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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Acto falhado?



Parodiando a Antena 1, o BE cometeu um pecado capital: produziu um video de que o PNR não desdenharia - à parte do 1º de Maio, claro!
Sim, sim a preocupação com as deslocalizações, com o aumento do desemprego ... mas, a mensagem não deixa de soar a xenofobia...

sábado, 4 de outubro de 2008

Integração ou, auto-exclusão?

A música da "sala de ensaio": Ka Du Bofiaz ...

O primeiro post que escrevi para este blog teve como tema a “Tolerância”. Na altura escrevi que existem diferentes formas de tolerância, desde a tolerância indiferente até à tolerância que degenera em exclusão – uma espécie de “é lá com eles”- até se transformar (por desconhecimento do outro) em xenofobia.

A recente vaga de criminalidade e o facto nela estarem envolvidos membros de minorias étnicas diversas, trouxe para os jornais mas, sobretudo, para os comentários dos leitores um crescente sentimento de insegurança e uma consciência das tensões raciais existentes.Por isso, creio que tem todo o interesse reflectir sobre a "integração" e sobre o investimento que tem sido feito nesse sentido.

Vejamos, o exemplo, da Associação Khapaz que desenvolve um projecto envolvendo cerca de 200 crianças e jovens nos bairros Quinta da Boa Hora e Quinta do Cabral [Seixal], este projecto desenvolve diversas actividades de cariz social, desportivo e educativo e, pretende combater problemáticas como a delinquência juvenil, a falta de mobilidade, o abandono escolar, o desocupação, as baixas habilitações literárias e situações de desestruturação familiar.” (ver, Projecto Rualidades).

A Khapaz tem recebido apoios diversos para levar a cabo esta tarefa: Instituto do Emprego, Fundação Gulbenkian, ACIME, junta de freguesia de Arrentela, câmara do Seixal… e isso nada teria de extraordinário se… as palavras de um dos seus dirigentes e, os conteúdos da página da referida associação não revelassem uma realidade para a qual eu não gostaria de contribuir mas, contribuo...

Um dos dirigentes e fundadores da associação deu, em 2004, uma entrevista a um jornal ligado ao BE:

“Sim, sou preto, assumo toda a minha pretidão." Não pactua com aquilo que chama "a chantagem da integração", isto é, "querem que um preto se vista, se comporte e fale como um branco". Mordaz e directo nas palavras, Chullage acha "que chegou a hora de os negros deixarem de ser fodidos".
Para tal propõe que os negros se organizem e comecem a lutar pelo seu "power". Em vez de trabalharem para a riqueza dos outros, devem, sim, trabalhar para a sua, gerar postos de trabalho dentro da sua comunidade, procurar uma educação própria.” (texto integral, aqui)

Bom, se isto não é racismo, o que é o racismo? O que este senhor, que dá pela alcunha de “Chullage”, pretende é o gueto, não pretende qualquer tipo de integração. Ele di-lo, claramente. Mais, não posso aceitar que um dirigente de uma associação juvenil que tem por objectivo combater “o abandono escolar, o desocupação, as baixas habilitações literárias” venha dizer que devem “procurar uma educação própria” ou que o “ … insucesso escolar deve-se muitas vezes à mentalidade dos próprios professores", […] "a escola não consegue abordar as diferentes culturas". (ACIME) e que estas palavras sejam publicadas por uma entidade pública. sem o cuidado de evitar generalizações.

A consulta da página da Khapaz leva-nos de imediato à única rubrica de alguma forma desenvolvida, um “manual de sobrevivência”, que é activado por um botão dos “black panthers e que mais não é do que os direitos e garantias em caso de ser interrogado/detido. De resto, esta associação têm-se distinguido pela denúncia de alegadas situações de abusos policiais:

“…como o Corpo de Intervenção resolveu intervir disparando balas de borracha sobre dezenas de jovens que festejavam junto a um café na madrugada da passagem de ano. Nesse mesmo mês, por quatro vezes a PSP do Seixal fez rusgas nesse mesmo local, sem que nalguma delas tivesse sido apresentado qualquer documento ou mandato ao proprietário do café em causa.” In esquerda.net

Mas, também é verdade que têm surgido denúncias de consumo e tráfico de estupefacientes nas imediações da associação e mesmo no seu interior. A Comissão Social de Freguesia de Arrentela apreciou as referidas denúncias e, sem que aparentemente, tivesse havido inquérito chegou às seguintes conclusões:


"Relativamente às graves acusações feitas à Associação Khapaz, a D. Sheila e a D. Karina explicam que a associação foi formada por jovens de origem africana que moram na Qt. da Boa Hora e Qt. do Cabral, e que por terem fracas expectativas em relação ao futuro, encontraram nesta associação através da Dança e da Música uma forma de fugirem à marginalidade e conseguirem a sua integração na sociedade. Não faz por isso assim sentido que a mesma seja acusada de contrariar os propósitos pelos quais foi fundada." Acta da CSFA nº 10.


"Explicado sumariamente o conteúdo da carta, foi reiterada a credibilidade que a CSF de Arrentela tem junto da Associação Khapaz, alvo de acusação na referida carta, e que a CSF acabou de assinar como parceira da Khapaz no âmbito do programa “Escolhas”. Acta da CSFA nº 6.

Esta Associação capaz de juntar aos objectivos sociais o espectáculo de que o poder precisa, tem recebido apoios múltiplos. Pergunto se o dinheiro dos contribuintes não seria melhor empregue em creches e jardins-de-infância, cursos de português para estrangeiros e de formação profissional, programas de luta contra o alcoolismo e a toxicodependência …programas que promovessem uma melhor integração na sociedade em lugar de promoverem a auto-exclusão de grupos étnicos, se a minha análise estiver correcta, os meus impostos estão a promover o desenvolvimento de uma xenofobia mútua, em lugar da desejável compreensão/aceitação do outro e consequente integração na comunidade.