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sábado, 4 de julho de 2009

Disparados a 4 de Julho


Comemora-se hoje o Dia da Independência dos EUA. Em jeito de comemoração a Coreia do Norte lançou o seu desafio: sete mísseis balísticos disparados, em violação da resolução da ONU tomada após o teste nuclear de Maio último. O lançamento de mísseis balísticos está a tornar-se numa actividade comezinha para Pyongyang apostada, como está, em colocar os EUA, a Coreia do Sul, o Japão ... à beira de um ataque de nervos.
Não existe uma única boa (cabal) explicação para esta deriva belicista da Coreia do Norte: as fragilidades económicas, e a necessidade de legitimar o seu isolacionismo mantendo um leque de "inimigos" são apenas, algumas das explicações possíveis.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Para além da morte

Guerreiros e cavalos em tamanho real, como que saídos do palácio da Bela Adormecida. Assim, são os guerreiros de terracota que guardam os mausoléu do imperador Qin Shi Huang, na China. Sem dúvida, uma das mais impressionantes descobertas arqueológicas do séc. XX.

De regresso ao séc. XXI, para ver a manifestação organizada pelo regime de Pyongyang para protestar contra a resolução da ONU. Um oficial do exército norte-coreano*, disse à multidão de 100 000 pessoas que "... a Coreia do Norte exercerá o seu direito aos ensaios nucleares preventivos face à menor provocação dos seus inimigos...", leia-se EUA.

Dois tempos, duas miragens de poder. Mais de dois mil anos separam estas duas imagens e, contudo, sinto-as tão próximas, tão irmanadas numa vontade de poder que se afirma, para além da morte.

* o quinto maior exército do mundo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Jogo perigoso

Com a situação na Coreia do Norte a causar preocupação, sobretudo, desde o anúncio de que deixava de respeitar o armistício de 1953 (nunca foi assinado o Tratado de Paz) e, com a perspectiva de uma confrontação entre as duas Coreias. Para já, o resultado pode sentir-se numa aparente unanimidade ( entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU) e na bolsa de Seul, onde o index KOPI, tem estado em queda nos últimos 5 dias apesar, das subidas registadas nos outros mercados asiáticos.
Para a Coreia do Norte a questão está em encontrar o tom de ameaça certo para atingir os seus objectivos (desestabilizar a Coreia do Sul?; testar a nova administração Obama?; publicitar a sua indústria militar?; estabelecer equilíbrios internos na sucessão ao "querido líder"?...), isto é, garantindo que é suficientemente, convincente para não ser ignorada e, suficientemente, comedido para não alienar o poderoso vizinho e aliado, a China.
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“It’s a matter of time when a fuse for war is triggered,” the North Korean government’s official newspaper, Minju Joseon, said in a commentary carried by the state-run news agency KCNA." in, NYT

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O exibicionista

via, El Tiempo
O que terá levado o regime de Pyongyang a optar por este timing para levar a cabo estes ensaios nucleares / de mísseis balísticos e, a subir de tom a ameaça relativamente à vizinha Coreia do Sul? Porquê esta exibição de força? Terá sido o desejo de forçar os limites da política de diálogo da administração Obama? Será a vontade de desestabilizar a vizinha Coreia do Sul? Ou, depois dos problemas de saúde do último Verão, será uma mensagem interna para os candidatos à sucessão do "querido" e fragilizado líder?

terça-feira, 14 de abril de 2009

O incomparável Kim


"O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou hoje [ontem] o lançamento do míssil balístico lançado pela Coreia do Norte a 5 de Abril e reforçou o regime de sanções de 2006, exigindo a Pyongyang que se abstenha de fazer mais lançamentos." in, Público

Depois disto já Pyongyang veio fazer saber que vai deixar de negociar o seu desarmamento, e reactivar o reactor nuclear, uma vez que deixou de se sentir vinculada aos compromissos assumidos com o "grupo dos seis".

Para a Coreia do Norte, o que isto significa é que o seu poderoso vizinho, e de algum modo único aliado preferiu, por uma vez e. ainda que simbolicamente. tomar o partido dos EUA e deixar Pyongyang ainda mais isolada. De qualquer forma, não é certo que a China leve muito a sério as sanções económicas, uma vez que se arriscaria a desestabilizar o regime norte-coreano e a criar um problema na sua fronteira.

Kim Jong Ill,"o incomparável grande homem", "o maior dos grandes homens produzidos pelo céu", reapareceu esta semana em público depois de meses de ausência. Veremos se o seu reaparecimento causa o mesmo efeito que que o seu nascimento: "os lagos descongelaram com um tal barulho que as montanhas estremeceram". Claro, que nos tempos que correm os espíritos descrentes diriam que isso era resultado do aquecimento global...

Kim Jong Ill, tal como seu pai, é um caso de culto da personalidade levado aos extremos do ridículo. A propaganda descreve-o como o grande impulsionador da indústria de produção cinematográfica, como capaz de reparar automóveis e de desenvolver a agricultura e a indústria pesada. Simultaneamente ele é o criador de óperas, peças de teatro e filmes que, acredite-se ou não, ganharam prémios, na Coreia do Norte... Também no desporto as suas proezas são lendárias quer como praticante de artes marciais, quer como golfista entre outras modalidades.

Claro, que para o seu povo tudo isto é verdadeiro pois, o momento em que a dúvida se instala é meio caminho andado para a reeducação num campo de concentração , pelo que poucos se atrevem a questionar a verdade oficial. De facto, em poucos outros regimes a propaganda está tão omnipresente, o controlo da informação é tão eficiente e, o medo tão sufocante.

