... ao cinzento do betão.
"Fins de Março [...], atravessamos o Tejo [...] tomamos um carro que nos levasse à Vila Nogueira e à Vila Fresca de Azeitão.
A estrada rola a princípio do Saco do Seixal, cujas margens lacustres e espelhadas, como rias galegas, se entremostram por alturas de Corroios e Arrentela. Passa-se junto de Amora e Paio Pires a poucos passos da estrada; desfilam casais brancos, chalés de veraneio, herdades e pomares; e, espaço a espaço, as copas das árvores frutíferas, macieiras, pessegueiros, pereiras, marmeleiros e ameixoeiras acenam, com seu lenço colorido, as boas-vindas. Como em breves dias, quase de um jacto, a flor abriu, ei-las em grupos desmanchados ondulando nas curvas do terreno, cobertas duma espuma crepitante de neve, rosa, oiro e carmim, espectáculo que recorda, com menos densidade e mais riqueza de cor, o das amendoeiras no Algarve e no Alto Douro. [...]
A estrada rola a princípio do Saco do Seixal, cujas margens lacustres e espelhadas, como rias galegas, se entremostram por alturas de Corroios e Arrentela. Passa-se junto de Amora e Paio Pires a poucos passos da estrada; desfilam casais brancos, chalés de veraneio, herdades e pomares; e, espaço a espaço, as copas das árvores frutíferas, macieiras, pessegueiros, pereiras, marmeleiros e ameixoeiras acenam, com seu lenço colorido, as boas-vindas. Como em breves dias, quase de um jacto, a flor abriu, ei-las em grupos desmanchados ondulando nas curvas do terreno, cobertas duma espuma crepitante de neve, rosa, oiro e carmim, espectáculo que recorda, com menos densidade e mais riqueza de cor, o das amendoeiras no Algarve e no Alto Douro. [...]
Jaime Cortesão,
"Terras Moçábes de Azeitão", in Portugal a Terra e o Homem, 1966
"Terras Moçábes de Azeitão", in Portugal a Terra e o Homem, 1966
O meu desafio, hoje, é o de descobrir os indícios, desta paisagem, que persistem teimosamente em não desaparecer apesar do "progresso". Para isso, proponho, mais uma vez, seguir a objectiva de André Barragon...
Miratejo- Corroios
Meio século depois, o que resta das margens lacustres espelhadas, dos pomares, do colorido dos campos?