terça-feira, 24 de junho de 2008

Laços de sangue (2)

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Nenhum governo tem o direito de se esconder por detrás da soberania nacional para violar os direitos humanos ou as liberdades fundamentais do seu povo.” Kofi Annan, secretário geral da ONU anunciava assim, uma nova ordem mundial.

Esta foi a doutrina que esteve na base das intervenções no Kosovo e em Timor, contudo, de então para cá, talvez por influência das intervenções no Afeganistão e Iraque, alguma coisa mudou: o Darfur, a Birmânia e o Zimbabué são o reflexo dessa mudança.

Na semana passada, o caso do Zimbabué foi discutido no Conselho de Segurança da ONU em … “outros assuntos” e, apenas, porque a Inglaterra insistiu. Apesar de todos os sinais: vitória tangencial (ou maioritária) do MDC nas eleições de Março, violência generalizada, clima de intimidação a ONU não reconhecia a existência de um problema político, por isso, limita-se à crise humanitária.

Mugabe dispõe de aliados de peso: Rússia e China, são intrasigentes defensores do principio da soberania nacional ou, não tivessem eles próprios problemas de fragmentação e, vetarão as resoluções mais musculadas. A África do Sul, cujos dirigentes têm uma dívida de gratidão pelos anos que passaram no exílio de Harare, insiste na fórmula do governo de unidade nacional e que não quer agir à semelhança do que já aconteceu, no passado, na Libéria, assumindo o papel que lhe compete: mostrar o caminho de saída a Mugabe evitando um banho de sangue semelhante ao que aconteceu recentamente no Quénia ou, pior ainda, no Burundi… e que não seria, sequer novidade na carreira política de Mugabe se nos lembrarmos dos 20000 mortos em Matabeleland.

A desistência de Morgan Tsangirai poderá constituir para a comunidade internacional mais uma oportunidade para mostrar o seu empenho na “Nova Ordem Internacional”. Começam a surgir, finalmente, sinais do desconforto internacional, isto depois de terem chegado às “boas mãos” da Zanu-PF as toneladas de AK-47 provenientes da China, depois dos milhares de desalojados, das centenas de desaparecidos após os raids dos “antigos combatentes” e dezenas de mortos (oficialmente) depois… agora, fala-se já (finalmente) da impossiblidade de eleições livres e justas diria que a comunidade internacional tem andado… desatenta.

Assine a petição on-line SAVE ZIMBABWE FROM MUGABE.

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