A triste vcerdade é que enquanto o seu povo dependente da ajudar internacional para se alimentar, Kim e a nomenclatura que o rodeia brincam com o fogo...

domingo, 19 de outubro de 2008

Ensaio sobre a cegueira

"...o Comité Central exprimiu "solidariedade" ao líder comunista Kim Jong-il, "perante a escalada imperialista na Península da Coreia". Dois dias depois, a bancada parlamentar comunista foi a única a alinhar com Pyongyang, recusando apoiar um voto de protesto contra o teste nuclear efectuado na Coreia do Norte. E a edição desta semana do Avante! dedica uma página às teses oficiais daquele país, sob o título "Pyongyang quer a paz mas não teme a guerra" in, DN
Não há realmente palavras. Para casos destes só vejo mesmo uma explicação: cegueira. Uma cegueira colectiva que atingiu os a direcção do PCP. Não há aqui nada de novo. A defesa cega das FARC, a negação da realidade do socialismo soviético ... mas, sinceramente, a Coreia do Norte é um anacronismo, uma anedota que só o não é porque o povo coreano sofre de fome,* de isolamento, de falta de liberdade, de medo ...
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* Sobre a economia da Coreia do Norte, ver aqui.

"A Coreia do Norte prepara-se para fazer amanhã (20 de Outubro) um anúncio “importante” noticiou hoje um jornal japonês..." ...mas na Coreia do Sul afirma-se que não há nada de anormal a registar à excepção de uma reunião alargada para discutir a economia do país.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Memorial

Memorial às vítimas de Srebrenica

O Tribunal de Haia não tem sido o melhor exemplo. A maior parte dos que planearam e executaram a guerra na antiga Jugoslávia nunca foram acusados. Milosevic morreu antes que o Tribunal tivesse chegado a uma conclusão definitiva. Agora, é a vez de Karadzic.

Após treze anos de espera foi finalmente preso. Desde 1995 que ele era procurado o que o obrigou a abandonar a cena política e a voltar-se para a medicina alternativa. Do mesmo modo, a acusação feita a Milosevic, em 1999, circuncreveu-o a um limitado nímero de fieis, retirando-lhe a margem de manobra necessária para ser chefe de estado e de algum modo, custou-lhe a vida.

Que lições a retirar para o presente e, para o futuro? Na semana passada o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, foi acusado de genocídio (Darfur) o que levantou um coro de protestos de alguns líderes africanos* e a oposição de países como a China, a Rússia, ou a África do Sul que, agora, estão preocupados com o auxílio às populações quando bastaria terem usado a sua influência, em tempo útil, para que centenas de milhares de vidas tivessem sido poupadas.

A mensagem é clara, apesar da inércia das instituições internacionais, os ventos e as marés políticas mudam, no lugar de Bashir, eu, não dormiria sossegada.

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*a este respeito o Jornal de Angola publica, hoje (24 de Julho), um artigo revelador:
"... [a União Africana] entende que a decisão pode minar os esforços tendentes a promover uma paz durável e a reconciliação em todo o Sudão e, deste modo, causar novos sofrimentos às populações desse país e induzir a uma maior desestabilização, com graves consequências para toda a região." Tanta preocupação com as populações 300 000 mortos e muitas outras barbaridades depois é, comovente!!

E mais à frente apresenta Bashir no "local de trabalho":

"O Presidente sudanês, Omar al- -Bashir, ameaçado com uma ordem de prisão internacional pelo genocídio em Darfur, visitou ontem aquela província do Oeste do Sudão, tendo sido recebido por milhares de residentes."

Já agora veja-se como é composto o
"Conselho de Paz e Segurança [da União Africana] é integrado por 15 países, divididos por cinco regiões, nomeadamente: África Austral (Angola, Zâmbia e Malawi), África do Norte (Tunísia, Argélia e Líbia), África Oriental (Etiópia, Rwanda e Uganda), África Central (Gabão, Burundi e Camarões) e África Ocidental (Nigéria, Burkina Faso e Mali).

domingo, 11 de maio de 2008

A "Árdua Marcha" da Fome na Coreia do Norte

Os Norte Coreanos estão a morrer à fome devido à falta de abastecimento nas regiões rurais e à escassez generalizada de cereais e outros alimentos.

A situação já não é nova mas, agravou-se, este ano podendo mesmo estender-se às cidades onde deixaram de ser distribuídos senhas de racionamento. A situação é pelo menos tão grave como em meados dos anos 90, altura em que terão morrido de fome cerca de dois milhões de pessoas. Desde os anos 90 que a Coreia do Norte precisa de auxílio para alimentar os seus 23 milhões de habitantes. O Programa Alimentar Mundial, estima em seis milhões e meio o número de pessoas que serão afectadas por mais esta profunda crise alimentar.

A crise alimentar do país agravou-se este ano devido a um mau ano agrícola e às cheias. Também aqui as organizações internacionais se debatem com a teimosia criminosa das autoridades que recusam aceitar ajuda internacional por motivos políticos.

De salientar que, no passado dezenas de milhares de pessoas procuraram escapar à morte pela fome atravessando a fronteira fluvial com a China arriscando-se ao afogamento ou à repatriação pelas autoridades chinesas que em ano de Olimpíadas não querem mais problemas (há notícia da execução de 13 mulheres e dois homens por tentativa de fuga para a China, em Fevereiro). Assim, a China poderia estar disposta a ajudar mas, exige a devolução dos 1800 vagões que desapareceram em operações semelhantes…

O regime chamou à fome que assolou o país nos anos 90 de "Árdua Marcha" do povo coreano para um socialismo invencível, agora, de novo, são chamados a marchar sob o comando de Kim...

Ver The Economist