos não forem bem sucedidos espera-se que seja executado nas próximas semanas.
Não sei se os Direitos Humanos fizeram parte da conversa entre Jorge Sampaio e o ayatollah Khamenei mas, pode subscrever este e outros apelos da AI antes que seja demasiado tarde.
Um filme, recentemente, estreado em Havana é o pretexto para este post de Yolanda Sanchez:
"[…]La contienda cubana en tierras angolanas ha sido la guerra más larga de la historia de Cuba. Quince prolongados años peleando en otro suelo, matando o dejándose matar por gente que no sabía muy bien dónde estaba esta Isla. Eran los tiempos en que el Kremlin proyectaba su sombra sobre Cuba y ¡dependíamos tanto de él! que nuestros líderes no dudaron en sumarse a su campaña contra la UNITA. La geopolítica traza esas duras pruebas para los pequeños países que orbitan alrededor de los grandes imperios.
[…]Reparo en que durante tres lustros de conflicto no aconteció en ninguna plaza pública una protesta de madres cubanas para no enviar sus hijos al frente. Nadie lanzó en los medios de difusión la pregunta que todos susurrábamos “¿Qué hacemos en Angola?” y mucho menos un movimiento pacifista llenó de palomas blancas algún punto de reclutamiento.
[…]Hoy estamos informados de cada baja que sufre el ejército norteamericano en Irak, pero recuerdo el secretismo sobre el número de soldados cubanos caídos durante la guerra angolana. Nos enterábamos que el vecino había perdido un hermano o que el colega de trabajo regresaba sin una pierna, pero la prensa sólo tocaba la sinfonía de la victoria. Los muertos se lloraron en la privacidad de las familias que no entendían muy bien qué hacían sus hijos al otro lado del Atlántico.[…]"
E da América chega também a notícia de que mais dois (a somar aos doze que tomaram a mesma decisão só nos últimos, dois anos) desportistas cubanos decidiram dizer adeus à ilha de Fidel:
"Two Cuban soccer players in the region for their country's World Cup qualifying match against the United States disappeared from the team's hotel in Arlington County yesterday, according to their coach, possibly with the intention of defecting to the United States.
Pedro Faife, 24, and Reynier Alcantara, 26, walked away from their team before a scheduled practice at RFK Stadium last night coach Reinhold Fanz said. "It is always a problem for the Cuba team," Fanz said. "We have security, but you can't handcuff them to their rooms." ..."in, Washington Post