
Não existe uma única boa (cabal) explicação para esta deriva belicista da Coreia do Norte: as fragilidades económicas, e a necessidade de legitimar o seu isolacionismo mantendo um leque de "inimigos" são apenas, algumas das explicações possíveis.

Guerreiros e cavalos em tamanho real, como que saídos do palácio da Bela Adormecida. Assim, são os guerreiros de terracota que guardam os mausoléu do imperador Qin Shi Huang, na China. Sem dúvida, uma das mais impressionantes descobertas arqueológicas do séc. XX.
De regresso ao séc. XXI, para ver a manifestação organizada pelo regime de Pyongyang para protestar contra a resolução da ONU. Um oficial do exército norte-coreano*, disse à multidão de 100 000 pessoas que "... a Coreia do Norte exercerá o seu direito aos ensaios nucleares preventivos face à menor provocação dos seus inimigos...", leia-se EUA.
Com a situação na Coreia do Norte a causar preocupação, sobretudo, desde o anúncio de que deixava de respeitar o armistício de 1953 (nunca foi assinado o Tratado de Paz) e, com a perspectiva de uma confrontação entre as duas Coreias. Para já, o resultado pode sentir-se numa aparente unanimidade ( entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU) e na bolsa de Seul, onde o index KOPI, tem estado em queda nos últimos 5 dias apesar, das subidas registadas nos outros mercados asiáticos.“It’s a matter of time when a fuse for war is triggered,” the North Korean government’s official newspaper, Minju Joseon, said in a commentary carried by the state-run news agency KCNA." in, NYT

"...o Comité Central exprimiu "solidariedade" ao líder comunista Kim Jong-il, "perante a escalada imperialista na Península da Coreia". Dois dias depois, a bancada parlamentar comunista foi a única a alinhar com Pyongyang, recusando apoiar um voto de protesto contra o teste nuclear efectuado na Coreia do Norte. E a edição desta semana do Avante! dedica uma página às teses oficiais daquele país, sob o título "Pyongyang quer a paz mas não teme a guerra" in, DN
Após treze anos de espera foi finalmente preso. Desde 1995 que ele era procurado o que o obrigou a abandonar a cena política e a voltar-se para a medicina alternativa. Do mesmo modo, a acusação feita a Milosevic, em 1999, circuncreveu-o a um limitado nímero de fieis, retirando-lhe a margem de manobra necessária para ser chefe de estado e de algum modo, custou-lhe a vida.
Que lições a retirar para o presente e, para o futuro? Na semana passada o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, foi acusado de genocídio (Darfur) o que levantou um coro de protestos de alguns líderes africanos* e a oposição de países como a China, a Rússia, ou a África do Sul que, agora, estão preocupados com o auxílio às populações quando bastaria terem usado a sua influência, em tempo útil, para que centenas de milhares de vidas tivessem sido poupadas.
A mensagem é clara, apesar da inércia das instituições internacionais, os ventos e as marés políticas mudam, no lugar de Bashir, eu, não dormiria sossegada.
______________________
*a este respeito o Jornal de Angola publica, hoje (24 de Julho), um artigo revelador:
"... [a União Africana] entende que a decisão pode minar os esforços tendentes a promover uma paz durável e a reconciliação em todo o Sudão e, deste modo, causar novos sofrimentos às populações desse país e induzir a uma maior desestabilização, com graves consequências para toda a região." Tanta preocupação com as populações 300 000 mortos e muitas outras barbaridades depois é, comovente!!
E mais à frente apresenta Bashir no "local de trabalho":
Os Norte Coreanos estão a morrer à fome devido à falta de abastecimento nas regiões rurais e à escassez generalizada de cereais e outros alimentos.
A situação já não é nova mas, agravou-se, este ano podendo mesmo estender-se às cidades onde deixaram de ser distribuídos senhas de racionamento. A situação é pelo menos tão grave como em meados dos anos 90, altura em que terão morrido de fome cerca de dois milhões de pessoas. Desde os anos 90 que a Coreia do Norte precisa de auxílio para alimentar os seus 23 milhões de habitantes. O Programa Alimentar Mundial, estima em seis milhões e meio o número de pessoas que serão afectadas por mais esta profunda crise alimentar.
A crise alimentar do país agravou-se este ano devido a um mau ano agrícola e às cheias. Também aqui as organizações internacionais se debatem com a teimosia criminosa das autoridades que recusam aceitar ajuda internacional por motivos políticos.
De salientar que, no passado dezenas de milhares de pessoas procuraram escapar à morte pela fome atravessando a fronteira fluvial com a China arriscando-se ao afogamento ou à repatriação pelas autoridades chinesas que em ano de Olimpíadas não querem mais problemas (há notícia da execução de 13 mulheres e dois homens por tentativa de fuga para a China, em Fevereiro). Assim, a China poderia estar disposta a ajudar mas, exige a devolução dos 1800 vagões que desapareceram em operações semelhantes…
O regime chamou à fome que assolou o país nos anos 90 de "Árdua Marcha" do povo coreano para um socialismo invencível, agora, de novo, são chamados a marchar sob o comando de Kim...
Ver The Economist