quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Percepções

:
"Adolf Putin"

A Europa está claramente dividida na resposta a dar ao Kremlin.Esta divisão advém não só de interesses económicos como sobretudo, do grau de percepção da ameaça. Os países Bálticos e países da “Europa de Leste” têm uma experiência os leva a ver a Rússia como o seu inimigo...

Não deixa de ser curioso que o semanário Wprost publique na sua capa uma imagem de “Adolf Putin”. Lendo os comentários que que têm sido feitos aos acontecimentos na Geórgia por parte de leitores/comentadores portugueses conotados com a vulgarmente designada “esquerda”, verificamos que a tentação é a inversa, ou seja, assimilar a figura de presidente georgiano à imagem de Hitler… por aqui se vê, a diversidade de sensibilidades que vai por essa Europa.

O jornal lituâno, Lietuvos Rytas, escrevia esta semana:

Com este ataque à Geórgia, a Rússia mostrou ao Ocidente que não tenciona mudar. Agressão e expansão – estes são os objectivos da liderança no Kremlin que já destruiu os frágeis alicerces da democracia russa. O povo russo, é bombardeado com propaganda tal como nos dias de Estaline, e qual a reacção dos países vizinhos e da NATO? Até agora parece que a Velha Europa está sobretudo assustada com o agressor e, ainda espera que um salvador tome o poder no Kremlin.”

Entretanto, uma sondagem publicada pela revista Wprost revela que:

40% dos polacos encaram a Rússia como o maior inimigo da Polónia e, que 49,8% dos polacos receiam um ataque russo (contra 38% que não acredita em tal possibilidade).

Antes da guerra na Geórgia, a maior parte dos polacos (c. 80%) era contrária à ratificação do acordo com os EUA para a instalação de escudos anti-mísseis e radares em território polaco e checo, respectivamente. Agora, de acordo com uma sondagem do jornal Rzespospolita, 58% dos polacos apoia esta decisão mesmo sabendo da oposição da Rússia, que muito provavelmente retaliará com medidas económicas nomeadamente, cortes de energia.
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A forma como a Rússia se comportou enquanto "força de manutenção de paz" e, a forma como está a proceder à retirada das suas forças "a conta-gotas", não são de molde a inspirar confiança aos seus vizinhos, que estão "escaldados", pelo menos, desde o século XIX. Ver, aqui e aqui.

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