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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quando os Flamingos não dormem ...

foto original, aqui
"...a associação ambientalista Flamingo afirmou que «o sapal de Corroios está a servir de depósito de areia, que provém do terreno onde está a ser construído o novo Centro de Saúde de Santa Marta do Pinhal(Corroios)»." TVI

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Baú de Recordações [6]

Bacalhoeiro Capitão Ferreira, Talaminho 2008
via SHIPS AND THE SEA

O dia do Seixal na Expo’98…

Alfredo Monteiro justificou esta presença[…] devido à condição ribeirinha do nosso município e à sua dependência secular das marés.

…a autarquia considera prioritária a defesa e a revitalização “deste local” [baía]…

O plano de valorização surge no âmbito de um quadro de desenvolvimento integrado e de um Concurso de Ideias promovido pela câmara em 1993.”

E o que previa este projecto?

  • Preservação do património natural nomeadamente da área “onde estão incluídos os ecossistemas dos sapais de Corroios e do Rio Coina”;
  • Recuperação de “um vasto conjunto patrimonial edificado, reconstruindo a paisagem, valorizando a imagem dos núcleos urbanos, mantendo a sua relação com o rio e melhorando a sua função residencial.”
  • Criacção de infra-estruturas que possibilitem o acesso às condições naturais da baía […] reaproveitamento de espaços como o da Ponta dos Corvos ou de antigos estaleiros …”

O arquitecto [Luís Caiado] informou que “uma aquisição de terrenos vai permitir a execução de um grande plano para um parque verde urbano, central em relação ao concelho, em que a baía será parte integrante. Salvaguardar-se-á quer a flora, quer a fauna marítima, nomeadamente na zona do sapal.”

"O evento terminou com um beberete [como não poderia deixar de ser]"

in, Repórter do Seixal, 3 de Julho de 1998

Dez anos depois estamos na estaca ZERO. A câmara doSeixal contínua a fazer propaganda com base nos mesmos temas e ideias. Nada aconteceu. O tempo parou neste concelho?

sábado, 14 de junho de 2008

Seixal kitsch


“…onde um partido único detém todo o poder, não há escapatória possível ao império do kitsch totalitário.

Se digo totalitário, é porque tudo quanto pode fazer perigar o kitsch é banido da vida: não só toda e qualquer manifestação de individualismo (a mais pequena discordância é um escarro cuspido em plena cara da risonha fraternidade), toda e qualquer manifestação de cepticismo (quem começa por pôr um pequeno detalhe em dúvida, acaba por pôr em dúvida a própria vida), toda e qualquer manifestação de ironia (porque no reino do kitsch é tudo para levar a sério) […] constitui uma ameaça[…].”

Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser

A imagem que o Boletim Municipal nos dá do concelho em que vivemos é a de um lugar onde a contradição fundamental está entre o bom e o melhor. Todos os problemas existentes ou pendentes, advêm do exterior nomeadamente, do “poder central”. Nesta estética, não há lugar para a contradição. Quem poderia opor-se a um poder que já está entre o bom e o melhor e que se encaminha, presumivelmente, para o óptimo??

Só espíritos delirantes, loucos ou malévolos. Por esta razão, nos países do socialismo real estas" almas perdidas" são enviadas para o hospital psiquiátrico ou, para algum gulag. Por esta razão, neste concelho (onde existe até uma “freguesia florida”, existirá algo de mais kitsch?) os que questionam as opções da edilidade ou, os que a censuram são tolerados com dificuldade. Vários episódios recentes comprovam precisamente esta dificuldade em conviver com o contraditório. Os comentários deixados no a-sul pelos acérrimos defensores dos padrões do kitsch local, os acontecimentos lamentáveis da assembleia municipal e da reunião de câmara… e agora isto: aquando da visita do executivo camarário à Feira [da Terra], este viu foi com desagrado o abaixo-assinado exposto [para que não se licencie um estabelecimento para a engorda artificial de peixes que uma empresa privada pretende instalar no Sapal de Corroios, e para que seja preservada esta zona húmida que é a mais bem conservada de todo o estuário do Tejo, a sul de Alcochete, abrangida pela legislação da Reserva Ecológica Nacional], razão pela qual a organização daquele evento retirou abusivamente aquele documento do stand do Grupo Flamingo.”

…mas não haverá mesmo escapatória ao totalitarismo deste kitsch?

