

Por cá, a rede Natura, tem sido considerada um empecilho aos bons negócios e ao sacrossanto progresso feito à custa de pinhais, sapais e outras coisas mais...


O rouxinol, outrora uma espécie comum, está em declínio acentuado.Há um número sem precedentes de espécies em vias de extinção. As actividades humanas tiveram um impacto tremendo na biodiversidade. Estima-se que o ritmo a que as espécies se estão a extinguir seja 10 000 vezes superior ao normal:alterações climáticas, poluição, destruição de habitats, introdução de espécies “importadas”, exploração de determinadas espécies.
Os impactos de uma redução da biodiversidade são muito grandes. Todos ficaremos a perder: menos substâncias a partir das quais fabricar medicamentos; maior vulnerabilidade às catástrofes naturais; aumento do impacto do aquecimento global…
Na Europa industrializada e urbanizada grande parte da biodiversidade já se perdeu mas, continuamos a não proteger e a destruir os poucos ecossistemas inalterados que ainda nos restam, hipotecando o futuro em nome de um presente rentável.
Em Portugal, a situação é particularmente preocupante no litoral onde se concentra a maior parte da população. A pressão demográfica, as obras públicas as industrias poluentes têm contribuídos para o desaparecimento de muitas espécies animais e vegetais. O mais preocupante é que apesar do discurso ecologicamente correcto se prossegue a bom ritmo a destruição da paisagem e dos ecossistemas. E se algum exemplo fosse necessário poderíamos sempre lembrar o que está a acontecer na Verdizela ....


O Sapal de Corroios onde se abrigam milhares de aves durante os meses de Inverno constitui um verdadeiro santuário ornitológico que tem sido vítima não só das alterações naturais decorrentes de se situar no estuário de um grande rio, mas também, devido às enormes pressões demográficas das últimas décadas. Ora, é neste equilibrio instável que se pretendem realizar mais alterações ainda. Isto é tanto mais preocupante do ponto de vista da biodiversidade quanto estas aves que aqui nidificam e procuram alimento.
O estuário do Tejo está sobre uma pressão crescente que o anuncio do novo aeroporto só veio reforçar quer pelo facto de o aeroporto se localizar em Alcochete, quer pelo acréscimo das pressões urbanísticas na região. Existirá ainda esperança para estes espaços em que a natureza continua a ser natureza? Existirá a vontade de preservar o património natural para as gerações futuras? Haverá a vontade de transformar estes locais em locais de aprendizagem e de fruição da natureza?
Pela biodiversidade, pelo direito das gerações futuras à natureza e pelo lazer do presente, esperava-se que a Câmara do Seixal, e o seu presidente, mantivesse uma posição de intransigência face aos interesses que agora ditam a alteração da sua posição sobre esta matéria. Lamentavelmente, assim não aconteceu. Lamentavelmente, não conseguiu sequer explicar as razões, de certo ponderosas, que o levaram a comprometer-se a defender o sapal para logo autorizar a expansão da piscicultura numa área sensível ... Perante explicações tão esfarrapadas surge a duvida quanto à natureza dos interesses que ditaram esta "cambalhota".
Compete aos cidadãos manifestarem o seu desagrado.