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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Os números jovens do EUROSTAT


Os dados do EUROSTAT referentes ao desemprego jovem são preocupantes.
5 milhões de jovens desempregados e o número continua a subir.
Itália, Espanha, Suécia são os países onde a disparidade das médias é mais acentuada. Em Portugal, onde os desempregados representam actualmente 9% da população, o número de jovens desempregados ronda os 20%. Interessante ainda verificar que o desemprego jovem afecta globalmente, mais homens que mulheres.
E se pensarmos que o desemprego em Portugal cresceu 28% no último ano então, percebemos a razão da satisfação de Sócrates...
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... talvez por isso, o emprego seja agora gerado por "press releases" ... como esta:
"As 105 obras em curso para a construção de rodovias estão a gerar 36 mil postos de trabalho, de acordo com o Governo." in, Jornal de Negócios

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O cozinhado



Qualquer cozinheiro tem os seus truques (também chamados de "segredos") para garantir o sucesso dos seus pratos. O mesmo se passa com os governos e as estatísticas.
As estatísticas permitem aos governos mostrar as alterações positivas do impacto da sua governação. Quando a realidade desafia este objectivo, então, é preciso ser criativo e "trabalhar" os números. Trabalhar os números é "esconder alguns debaixo do tapete", isto é, não os analisar e "apaladar os outros", escondê-los sob uma aparência favorável, de forma, a que eles reflictam a verdade conveniente. É que nem sempre as estatísticas servem a propaganda e, quando isso acontece é preciso "cozinhá-las".
Dito isto, após a divulgação da estatística fica a discussão entre quem a apresenta e quem a desmonta. Mais uma vez, a divulgação de um relatório sobre criminalidade e violência gera a polémica. O relatório da Segurança Interna não poderia dar simultaneamente duas más notícias. Isso seria o reconecimento público do falhanço das suas políticas de segurança. Por isso, optou-se por "dar uma no cravo, outa na ferradura". A criminalidade juvenil desce c. 44% mas, a criminalidade grupal sobe 35% em 2008.
Ora, de que forma o aumento da criminalidade grupal não esconde o aumento da criminalidade juvenil, já que tantos gangs são formados por menores de 16 anos, por isso Nuno Magalhães está correcto ao afirmar que: "aquilo que outrora era cometido individualmente passou a ser cometido em grupo". O aparente sucesso da política de segurança interna deste governo reside numa diminuição de um tipo de criminalidade que está em franca expansão (reconheço que muitos crimes não entram nas estatísticas porque o cidadão comum considera que não merece a pena apresentar queixa, o que também contribui para o divórcio entre a realidade e os números) ... daí que esta reflexão mereça ser feita.
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"Queda abrupta da criminalidade juvenil espanta autoridades..."

sábado, 14 de março de 2009

Onde estão os números?


"... o secretário-geral de Segurança Interna decidiu acelerar a entrega do relatório ao Parlamento e não vai esperar pelos dados da Educação sobre violência nas escolas.
[...]o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) [2007] teve um capítulo dedicado à "Escola Segura", onde se juntaram os números registados pela Educação, de casos ocorridos no interior das escolas, com os das Forças de Segurança, que tinham os crimes no espaço exterior.
Este ano, contudo, sem que a Educação tivesse apresentado qualquer motivo, estas estatísticas não foram ainda divulgadas."
in, Diário de Notícias
Porque será??

A desconfiança relativamente às forças de segurança e à justiça leva a que muitos crimes fiquem sem a devida participação e, se isto é verdade para a generalidade das situações, ainda é mais verdade para os casos ocorridos dentro da escola. Assistimos a um recrudescer dos casos de violência na escola que não tem sido reflectido pelas estatísticas. De facto, em muitos casos a ausência de queixa resulta mais da banalização da violência e do medo, do que da desconfiança relativamente às autoridades (professores, Escola Segura) . Entre muitos os conselhos executivos impera uma teimosa determinação em resolver os problemas dentro da escola, de forma que a ela não se cole o rótulo de "insegura", este mascarar da situação adia a resolução dos problemas e beneficia os infractores. Exemplar deste estado de espírito é o protelar deliberado da participação às entidades competentes, inclusivé, em casos que envolvem armas de fogo.
A mediatização de casos de violência no recinto escolar tem levado a que professores, alunos e, encarregados de educação, tenham maior consciência dos seus direitos e, a que o "abafamento" das situações seja cada vez mais difícil, o poderá ter tido reflexos nas estatísticas por isso, jogam-se os incómodos números para debaixo do tapete.
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"... Ministério da Educação diz que os dados estão a ser trabalhados ..."
in Público
O que significa isso em politiquês? Mascarados, maquilhados, torturados para se apresentarem com melhor aspecto?
Os números deveriam ser apresentados, simplesmente.
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Certo é que o aumento de 10,7% do crime violento crime e de 7,5% da criminalidade geral, estragam qualquer intervalo publicitário ...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Estatísticas, um mundo de sombras

“As estatísticas eram tão fantásticas na versão original como na rectificada. Com efeito, era função do pessoal inventar estatísticas, tirando-as de si próprio. Por exemplo, o cálculo do Ministério da Fartura [Economia] prevendo a produção trimestral de calçado num total de 145 milhões de pares. A produção real, dizia-se, fora de 62 milhões. […] Com toda a probabilidade não tinham fabricado calçado algum. Ou, mais certo ainda, ninguém fazia a menor ideia de quanto calçado tinha sido produzido; nem ninguém se importava. […] Tudo se misturava e confundia num mundo de sombras no qual, por fim, até a data do ano se tornava incerta.”

Orwell, 1984


"Os dados do Eurostat revelam que o investimento estrangeiro em Portugal caíu para 54% no ano passado.Uma quebra que contraria a tendência de outros países europeus.
Manuel Pinho diz, no entanto, que à excepção do sector imobiliário, o investimento está a aumentar mas o Ministro adianta que Portugal tem um longo caminho a percorrer."
Rádio Clube

Os números do nosso descontentamento, aqui.