Outros posts sobre a estética totalitária no Seixal: aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Haverá uns Sapais mais iguais do que outros? …

Ainda relativamente ao Sapal de Corroios não deixa de ser interessante verificar que em outras paragens o PCP se apresenta como defensor das “aves marinhas, nomeadamente as aves migratórias, que fazem dela área privilegiada de descanso nas suas rotas. Espécies migratórias como o corvo-marinho, ou a garça-real, utilizam-na como “aeroporto de escala”, como refúgio e zona de repouso, podendo também servir como área de nidificação para algumas espécies, como o penereiro” pode ler-se numa proposta de decreto-lei apresentado na Assembleia da Republica em 2005. Nessas paragens, onde o PCP é oposição, manifesta-se a preocupação por numa zona de “rara diversidade, situado em zona estuarina” cuja não classificação tem permitido uma contínua degradação, queixa-se neste documento o PCP de que “faz-se quase tudo o que se não deve nem pode permitir. Desde o simples pisoteio ao trânsito automóvel e de outros veículos motorizados, do campismo selvagem ao depósito criminoso de lixos e entulhos. Faz-se quase tudo para não permitir a recuperação de sapais, para ameaçar a biodiversidade da área e a sobrevivência de espécies, para impedir a utilização da Baía de S. Paio [Vila Nova de Gaia] na sua função primordial de refúgio de aves marinhas.” Atente-se nas preocupações expressas neste projecto-lei. Não podemos deixar de concordar mas ...






Pois é, quiséramos nós que estas preocupações se estendessem aos lugares onde o PCP é poder autárquico, como por exemplo o concelho de Seixal. Afinal, tratava-se, também aqui, de procurar proteger uma área que nas últimas décadas tem estado sujeita a uma enorme pressão demográfica e urbanística, aos entulhos e lixos, à presença de uma ETAR, da piscicultura com os seus tanques, sem esquecer os movimentos de terra realizados nas proximidades para construção das estradas, as descargas poluentes e, ainda, os cemitérios de barcos das redondezas. A tudo isto, o Sapal de Corroios tem resistido na sua imensa vontade de continuar a estar vivo. A cada nova agressão tem-se recomposto, mas poderá o ecossistema continuar a ser ameaçado indefinidamente, apesar da sua classificação em área de REN? Em que momento será irreversível a morte deste resistente?

No concelho de Seixal o único facto que gera de facto interesse por estes lodos, é o “turismo” dos flamingos que periodicamente demandam estas paragens em busca de alimento e abrigo e que se prestam a fotos, a reportagens e a declarações políticas e propagandísticas… fazendo correr tinta e procurando dar novas cores ao adágio popular uma “andorinha não faz a primavera” mas, um flamingo fará uma baía limpa e saudável?

domingo, 20 de janeiro de 2008

Sapal, interesses e vídeo…

Na controvérsia sobre se o alargamento da piscicultura existente no Sapal de Corroios irá ao não pôr em risco aquele eco-sistema teremos que considerar que aqui se podem encontrar dezenas de espécies diferentes de aves aquáticas, onde se incluem alfaiates, andorinhas-do-mar, borrelhos, corvos-marinhos, flamingos, gaivotas, galinhas-de-água, garças-reais, garças-brancas, guinchos, maçaricos, mergulhões, patos-reais, pernas-vermelhas, pernilongos, pilritos, rolas-do-mar, rouxinol-dos-caniços e tarambolas.
Muitas destas aves são migradoras, e maioritariamente invernantes, embora algumas sejam estivais. Algumas destas aves aquáticas encontram-se em perigo de extinção como se pode comprovar pelo recente relatório sobre as aves do estuário do Tejo, aliás, prevê-se que devido às alterações climáticas e às pressões demográficas a maior parte das aves europeias (mesmo aquelas actualmente consideradas comuns) enfrente a curto prazo o perigo de extinção/deslocalização (ver).




O Sapal de Corroios onde se abrigam milhares de aves durante os meses de Inverno constitui um verdadeiro santuário ornitológico que tem sido vítima não só das alterações naturais decorrentes de se situar no estuário de um grande rio, mas também, devido às enormes pressões demográficas das últimas décadas. Ora, é neste equilibrio instável que se pretendem realizar mais alterações ainda. Isto é tanto mais preocupante do ponto de vista da biodiversidade quanto estas aves que aqui nidificam e procuram alimento.

O estuário do Tejo está sobre uma pressão crescente que o anuncio do novo aeroporto só veio reforçar quer pelo facto de o aeroporto se localizar em Alcochete, quer pelo acréscimo das pressões urbanísticas na região. Existirá ainda esperança para estes espaços em que a natureza continua a ser natureza? Existirá a vontade de preservar o património natural para as gerações futuras? Haverá a vontade de transformar estes locais em locais de aprendizagem e de fruição da natureza?

Pela biodiversidade, pelo direito das gerações futuras à natureza e pelo lazer do presente, esperava-se que a Câmara do Seixal, e o seu presidente, mantivesse uma posição de intransigência face aos interesses que agora ditam a alteração da sua posição sobre esta matéria. Lamentavelmente, assim não aconteceu. Lamentavelmente, não conseguiu sequer explicar as razões, de certo ponderosas, que o levaram a comprometer-se a defender o sapal para logo autorizar a expansão da piscicultura numa área sensível ... Perante explicações tão esfarrapadas surge a duvida quanto à natureza dos interesses que ditaram esta "cambalhota".

Compete aos cidadãos manifestarem o seu desagrado.